sábado, 30 de janeiro de 2010

Lua cheia, 20h38


Poetas, seresteiros, namorados, correi
É chegada a hora de escrever e cantar
Talvez as derradeiras noites de luar

(Lunik 9, Gilberto Gil)

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Haiti, sem sensacionalismo

Um belo relato sobre o Haiti, do repórter da Agência Brasil. Não há violência, as casas dos ricos não ruíram, os soldados americanos jogaram alimentos ao povo como jogamos milho para galinhas.

Haitianos começam a reabrir o comércio em meio ao caos
Rivadávia Severo
Enviado Especial
Porto Príncipe - A população haitiana continua sem luz e água. Só há energia elétrica para quem tem gerador próprio e a única luz à noite é a dos automóveis que transitam pelas ruas ou a de velas. Mesmo assim, aos poucos, os serviços estão sendo retomados. Os bancos começaram a reabrir as portas no sábado (23), o mesmo ocorreu com os supermercados e o porto da capital teve uma parte reativada no último fim de semana.
Na rua, o comércio informal ganha cada vez mais adeptos. Barraquinhas vendem de tudo. O clima é de tranquilidade, não há violência e vandalismo. Os incidentes de violência são causados pela própria distribuição de ajuda humanitária, feita sem a devida logística, como as primeiras executadas por militares norte-americanos que jogavam os alimentos para a população, em vez de entregar a ajuda na mão de cada pessoa.
Apesar da catástrofe, o povo haitiano tem mostrado resignação e espírito coletivo “Falar de violência quando os haitianos retiram mercadorias das lojas que ruíram e que as retroescavadeiras começam a limpar é, no mínimo, um erro de interpretação”, diz a embaixatriz brasileira Roseana Kipman.
Na parte baixa da cidade, que continua totalmente sem luz, um batalhão de desempregados vaga pelas ruas em busca de trabalho. “Um trabalho, por favor” é uma das frases mais ouvidas na capital. O trânsito continua um caos, como era antes do tremor. Na capital, Porto Príncipe, a população refugiada é de cerca de 400 mil pessoas que vivem em acampamentos precários.
No bairro de Petion Ville, onde residem os ricos que não fugiram para a República Dominicana, o impacto do terremoto foi muito menor que na parte baixa da cidade. Lá, as construções são mais sólidas, o que ajudou a preservar o casario, explica o subtenente Hélio dos Anjos, da Companhia de Engenheiros do Exército. Ele conta que no hotel em que estava hospedado na hora do terremoto só uns livros caíram. No bairro, só ruíram os altos muros que protegem os ricos dos pobres. Quando a terra tremeu, esses muros caíram.
A residência do embaixador brasileiro, Igor Kipman, que fica no bairro, não sofreu estragos. A embaixatriz relatou que os estragos atingiram apenas quadros e louças da casa. Ativista social no Haiti, foi ela quem retirou o corpo da médica sanitarista e fundadora da Pastoral da Criança, Zilda Arns, dos escombros da Igreja Sacré Couer, situada na região central da cidade, próxima ao Palácio Nacional que também foi abalado.
Em favelas vizinhas, no entanto, o estrago foi total. A favela de Angentine foi destruída. A terra cedeu e levou junto os barracos que desceram o morro. A situação antes do terremoto, tampouco era alentadora em um país onde a classe média é minúscula, apenas 30% têm renda e só a metade desses de forma fixa. Sessenta por cento dos cerca de 9 milhões de haitianos vivem na área rural e o analfabetismo atinge 47% da população.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Cientistas procuram extraterrestres

A Royal Society, a academia de ciências da Grã-Bretanha, realiza a partir desta segunda-feira em Londres uma conferência com pesquisadores de várias partes do mundo para discutir as perspectivas de se encontrar formas de vida em outros planetas.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/01/100125_estraterrestres_rees_rw.shtml

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Veja jogou o lide no lixo

Na velha (duas edições atrás) entrevista à revista Veja, que agora provoca celeuma, porque a ministra Dilma repetiu o que está publicado, o presidente do PSDB disse que vai acabar com o PAC. Está lá, literalmente: "Isso é o PAC na realidade – e nós vamos acabar com ele". Por que então a polêmica? Guerra deve ter falado sem pensar na repercussão e Veja publicou da mesma forma. Ou não? O que surpreende, na verdade, é que o entrevistado, não um sujeito qualquer, mas o presidente do PSDB, que, diz a revista, prepara a estratégia de campanha do candidato Serra (outra confirmação na matéria – e aí? Não é campanha? Só a Dilma está em campanha?), este entrevistado diz que vai acabar com o PAC e a revista deixa passar batido. Qualquer repórter teria visto aí sua manchete, seu lide, e insistiria: "Como é? O PSDB vai acabar com o PAC?" Ainda que Guerra voltasse atrás e amenizasse, a frase estava dita, e seria a manchete ("Serra vai acabar com o PAC"), mas Veja deixou passar: "Falando assim, até parece que o PSDB está à esquerda do PT..." A revista segue por esse caminho e é realmente esta sua manchete: Veja apresenta o PSDB como partido à esquerda do PT. Está lá no lide na entrevista: em 2002, Serra era neoliberal, agora é diferente, o governo Lula seguiu a política de FHC e Serra está à esquerda de Dilma... Hahahaha. É de matar de rir essa estratégia (deve ser a tal, a que se refere Guerra) tucana de ficar à esquerda do governo Lula e Veja ser a porta-voz dessa mensagem. A entrevista foi feita para isso, sob encomenda. Não tem notícia, uma vez que, quando o entrevistado dá a manchete de mão beijada, o repórter não a aproveita. E agora os tucanos fazem esse escarcéu todo ao perceber o tiro no pé que Guerra deu.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Uma indústria do lado de casa

É curiosa uma certa idiotia das autoridades. Com o crescimento, a cidade foi zoneada de forma que atividades industriais não podem funcionar em áreas residenciais. No entanto, a construção civil é uma indústria, que se instala durante dois, três anos, às vezes mais, do lado da nossa casa, produzindo um barulho infernal. Caminhões imensos ocupam não o terreno da construção, mas a rua e o passeio. São fábricas de concreto. Por que essa indústria é privilegiada?

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Da série "A vida encantadora no lar"

Entreouvido no quarto das meninas:
- Isabel, eu quero uma vida normal pras bonecas.

Dia-a-dia na política

Quatro dias de cobertura política: no primeiro, o presidente da Assembleia; no segundo o ex-presidente; no terceiro, o prefeito; no quarto dia, o ministro.

sábado, 16 de janeiro de 2010

A Praça da Estação não é do povo?

Belo Horizonte teve neste sábado uma manifestação diferente, divertida e irreverente, mas não menos política. Centenas de pessoas, em geral jovens, organizados pela internet, se reuniram na Praça da Estação em trajes de banho para protestar contra o decreto do prefeito Márcio Lacerda que proibiu manifestações no local. A praça foi totalmente reformada recentemente e ficou muito bonita, mas agora não pode mais ser usada para eventos, sob a alegação de que as aglomerações destroem o patrimônio público. A praça tem belas fontes, que os jovens pretendiam usar para se refrescarem, mas ontem, estranhamente, não foram ligadas. Decepcionados, os manifestantes contornaram o problema fazendo uma vaquinha e contratando um caminhão pipa que jorrou água sobre todos. Apesar da proibição, a guarda municipal e a PM não reprimiram os manifestantes.

Chuva em Belo Horizonte

Nunca pensei que fosse dizer isto, mas bons tempos eram aqueles em que só o Rio Arrudas transbordava.
O fato é que as chuvas se tornaram uma ameaça à população, de inúmeras formas. A partir de ontem, quando três pessoas morreram esmagadas debaixo de uma guarita destruída por um flamboyant, no Hospital Júlia Kubitschek, ficaremos todos intranquilos com as árvores. Têm caído muitas árvores na cidade e a cidade tem muitas e muitas árvores mais. Estarão todas podres? O próprio prefeito considera a hipótese de que as raízes das árvores terem sido cortadas por obras, o que justificaria tantas quedas. Ele informou que a Cemig providencia um estudo sobre as condições das árvores belo-horizontinas. Nós as plantamos e talvez agora tenhamos que matá-las para que não matem mais gente.
Quando se fala em transtornos causados pelas chuvas, as pessoas pensam nos carros boiando em alagamentos e no trânsito congestionado, uma distorção do nosso modo de ver o mundo, que coloca o carro em primeiro lugar. Piores são os alagamentos de moradias e edifícios comerciais. Não se tratam mais de áreas de risco, próximas do Arrudas e outros ribeirões. Inúmeros lugares na cidade são agora áreas de risco. A prefeitura busca soluções, o prefeito tem um mapa das inundações e sabe que as causas do problema são profundas, mas elas serão atacadas? A questão é que, ao invés de combater as causas das enchentes, a cidade continua fazendo tudo que as agrava. Dois exemplos recentes: a construção do Bulevar Arrudas e a muralha de pédios erguida no Bairro Belvedere, ambas criticadas por ambientalistas.
É fácil entender que a cidade precisa de terra e dos cursos d'água, mas uma e outros são substituídos por asfalto e concreto. As chuvas são cada vez mais fortes e vão escoar por onde? Se a água não pode correr nos córregos e ribeirões da cidade, corre por cima, transformando ruas e avenidas em verdadeiros rios. As tubulações são as mesmas, acanhadas, e, além das chuvas, há cada vez mais escoamento de água e esgoto, porque a população se multiplica nos altos edifícios que substituem as casas.
O problema é grave e vai se agravar mais. As obras demandarão cada vez mais recursos, porque serão mais difíceis de executar, e causarão mais transtornos, por sua amplitude. Estou sendo pessimista? Talvez, mas tudo isso me parece óbvio. Muitos dos problemas se devem à falta de educação da população, que joga lixo na rua, entope bueiros e obstrui os cursos d'água ainda abertos. Estamos investindo em educação para que a população se torne mais esclarecida? Também não. Sem atacar as causas do problema, como é que ele será resolvido?
Cada vez mais o boletim meterológico se torna a notícia mais importante do dia. E a previsão é de mau tempo...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Vídeo brasileiro sobre o Haiti


Um soldado brasileiro, filho do povo pobre, disse à mãe por telefone que depois de conhecer o Haiti, como integrante das forças de paz, descobriu como sua vida aqui é boa. Ele voltaria esta semana, mas é um dos 11 militares brasileiros mortos no terremoto, segundo a Rede Record. O país mais miserável da América, sob intervenção militar da ONU, agora está semidestruído, com dezenas de milhares de mortos, sem água, sem comida, sem comunicação, praticamente isolado também por transporte. Tragédia na tragédia.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Paulo Sérgio Pinheiro, do governo FHC, defende PNDH-3

O sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e secretário Especial dos Direitos Humanos no governo FHC, disse em entrevista à rádio CBN que a sociedade foi amplamente ouvida na elaboração do Plano Nacional de Direitos Humanos 3. Esclareceu que o plano segue o mesmo caminho do segundo plano, feito no governo FHC, que ele coordenou. Elogiou a forma como o plano foi elaborado, de forma muito mais ampla do que no plano anterior e defendeu a criação da Comissão da Verdade.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Cinebiografias

O cinema brasileiro enveredou pelas biografias. Só no trailer de Lula, o filho do Brasil, são mais duas: O homem que engarrafava nuvens, sobre Humberto Teixeira, parceiro de Luiz Gonzaga, e Chico Xavier. No ano passado tivemos as histórias de Valdick Soriano, Simonal e Roberto Carlos, o contador de histórias. Sem falar em Caro Francis e Alô alô Terezinha. 

Da série "A que ponto chegamos"

Um grande empresário defende o governo Lula contra a "grande" imprensa.
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/01/10/o-negativismo-da-midia/

A agenda pós-férias de Lula

Quando voltar de férias nesta segunda-feira, 11/1, o presidente Lula terá decisões polêmicas a tomar: a extradição ou não de Cesare Battisti, a compra de caças (franceses, suecos ou americanos) pela Aeronáutica, o novo plano de direitos humanos e recursos para áreas atingidas pelas chuvas.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2010/01/08/materia.2010-01-08.2687950559/view

Direitos humanos versus escravagistas e torturadores

O secretário adjunto da Secretaria Especial de Direitos Humanos (SEDH), Rogério Sottili, estranha críticas do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, ao Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3). “O ministro Stephanes pode não estar bem informado.” “O Ministério da Agricultura (fez) sugestões ao plano.” Ele compreende as reações dos ruralistas. “São setores que (...) nunca deram muita importância a esse debate e, quando assistem a um programa que tenta sistematizar uma política de Estado para a questão dos direitos humanos, se sentem surpreendidos." Sottili está à frente da SEDH no período de férias do ministro Paulo Vannuchi. Ele deu entrevista à Agência Brasil.
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2010/01/09/materia.2010-01-09.0080214532/view

Capitalismo do século XIX versus capitalismo do século XXI

Wal-Mart suspende contrato com Cosan por trabalho escravo
sexta-feira, 8 de janeiro de 2010 20:34
(Reuters)
A unidade brasileira do Wal-Mart informou nesta sexta-feira ter suspendido temporariamente um contrato comercial com a Cosan depois que o maior grupo sucroalcooleiro do país foi incluído em uma lista de trabalho escravo do governo. 

http://br.reuters.com/article/businessNews/idBRSPE6070UU20100108

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Lula, o filho do Brasil não decifra Luiz Inácio da Silva

O filme tem um belo começo, no sertão nordestino, aquele ambiente de outro filme maravilhoso, Central do Brasil. O cachorro da família, uma espécie de Baleia de Vidas Secas, correndo atrás do pau de arara, é tocante e a imagem muito bonita. Embora prenuncie clichês, abre nosso coração. Mas é só isso, ou quase. O filme vai bem enquanto nos conta o que não sabemos: a chegada da família Silva a Santos, o artifício usado por Jaime, irmão de Lula, a mudança para São Bernardo, a infância miserável. Ainda assim, o pequeno Luiz pouco se mostra, como ao defender a mãe diante do pai, que a agredia. A cena em que convence uma mulher a comprar laranjas ensaia mostrar que o menino já tem o dom da oratória, mas nada depois reforça essa ideia, até que Lula surge líder de massas, dirigindo a maior assembleia operária da história do país, de cem mil pessoas. Aí, porém, o filme já tinha desabado entre os dois amores de Lula e seu casamento com o sindicato. Mais uma vez, o filme parece querer mostrar que Lula é predestinado. E dona Lindu, que sem ela Lula não seria Lula. Não é ela quem garante que o filho estude? Nesse ponto, desponta o clichê do pobre que venceu porque estudou, com dificuldade, mas a inteligência que chama atenção da sua professora não se expressa na vida de Lula, exceto no fato de cursar o Senai. É pouco. A mais cara produção nacional (R$ 16 milhões) é bem feita, tem boa fotografia e bons atores, com destaque para o ator principal, Rui Ricardo Diaz, cuja voz parece a do próprio Lula, e Glória Pires, que está muito bonita. Filmes sobre personagens históricas têm que resolver algumas armadilhas inevitáveis, como as passagens que todos conhecemos. São pontos em que a ficção se encontra com a realidade. A cena da perda do dedo não passou no teste, a morte de dona Lindu foi melhor. O melhor talvez esteja nas cenas dramáticas enfrentadas por Lula, que fazem parte da vida dos brasileiros comuns e nos mostram que temos um presidente que veio do povo. O filme pouco mais nos revela: que Lula mergulhou na vida sindical porque sua cabeça não estava boa e ele tinha medo de enlouquecer... É pouco, muito pouco para uma das maiores personagens da história brasileira, das poucas que alcançaram dimensão mundial. Uma sinopse da trajetória de Lula impressiona muito mais do que o filme de Fábio Barreto. O que pensa Lula? Por que faz o que faz, por que se torna quem é? Lula... não decifra Luiz Inácio. O pano de fundo histórico, a ditadura militar, não tem dramaticidade, assim como Lula não tem profundidade. Pode-se argumentar que o filme não pretende criar um mito, mas o mito está aí. E é preciso decifrá-lo.

Governo bom (?) não precisa ser eleito

A doutrina Hillary é a nova forma americana de justificar golpes de estado no seu quintal: não basta o governo ser eleito, é preciso ver o que ele faz. As ações do governo seriam mais importante do que sua legitimidade. É uma subversão dos valores democráticos, mesmo liberais. Uma ditadura do proletariado às avessas. Valeria também para os EUA? O artigo está da Carta Maior.
http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16315&boletim_id=632&componente_id=10529

Curso sobre mudanças climáticas

O Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) está oferecendo um curso gratuito via internet para quem quer entender as mudanças climáticas.
http://www.ipam.org.br/uploads/cursos/portugues/broadcastmet/brazil_br/index.htm

Saravá Paulo Francis!

Estreia hoje Caro Francis, documentário de Nelson Hoineff sobre Paulo Francis (1930-1997). Para os jovens dos anos 70, Francis foi uma luz e um exemplo, com seu texto rápido e limpo, com sua erudição, com suas ideias sem peias e sua irreverência. Já tinha então uma vasta experiência de vida. Até hoje seus artigos são brilhantes e definitivos (vejam-se as edições com o melhor do Pasquim). Quando guinou à direita (até por volta dos cinquenta anos foi trotskista), se confundiu com tanta gente sem brilho, mas ainda assim sua participação no Manhattan era um show. Quando ele morreu, o programa acabou. A tentativa de o copiarem, ainda hoje, é constrangedora. PF era único. Mas fazia parte também de um tipo de intelectual que se extingue, do qual restam poucos, que falam o que pensam e têm vasto conhecimento sobre (quase) tudo. Publicou um livrinho, logo depois da posse (que não houve) de Tancredo, que deveria ser leitura obrigatória nas escolas, para se conhecer o Brasil. É um balanço do país que a “nova república” ia pegar. Curiosamente, a paixão tancrediana não o fez mexer no livro. “Não muda nada, na essência”, justificou no prefácio, num momento em que o país inteiro, chocado com o imprevisto, se perguntava o que ia acontecer. Essa capacidade de ver além e ver o que realmente era importante, graças à sua inteligência e ao consumo voraz de informações, principalmente em inglês, é que o torna o intelectual extraordinário que foi. Provocava a esquerda com humor e pelo que sei não era rancoroso, não levava a sério as críticas que recebia, ao contrário, gostava delas. Ele tem uma frase que continua atual, embora cada vez menos, espero. Dizia que no Brasil as pessoas se ofendem com críticas, porque não têm maturidade. Cito de memória, mas a ideia é essa. Fico pensando se a história lhe fará justiça, pois seus textos não tinham pretensão acadêmica, eram para consumo imediato e expressavam sua opinião pessoal – aliás, título de uma coletânea sua. Exceto aquelas ficções que eu achei tediosas. Talvez um dia ainda consiga lê-las e mude de opinião. No jornalismo, nenhum brasileiro uniu como ele estilo e conteúdo, qualidade de texto e de ideias. Saravá Francis!

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Aumento do IPTU é injusto: moradia não é renda

Chegou a guia do IPTU: 22,4% mais caro. Num ano em que o PIB diminuiu e o IGPM foi negativo. A história de que o IPTU de Belo Horizone ficaria mais barato para a maioria da população, com a criação de novas alíquotas, e só uma minoria rica seria penalizada, é balela. O novo cálculo foi um aumento disfarçado. A prefeitura alega que os imóveis estão valendo mais do que o estimado em 2009. Isso pode ser verdade, em geral é, mas não justifica o aumento. O IPTU calculado assim é um imposto injusto. O fato de o imóvel valer mais não implica em aumento de renda do proprietário. Este só ganhará mais se vender o imóvel, mas neste caso há um imposto específico e a prefeitura receberá sua parte aumentada também. A mensagem implícita no aumento do IPTU é: você não tem renda para morar onde mora, mude-se para uma residência mais barata num bairro mais pobre, e deixe esse imóvel e esse bairro para os ricos. Será essa a justiça apregoada pela administração "socialista"?

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Dica de blog

O Blog do Tsavkko pratica o novo jornalismo: uma câmara, um blog, observar, escrever. Nem que seja reportar o que acontece debaixo da sua janela, na porta do seu prédio, como no caso do assassinato na Praça Roosevelt.
http://tsavkko.blogspot.com/2010/01/assassinato-na-roosevelt.html

Mais uma religiosa marcada para morrer

Geralda Magela da Fonseca, freira católica da Congregação Romana de São Domingos (CRSD), mais conhecida como "Irmã Geraldinha", está marcada para morrer. Há três anos ela recebe ameaças, que se tornaram mais frequentes em 2009. Ela faz parte da Comissão Pastoral da Terra e dá apoio a posseiros e famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) que lutam pela desapropriação da Fazenda Monte Cristo, em Salto da Divisa, no Vale do Jequitinhonha. A fazenda tem 1,3 mil hectares e já foi considerada improdutiva por dois laudos recentes. Pertenceria à Fundação Tinô da Cunha, ligada à família do prefeito Ronaldo Cunha (DEM) e que está sob intervenção, por irregularidades.
A íntegra da reportagem de Maurício Hashizume, do Repórter Brasil, está em
http://www.reporterbrasil.com.br/exibe.php?id=1687

6 de janeiro de 1953


No Dia de Reis, há 57 anos, Adinho e Nazinha casavam-se, na Basílica de Nossa Senhora da Conceição, no tradicional Bairro da Lagoinha. Seriam felizes para sempre. A carta que acompanha a foto foi escrita pela noiva no aniversário do noivo, seis meses antes do casamento.

Notícia bacana

Erundina consegue recursos para pagar condenação
5/1 - 15:37 - Agência Estado
A deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) conseguiu os R$ 352 mil necessários para pagar uma dívida com a Justiça, resultado de um processo aberto quando ainda era prefeita de São Paulo. Sem recursos para quitar o débito, a parlamentar recebeu apoio de políticos de todo o espectro partidário, da situação à oposição ao governo federal, que organizaram vários jantares para arrecadação de dinheiro.
A causa também recebeu apoio da população, que depositou de R$ 2 a R$ 20 mil na conta aberta para ajudar a deputada.
(...)
A decisão judicial que condenou a deputada a pagar R$ 352 mil foi resultado de ação popular movida quando Erundina era prefeita pelo PT e veiculou anúncios em jornais em apoio à greve geral de 1989. A ação pedia a reposição aos cofres públicos do dinheiro utilizado pela prefeitura nas propagandas. A Justiça entendeu que os anúncios não atendiam ao interesse público.
A íntegra:
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2010/01/05/erundina+consegue+recursos+para+pagar+condenacao+9263463.html

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Em 2010 como em 2009

O Atlético começou 2010 como terminou 2009: perdendo. Dessa vez nos juniores.
Sempre me pergunto onde o Atlético arranja tanto jogador ruim. Hoje, vendo a Copa São Paulo, encontrei a resposta: nas categorias de base. O Galo prepara seus pernas-de-pau desde jovens.
Tem um que é o craque do time: só na pose.
O time toca a bola o tempo todo, de um lado pro outro, o adversário nem pega na bola. Mas não sabe chutar a gol, não sabe cruzar, não sabe cobrar escanteios nem faltas. Conclusão: não faz gol. De repente, um contrataque, uma falha da defesa e... gol! Pra completar, o craque, que não fez nada, se machuca e sai. O treinador já tinha trocado três, embora não desse pra notar, porque não mudou nada, e o time termina com dez, sem qualquer poder de reação. Este é o Galo!
Confesso que esse time de juniores e o treinador Rogério Micale me enganaram. Talvez tenham justificativas: a meninada praticamente não teve férias depois do campeonato brasileiro (foi vice-campeão, o que não é pra comemorar, mas é de impor respeito), o time já não é o mesmo que foi campeão da Copa BH (falta pelo menos o grande goleiro Renan - o atual é piruzeiro e não sabe pôr a bola em jogo)...
O adversário joga fechado, com dez atrás e um no ataque? Isso é mais velho do que guruçá andar de lado. Time que não sabe enfrentar retrancas nem deve entrar no campeonato, porque é o que mais tem. Se além de não saber enfrentar retrancas não sabe se defender de contrataques, aí então pode mudar de esporte...
Mas o pior é time sem atitude. Parecia o time de Celso Roth, tocando a bola, tocando a bola, mas sem a menor disposição pra ganhar o jogo.
A estreia do Atlético na copinha deve ter sido um aviso para o torcedor: não espera nada da gente este ano não. Mais uma vez.

sábado, 2 de janeiro de 2010

Lua cheia


O retângulo preto é a noite belo-horizontina, na direção sudeste, e esta bola branca no centro é a lua. Depois do arco-íris no dia 1º, o ano começa com lua cheia.

A vida na cidade

Motoristas buzinam para chamar o porteiro, para avisar que chegaram, para reclamar do trânsito engarrafado, para comemorar a vitória (ou derrota) de um time, ou por nada mesmo. Fazem isso a qualquer hora: de madrugada, de noite, de manhãzinha, o dia inteiro. Isto é a vida na cidade.