quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Veja defende o aborto

Na campanha eleitoral deste ano o assunto foi explorado exaustivamente, hipocritamente, pela "grande" imprensa para tirar votos da candidata Dilma. No entanto, em outubro de 2007, Veja, a rainha das publicações reacionárias, defendeu o aborto abertamente. Referia-se às notícias policiais frequentes sobre mães que abandonavam seus bebês. "Em comum elas têm o fato de serem pobres, moradoras do pedaço senzala do Brasil", publicou a revista, em artigo assinado por André Petry e reproduzido pela Revista da Semana, da mesma Editora Abril. Ele defende a legalização do aborto e a assistência do Estado para que as mulheres pobres possam abortar em igualdade de condições com as ricas: "Nenhuma é de classe média, classe alta. Por quê? Será que as brasileiras mais abastadas têm instinto materno naturalmente mais aguçado? Ou são educadas com mais zelo para os rigores da maternidade? A resposta é o aborto. As brasileiras abastadas dispõem de meios de abortar. Há clínicas clandestinas que fazem o serviço pelo Brasil inteiro. Mas cobram caro. Já as pobres não têm sequer essa opção. São mulheres sem dentes e sem futuro, que amam às pressas, que são elas próprias filhas de algum abandono – do parceiro, da família, do Estado. É por isso que legalizar o aborto, além de tudo, também é uma forma de tratar as brasileiras com alguma igualdade." A posição defendida no artigo é a predominante entre intelectuais, provavelmente compartilhada por Dilma e Serra, além de muitos outros políticos e jornalistas. É a prática que vai sendo adotada mundo afora, inclusive em países católicos e conservadores, como Itália e Portugal. No entanto, para roubar votos da candidata petista, a direita não teve nenhum pudor em defender bandeiras medievais e se aliar à TFP, à Opus Dei, a neonazistas e setores mais reacionários das igrejas ditas cristãs.