segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Festa para Iemanjá na Praça da Estação

Do blog Praça Livre BH.
Dia 2 de fevereiro leve flores para o mar!

Por Luther Blissett
"Dia 2 de fevereiro / dia de Iemanjá / va pra perto do mar / leve mimos pra sereia / Lá na Praia da Estação / em BH / vamos dançar / dia 2 de fevereiro / dia de Iemanjá..."
Quarta-feira, 2 de fevereiro, iremos jogar flores pra Iemanjá no mar de BH! Leve flores e vá de branco…

Protesto no Egito terá música e poesia

Do Opera Mundi.
Oposição no Egito convoca grande protesto contra Mubarak
Os opositores do presidente egípcio, Hosni Mubarak, anunciaram um grande protesto para esta terça-feira (1/2). Helicópteros sobrevoavam o Cairo nesta manhã, um dia depois de caças voarem baixo pela praça Tahrir, local do início das manifestações. Tropas e tanques continuam nas ruas da cidade e a polícia nacional voltou a patrulhar o Cairo. "Queremos fazer com que seja como um carnaval, com músicas, poesias e espetáculos, tudo centrado em pedir a renúncia de Hosni Mubarak", disse à Efe o porta-voz do Movimento 6 de Abril, o grupo de oposição que iniciou os protestos.
A íntegra.

Um relato da revolução no Egito

Da Agência Carta Maior.
Euforia, banho de sangue e caos
Robert Fisk – Página12
Os tanques egípcios, os manifestantes sentados sobre eles, as bandeiras, as 40 mil pessoas que choravam e alentavam os soldados na Praça da Liberdade, enquanto rezavam ao redor deles os irmãos da Irmandade Muçulmana, sentados entre os passageiros dos tanques. Seria o caso de comparar isso com a liberação de Bucareste? Sentado sobre um dos tanques de fabricação dos EUA, só podia recordar aquelas cenas cinematográficas maravilhosas sobre a liberação de Paris. Uns dois metros dali, a polícia de segurança de Hosni Mubarak, com seus uniformes pretos ainda disparava contra os manifestantes que estavam próximos do Ministério do Interior. Era uma celebração de uma vitória selvagem e histórica: os mesmos tanques de Mubarak estavam liberando a capital de sua própria ditadura. Na pantomima do mundo de Mubarak – e de Barack Obama e de Hillary Clinton, em Washington -, o homem que ainda se autoproclama presidente do Egito realizou a eleição mais absurda de um vice-presidente para acalmar a fúria dos manifestantes. O eleito foi Omar Suleiman, chefe dos negociadores egípcios com Israel e um antigo agente da inteligência, um homem de 75 anos, com vários anos de visitas a Tel Aviv e a Jerusalém, assim como com vários infartos que os provam. Como este funcionário enfrentará a raiva e o desejo de libertação de 80 milhões de egípcios fica a cargo da imaginação. Quando contei aos que estavam ao meu redor no tanque sobre a designação de Suleiman, começaram a rir.
A íntegra.

Líder do do PT diz que não haverá retrocesso na democratização do conhecimento

Ainda sobre a decisão da ministra da Cultura, Ana de Hollanda.

Da Agência Carta Maior.
'Creative Commons está dentro de uma política de governo'
Marco Aurélio Weissheimer
A decisão da ministra da Cultura, Ana de Holanda, de retirar a licença Creative Commons do saite do Ministério da Cultura, provocou protestos e abriu um intenso e enérgico debate entre integrantes do governo, do movimento de software livre e defensores de recursos educacionais e culturais abertos. Afinal de contas, a decisão da ministra representa ou não uma mudança na orientação do governo federal sobre o tema? Na avaliação do deputado federal Paulo Teixeira, novo líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, a "licença Creative Commons está dentro de uma política de governo, de democratização do acesso ao conhecimento e à cultura". Teixeira defende que a lei de direitos autorais, assim como a lei de patentes de medicamentos devem ser subordinadas ao interesse social. O parlamentar não acredita em retrocesso nesta área: "A posição do Ministério da Cultura vai abrir um debate no governo sobre a política nesta matéria. Não haverá retrocesso na minha opinião. Sugiro que a ministra Ana de Holanda coloque a minuta de lei que está na Casa Civil novamente em consulta pública".
A entrevista.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Um ano de Praia da Estação: o vídeo

Jovens e artistas defendem nosso direito ao espaço público. Numa cidade que nunca tão abandonada, em que árvores matam no Parque Municipal e bandidos nos confinam atrás das grades das nossas moradias, o Praia mostra como conseguir atendimento policial rápido: é só montar duas barraquinhas na Praça da Estação que aparecem inúmeros carros da PM e da Guarda (?) Municipal.

A primeira grande entrevista da presidente Dilma

Foi para três periódicos argentinos.

Do Blog do Planalto.
Domingo, 30 de janeiro de 2011 às 6:37
Brasil e Argentina têm responsabilidade para que a América Latina amplie presença e ação no cenário internacional
A importância de reforçar a parceria entre Brasil e Argentina e, deste modo, sinalizar aos demais países da América Latina que é possível ter mais presença e ação no cenário internacional levou a presidenta Dilma Rousseff a decidir que a primeira viagem internacional fosse para a Argentina. Essa explicação foi colocada em entrevista aos jornalistas dos três importantes jornais daquele país: La Nacion, Clarín, Página 12. Além disso, a presidenta Dilma assegurou que terá uma "relação extremamente próxima" com a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner: "O Brasil e a Argentina podem fazer isso, e podem fazê-lo de forma mais efetiva quanto mais próximas nossas economias se articulam e se desenvolvam e criem laços em que ambos os povos ganhem com essa aproximação, em matéria de desenvolvimento econômico, de desenvolvimento tecnológico, de melhoria das condições de vida do povo brasileiro e argentino."
Os principais trechos da entrevista.

Dinheiro estrangeiro para o 'lixo extraordinário' de Gramacho

Governo Dilma pega a onda do documentário Lixo extraordinário, indicado para o Oscar, e divulga contrato assinado no final do governo Lula. Nada contra, a notícia é ótima, mas o texto é ruim, não informa exatamente o que será feito com o dinheiro, o que significaria traduzir a política do governo para o assunto. Reciclar lixo é uma missão que o capital "responsável" abraça e até transforma em lucro. A essência da questão é que o capitalismo produz lixo incessantemente, faz parte do sistema. E muito mais do que é capaz de reciclar.

Do Blog do Planalto.
Parceria brasileira injeta US$ 2,7 milhões para a inclusão social de catadores
O governo federal, por meio da Caixa Econômica, contratou uma operação no valor de US$ 2,7 milhões – aproximadamente R$ 4,5 milhões – para a inclusão socioeconômica de catadores de materiais recicláveis. Os recursos serão doados pelo Fundo Japonês de Desenvolvimento Social (JSDF/BIRD) ao Banco Mundial, que escolheu a Caixa para implementar o programa. O piloto será o aterro controlado do Jardim Gramacho, em Duque de Caxias (RJ), e deverá ser expandido para mais dois lixões no Brasil. Os recursos serão direcionados para dois projetos selecionados previamente pelo Banco Mundial, voltados para a erradicação de lixões e implantação de aterros sanitários. Os projetos devem estar vinculados a financiamentos da Caixa, no escopo da gestão de Resíduos Sólidos Urbanos e Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). Com a iniciativa, serão implantados aterros sanitários modernos e ambientalmente sustentáveis, além de instalações alternativas para o tratamento do lixo.
A íntegra.

Egito: a revolução dos jovens desempregados

Da Agência Carta Maior.
O Egito a caminho da revolução. O que fazer?
Por Reginaldo Nasser.
As mobilizações populares na Tunísia, Egito, Iêmen e em outros lugares são um alerta para o chamado mundo desenvolvido e seria uma grande avanço para a democracia se esta região que permanece imersa na violência, em fraudes eleitorais e miséria crescente da população recebesse o devido apoio internacional nesse momento. O porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, disse que os EUA poderão revisar a ajuda ao Egito. O presidente Obama solicitou às autoridades egípcias que evitem o uso de qualquer tipo de violência contra manifestantes pacíficos, alertando que "aqueles que protestam nas ruas têm uma responsabilidade de expressar-se pacificamente". Já a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que a "estabilidade do país é muito importante, mas não a qualquer preço". O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, pediu que "os líderes do Egito escutem as preocupações legítimas e os desejos de seus cidadãos". O primeiro ministro britânico David Cameron declarou: "Eu acho que precisamos de reformas. Quero dizer que nós apoiamos o progresso e o reforço da democracia". Como avaliar a atitude desses líderes mundiais? Patética, cínica, hipócrita, irresponsável?
A íntegra.

Os cortes na BBC

A BBC é uma referência num tipo de jornalismo capitalista diferente do modelo americano, mais equilibrado, crítico e com espaço para a esquerda. Importante para o Brasil, que começou a criar sua televisão pública. O encolhimento da BBC representa prejuízo para a informação.

Do Opera Mundi.
Reino Unido perde instrumento de influência com cortes na BBC, diz especialista
Confrontada com a necessidade de fazer cortes drásticos em seu orçamento, o governo britânico reduziu em 20% os custos da BBC (British Broadcasting Corporation). A emissora, por sua vez, anunciou o fechamento de parte de seu serviço mundial, assim como a extinção de 200 sites do serviço online. As demissões, ao longo dos próximos três anos, podem chegar a 650, de um total de 2.400 funcionários no Serviço Mundial da BBC. Os cortes ilustram a gravidade da crise econômica no Reino Unido. Refletem também a tentação, sempre presente no último século de reduzir a presença midiática da emissora fora do país, conforme afirmou ao Opera Mundi Laurindo Leal Filho, professor do Departamento de Jornalismo da Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo). Autor dos livros BBC, a Melhor TV do Mundo e Vozes de Londres, dedicados ao serviço brasileiro da emissora, Leal Filho explicou que, para Londres, levar para o mundo os valores e a cultura britânica não é mais uma prioridade.
A íntegra.

Um mês do governo Dilma

Algumas observações sobre o primeiro mês do governo Dilma. 1) Ações e discurso coerentes nos desastres causados pelas chuvas no Rio. 2) Retrocesso em relação à liberdade de conhecimento no Ministério da Cultura. 3) Retrocesso nas patentes de medicamentos, que passaram ao controle exclusivo da indústria, sem ingerência da Anvisa. 4) Minas Gerais nunca foi tão pouco representado no governo federal quanto na presidência da belo-horizontina Dilma: apenas um ministro. Por quê? Porque os quadros mineiros do PT e do PMDB são muito fracos? É verdade, se a gente pensa em Newton Cardoso e em Reginaldo Lopes. Isto significa que os melhores quadros mineiros são tucanos? É uma coisa a se pensar. Ou será por que Dilma, que deu 10 ministérios a paulistas, centra fogo em SP e deixa Minas ao aecismo, de bom convívio? Ou será simples descaso com o estado que lhe garantiu a vitória eleitoral? Menosprezar Minas é um erro capital na história brasileira. Uma impressão geral: Dilma não é Lula, não brilha como ele, a Era Lula passou, linhas políticas gerais vão continuar, mas o governo não é o mesmo. (Nesse sentido, é uma experiência que não tínhamos desde a ditadura: a continuidade com mudança de estilo. Naquela época, podia-se comparar Geisel com Médici, Figueiredo com Geisel, dizer que era tudo igual, dizer que havia diferenças importantes. Obviamente, por mais que um governo continue o anterior que o apoiou, o comando e o momento são diferentes.) Não seria fácil mesmo suceder Lula, que se transformou num fenômeno político. Dilma precisa agir para mostrar quem é. Há muito pra se pensar sobre a nova fase política que estamos vivendo, que Lula inaugurou, mas que se transforma com o governo Dilma. O que mais me incomoda é a educação. Não consigo imaginar este país melhorando de fato sem educação pública de qualidade em tempo integral. O que eu gostaria de ver é a sociedade se movendo por conta própria, os trabalhadores se impondo neste governo que tenta ser de todos, mas no qual prevalecem os interesses do capital.

sábado, 29 de janeiro de 2011

Tragédia da Gameleira: 40 anos de um crime impune

No próximo dia 4 de fevereiro completa quatro décadas a Tragédia da Gameleira, o maior desastre de construção civil já ocorrido no Brasil. O desabamento do pavilhão de exposições da Gameleira, onde hoje existe o Expominas, em Belo Horizonte, matou 69 operários. Era um projeto grandioso, de Oscar Niemeyer, calculado pelo grande engenheiro Joaquim Cardozo. O governador de Minas na época era Israel Pinheiro, que chefiou a construção de Brasília, no governo JK. Seu mandato terminaria em março e ele tinha pressa na inauguração. A construtora era a Sergen – Serviços Gerais de Engenharia S/A. As escoras das lajes foram retiradas antes da hora, apesar das advertências dos operários, que tinham constatado rachaduras. A construção desabou no horário de almoço. Além dos 69 mortos, mais de cem ficaram feridos, muitos mutilados. Até hoje os familiares das vítimas tentam na justiça receber indenizações. Ocorrida durante a ditadura militar, a tragédia provocou grande comoção, mas ficou por isso mesmo, sem que nenhuma autoridade ou técnico fosse responsabilizado e penalizado. Afinal, só morreram peões. Sobre essa página negra da engenharia nacional, o professor Antônio Libério de Borba, do Cefet-MG, publicou o livro "Lembrar para ter o direito de esquecer". Ele pretende construir um memorial no local do acidente.

Chacina de Unaí: a impunidade dos criminosos ricos

Teoricamente, o Estado está a serviço da coletitividade. Na prática, é um palco onde se desenrolam conflitos de classes; as classes dominantes tentam impor seus interesses particulares sobre os interesses coletivos – com pressões, influências, corrupção e violência. Os fiscais trabalhavam pela coletividade e contrariaram interesses de fazendeiros poderosos. Seu trabalho foi interrompido a bala. A violência é uma forma de intimidação dos servidores públicos, a morosidade da justiça e a impunidade são demonstrações de que o Estado é controlado pelos empresários. O sistema judicial é cúmplice do crime. A Assembleia Legislativa concedeu medalha de honra ao mérito ao fazendeiro acusado de mandante do crime. Só a pressão dos trabalhadores é capaz de mudar isso, só a reação da sociedade pode fazer prevalecer os interesses da maioria sobre os interesses da minoria. Aqui, uma cobertura ampla da chacina.

Do Portal Minas Livre.
Manifestantes exigem justiça na Chacina de Unaí
Por Rogério Hilário
Rodeados por cinco mil balões brancos, com faixas de protesto contra a impunidade e segurando estandartes com fotos dos quatro auditores fiscais e do motorista assassinados há sete anos em Unaí, no Noroeste do estado, familiares das vítimas, auditores fiscais, sindicalistas e autoridades fizeram uma manifestação, na manhã desta sexta-feira (28/1), em frente ao Tribunal Regional de Justiça, no Bairro Santo Agostinho, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. Eles exigiram que os nove acusados do crime sejam julgados ainda este ano. Nesta sexta-feira, a chacina completou sete anos. Os quatro acusados de encomendar o crime continuam em liberdade e apenas os cinco executores estão presos. Ao final do ato, os balões brancos, simbolizando a esperança na punição dos culpados, foram soltos. A manifestação, apoiada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), a CTB e a NCST, foi organizada pelo Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais do Trabalho (Sinait) e pela Associação dos Auditores do Trabalho de Minas Gerais (Aatit-MG). Os sindicalistas querem também pressionar pela realização do júri popular em Belo Horizonte e não em Patos de Minas, cidade próxima a Unaí, onde a família Mânica poderia usar de seu poder para influenciar os jurados.
Carlos Calazans, delegado da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), na época dos assassinatos, pediu perdão às famílias das vítimas pelos sete anos sem punição para os acusados do crime. "Fizemos tudo o que era possível, mas não conseguimos levar os culpados a julgamento. Por esta porta (se referindo ao Tribunal Regional de Justiça) passaram todos os acusados. Lembro bem que o Antério Mânica ligou para a SRTE para saber como estava o motorista, antes mesmo de termos notícia da chacina. Cheguei a Unaí na tarde do dia 28, juntamente com o então ministro da Justiça Jacques Wagner. Pior de tudo é que a Assembleia Legislativa deu medalha de honra ao mérito ao Antério Mânica, pelos serviços prestados. Eu devolvi a medalha que recebi em protesto", recordou Calazans.
A íntegra.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

O povo perdeu o medo

A internet e a juventude têm papel fundamental nas revoluções em curso no mundo árabe.

Da Agência Carta Maior.
A Revolução dos Jasmins contra as autocracias
Por Eduardo Febbro, do Página12
A chamada Revolução dos Jasmins que iniciou na Tunísia há algumas semanas se estendeu como um rastilho de pólvora para vários países árabes, e não os menores. O Iêmen e, sobretudo, o Egito, vivem hoje revoltas que têm características revolucionárias. Trata-se de um fenômeno tanto mais único na medida em que o discurso ocidental sempre tratou os países árabes como incapazes de assumir coletivamente um destino democrático. Tunísia, Argélia, Mauritânia, Iêmen e Egito não só desmentem esses argumentos como também abalam desde a raiz as ditaduras que governam esses países há décadas com mão de ferro e privilégios exorbitantes.
Alguns analistas asseguram hoje que já não se trata de saber que regime cairá primeiro, mas sim qual se salvará dessa onda de aspirações democráticas cujos protagonistas são as classes médias, os setores menos favorecidos e os jovens, que se organizam por meio da internet e das redes sociais. O mais moderno do mundo irrompe como instrumento de comunicação e protesto contra poderes dinossáuricos. Os protestos revelam também a ruptura sem remédio entre autocracias longevas, respaldadas historicamente pelo Ocidente, e a legitimidade popular. O sociólogo e filósofo Sami Naïr, professor de Ciências Políticas na Universidade Paris VIII, presidente do Instituto Magreb-Europa da mesma Universidade, analisa em entrevista ao jornal Página 12 a originalidade e as causas desta revolução árabe. Autor de ensaios e análises sobre política internacional, Naïr aponta como primeiro fator alimentador da revolta o fato central de que o medo mudou de campo. É o poder que enfrenta agora um povo que perdeu o medo.
A íntegra.

O desenvolvimento insustentável

A crise ambiental é a última crise do capitalismo. Quando o planeta for incapaz de continuar gerando riquezas, como o capital sobreviverá?

Da Agência Carta Maior.
Terra Futura é uma importante iniciativa da sociedade civil italiana dedicada a debater questões globais. Todos os anos, mais de 70 mil pessoas visitam suas exposições e participam de seus debates. Este ano, o encontro que será realizado em Florença no mês de maio, terá como tema central os bens comuns. Apresentamos a seguir o documento conceitual do encontro que ainda está recebendo sugestões e sendo debatido.
O cuidado com os bens comuns
Finalmente, hoje, após anos em que só uns poucos iluminados pioneiros se atreviam a falar, começa a se construir o vasto e concreto projeto de reconversão econômica, ecológica e social do modelo de desenvolvimento e de redistribuição das riquezas entre as possíveis e necessárias soluções. Mas esse rio só conseguirá chegar ao mar se reunirmos todos os afluentes, todos os riachos em um grande estuário. É um compromisso importante e complexo porque não é suficiente somar fluxos. É preciso também equilibrar os muitos e diferentes projetos para ter um olhar global e, ao mesmo tempo, cuidar cada um de seus cursos d’água. É um grande trabalho que só poderá ser realizado unindo competências, experiências e sensibilidades diferentes (como ocorre há 8 anos entre os sócios de Terra Futura) e tornando as próprias comunidades protagonistas dessa mudança: só esse sujeitos têm as ferramentas e o interesse (e, portanto, a responsabilidade) para unir a multiplicidade de arroios e dar assim um novo nome ao mar do desenvolvimento, convertendo-o no mar da igualdade, da sustentabilidade e da justiça.
A íntegra.

Lula: nem revolucionário nem traidor da sua classe

Na análise que trata do ex-presidente Lula, este artigo fica bem perto do que eu penso.

Da Agência Carta Maior.
Lula, o filho da dialética
J. Carlos de Assis
Terminadas 40 dias de greves, fui a São Bernardo para conhecer pessoalmente Lula. Estive com ele um dia inteiro. Entre os relatos que me fez, lembro-me de um sobre uma fábrica de uns 400 empregados que haviam parado e o chamado para negociar o aumento. Queriam 20%. Lula negociou, e obteve o acordo. Duas semanas depois, os operários entraram em greve de novo. Queriam mais 20%. O dono da fábrica desesperou-se. Não podia dar. Lula foi à fábrica e convenceu os empregados, em assembléia, a desistir do pedido. Esse fato singelo antecipa o que Lula foi na Presidência da República: um hábil negociador e conciliador. Ele não é e nunca foi um revolucionário que quer fazer a História dar saltos, mas um visionário que quer empurrá-la aos pouco. É a personificação da síntese entre contrários na visão dialética: é a negação da negação, a continuação da política por meio da política. Não o confundam, porém, com o estereótipo do político mineiro tradicional: o político mineiro é um protótipo do príncipe de Lampeduza, que quer mudar para que as coisas continuem como estão. Lula quer efetivamente mudar, e, no seu jeito de fazer composição, arranca compromissos aos poucos, sem ruptura.
A íntegra.

Senador do DEM trabalha para o governo americano

Do blog CartaCapital Wikileaks.
Heráclito Fortes, o informante da embaixada

Leilão das torres gêmeas fracassa

A política habitacional da prefeitura de Lacerda e do governo Anastasia não contempla as 152 famílias que há anos invadiram os prédios abandonados e foram despejadas pela polícia em setembro. A área é considerada muito boa (em frente ao novo shopping Boulevard) para ter moradores pobres, que têm projeto de reforma e recursos do governo federal, vetados pelo prefeito.

Do Hoje em dia.
Sem interessados, leilão das torres gêmeas é adiado
Iracema Amaral, repórter
27/1/2011 - 16:24
Nenhuma comprador se habilitou a arrematar ontem um dos dois prédios das Torres Gêmeas, no Bairro Santa Tereza, na Zona Leste. O edifício de 17 andares e 76 apartamentos foi a leilão com um lance mínimo de R$ 3.031,642,00, no hall do prédio do Forum Lafayette, no Barro Preto, na região Centro-Sul. No próximo dia 10, o imóvel voltará a ser ofertado, no mesmo local, com este mesmo valor inicial. O leilão frustrado faz parte de uma história que se arrasta há 15 anos, desde a falência da Construtora Jet, em 1996, que construía os dois prédios, cada um com 17 andares e 76 apartamentos. Ontem, o prédio do Fórum Lafayette foi sede também de manifestantes que protestavam contra a decisão da Justiça de levar o prédio a leilão. Na porta do fórum, se concentravam em torno de 50 moradores que invadiram o prédio há 15 anos. Eles foram retirados do local, em setembro do ano passado, pelo Corpo de Bombeiros, após um incêndio em um dos apartamentos. Não houve feridos. Dentro do Fórum, cerca de dez proprietários das 152 unidades vendidas pela construtora acompanhavam, contrariados, o leiloeiro Dilson Marcos Moreira ofertar o imóvel.
A íntegra.

A obra de arte mais significativa do século XXI

Vik Muniz é mesmo um artista extraordinário. Não é só galeria de arte que ele lota, lota também salas de cinema. A sessão popular de ontem do Belas Artes estava com a sala cheia. Em 2007, o paulista Vik Muniz, um dos mais bem pagos, celebrados e populares artistas plásticos contemporâneos, decidiu realizar um trabalho que revertesse em ganho e transformação na vida de pessoas excluídas pelo sistema. Escolheu como local o lixão do Rio de Janeiro. Saiu de Nova York, onde vive, e foi pro Rio, entrou no lixão, conviveu com os catadores, escolheu suas personagens, criou suas obras, feita com material reciclável e que os próprios trabalhadores executaram. Depois levou um quadro para ser leiloado em Londres e o dinheiro foi destinado à Associação dos Catadores. Voltou ao Rio e reencontrou aquelas pessoas, depois da experiência, que levou dois anos. E filmou tudo isso, que foi transformado no documentário Lixo extraordinário, selecionado para concorrer ao Oscar 2011. O filme é ótimo, a experiência vivida pelos catadores lhes foi benéfica, e a arte moderna de Vik ganha significado. Vik Muniz se torna um grande artista quando entra no lixão para criar. O documentário é uma aula de arte, que por sua vez tem sentido por nos revelar nossa realidade. Quando vemos o lixão, nossa tendência é fechar os olhos e considerar aqueles indivíduos lixo também. No entanto, são seres humanos como quaisquer outros, trabalhando para sobreviver. As personagens escolhidas por Vik Muniz, mergulhadas no lixão, são seres humanos de primeira. Nós, que produzimos lixo e nos livramos dele, sem considerar para onde vai e o que acontece com ele, é que não valemos muito. Não é assim à toa. A sociedade de consumo foi programada pelo capital para movimentar a economia e gerar lucro. Consumimos muito mais do que precisamos, e consumimos lixo (comida ruim, plásticos, descartáveis de todos os tipos), por isso somos obesos e sofremos as doenças da obesidade. Essa produção vertiginosa de lixo é embelezada pela ideia de que o novo é melhor, o que justifica a pouca durabilidade dos produtos e nossa ânsia de consumo, a principal fonte de "felicidade" no mundo contemporâneo. É óbvio que não pode ser assim durante muito tempo, porque os recursos naturais são finitos, mas as gerações contemporâneas se esbaldam, transformando o mundo inteiro num lixão, no qual viverão nossos descendentes. Não pode haver obra de arte mais significativa em 2011 do que a criada a partir do lixo.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Patrus é aliado de Lacerda?

Notícia mais que esquisita. Se Patrus vai ser conselheiro de Lacerda, poderia começar aconselhando o prefeito a voltar a administrar Belo Horizonte como o PT administrou. Se Patrus se tornou aliado político de Lacerda, a situação ficou pior do que estava. Se Patrus não vai ser candidato em 2012 e está de olho é numa vaga no STF, a esperança de ver a administração da capital voltar a um bom caminho ficou menor. Em 2008, o então prefeito Fernando Pimentel rachou o PT ao articular a candidatura Lacerda, agora o grupo de Pimentel tem candidato à eleição de 2012, mas Patrus, cujos simpatizantes foram expulsos da prefeitura, se torna aliado do pior prefeito que BH teve nas últimas décadas. Dá pra engolir isso?

Do Estado de Minas.
Patrus vira conselheiro da PBH
Ana Carolina Utsch
25/1/2011
O ex-ministro de Desenvolvimento Social e Combate à Fome e ex-prefeito de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT) aceitou convite do prefeito Márcio Lacerda (PSB) para integrar um Conselho Administrativo que será criado para dar apoio às decisões do Executivo em assuntos estratégicos. "Será muito honroso poder voltar a contribuir com a minha cidade", avaliou Patrus. Apesar de a conversa entre petista e socialista indicar a possibilidade de uma articulação política, o ex-prefeito negou qualquer pretensão de disputar as eleições em 2012 e garantiu que está afastado do processo político municipal, estadual e federal. "Meu nome não está disponível para cargos políticos", reforçou. O prefeito negou qualquer divergência com o PT ou com o PSDB. "Logo que tomei posse, procurei o ministro Patrus para discutir projetos para Belo Horizonte. É assim que temos caminhado, sem divergências", garantiu. O ex-ministro disse que a indicação para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) é uma possibilidade que o interessa. "A minha história de vida e profissional me desperta a vontade de servir à Justiça. No momento, o que eu quero é refletir e continuar meus estudos."
A íntegra.

Sábado, na Praça da Estação:

Do blog Praça Livre BH.
Em obras – Coletivo de dança em paisagens urbanas.
Sábado, 29 de janeiro, 10h, na Praça da Estação.
Evento é aberto à participação de pessoas que estejam interessadas em dançar e intervir na paisagem urbana.

As contradições do decreto que privatiza o uso da Praça da Estação

O blog Praça Livre BH destrinça as contradições do decreto do prefeito Lacerda que proibiu o uso popular da Praça da Estação.

Para quem ainda não entendeu a Lei de limitação de uso da Praça da Estação
Por Luther Blissett
Aqui é possível ler na integra a Portaria Sarmu-S Nº 02/2010 publicada no DOM. A parte que segue, grifos nossos, demonstra onde a PBH se confunde.
Art.3º – Compete ao interessado na realização dos eventos previstos no art. 2º desta Portaria a apresentação de projeto, informando a finalidade do evento, o público estimado, a duração, inclusive o prazo destinado à montagem, à desmontagem e à limpeza. §1º – O projeto deverá conter, sem embargo de outras exigências previstas no Decreto Municipal nº 13.792/09, ainda: I – planta de localização de todos os equipamentos a serem utilizados; II – planta de localização dos banheiros químicos a serem utilizados, observada a proporção mínima de 1 (um) banheiro químico para cada 100 pessoas, não podendo ser instalados sobre o piso da Praça; (1) III – planta de cercamento por tapume ou outro material, a critério da Administração Pública, dos jardins, árvores e monumentos da Praça da Estação e da Praça Rui Barbosa, observada a altura mínima de 1.80 m (um metro e oitenta centímetros); IV – planta de...
A íntegra.

Olha aí, fumante: seu cigarro pode estar sendo feito por escravos. Crianças

E provavelmente contém agrotóxico.

Do Repórter Brasil.
Crianças e adultos colhem fumo em condições de escravidão
Entre os 23 libertados que colhiam fumo em fazendas de Rio Negrinho (SC), 11 tinham menos de 16 anos de idade. Vítimas enfrentavam precariedade e jornada exaustiva, além de sérios riscos de contaminação por agrotóxicos.
A íntegra.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Julian Assange: 'Manipulação das informações pela mídia é mais perigosa'

Do blog Carta Capital Wikileaks.
Brasileiros entrevistam Julian Assange
Entrevista organizada por Natália Viana.
“Não somos uma organização exclusivamente da esquerda. Somos uma organização exclusivamente pela verdade e pela justiça”. Essa é apenas uma das muitas afirmações feitas pelo fundador e publisher do Wikileaks, Julian Assange, em entrevista a internautas brasileiros. A entrevista será publicada por diversos blogs, entre eles: Blog do Nassif, Viomundo, Nota de Rodapé, Maria Frô, Trezentos, Fazendo Média, FAlha de S Paulo, O Escrevinhador, Blog do Guaciara, Observatório do Direito à Comunicação, Blog da Dilma, Futepoca, Elaine Tavares, Blog do Mello, Altamiro Borges, Doutor Sujeira, Blog da Cidadania, Óleo do Diabo, Escreva Lola Escreva. Julian, que enfrenta um processo na Suécia por crimes sexuais e atualmente vive sob monitoramento em uma mansão em Norfolk, na Inglaterra, concedeu a entrevista para internautas que enviaram perguntas a este blog. Eu selecionei doze perguntas dentre as cerca de 350 que recebi – e não foi fácil. Acabei privilegiando perguntas muito repetidas, perguntas originais e aquelas que não querem calar. Infelizmente, nem todos foram contemplados. Todas as perguntas serão publicadas depois. No final, os brasileiros não deram mole para o criador do Wikileaks. Julian teve tempo de responder por escrito e aprofundar algumas questões. O resultado é uma entrevista saborosa na qual ele explica por que trabalha com a grande mídia – sem deixar de criticá-la -, diz que gostaria de vir ao Brasil e sentencia: distribuir informação é distribuir poder. Em tempo: se virasse filme de Hollywood, o editor do Wikileaks diz que gostaria de ser interpretado por Will Smith. A seguir, a entrevista.

Vários internautas – O Wikileaks tem trabalhado com veículos da grande mídia – aqui no Brasil, Folha e Globo, vistos por muita gente como tendo uma linha política de direita. Mas além da concentração da comunicação, muitas vezes a grande mídia tem interesses próprios. Não é um contra-senso trabalhar com eles se o objetivo é democratizar a informação? Por que não trabalhar com blogs e mídias alternativas?

Assange – Por conta de restrições de recursos ainda não temos condições de avaliar o trabalho de milhares de indivíduos de uma vez. Em vez disso, trabalhamos com grupos de jornalistas ou de pesquisadores de direitos humanos que têm uma audiência significativa. Muitas vezes isso inclui veículos de mídia estabelecidos; mas também trabalhamos com alguns jornalistas individuais, veículos alternativos e organizações de ativistas, conforme a situação demanda e os recursos permitem. Uma das funções primordiais da imprensa é obrigar os governos a prestar contas sobre o que fazem. No caso do Brasil, que tem um governo de esquerda, nós sentimos que era preciso um jornal de centro-direita para um melhor escrutínio dos governantes. Em outros países, usamos a equação inversa. O ideal seria podermos trabalhar com um veículo governista e um de oposição.

Marcelo Salles – Na sua opinião, o que é mais perigoso para a democracia: a manipulação de informações por governos ou a manipulação de informações por oligopólios de mídia?

Assange – A manipulação das informações pela mídia é mais perigosa, porque quando um governo as manipula em detrimento do público e a mídia é forte, essa manipulação não se segura por muito tempo. Quando a própria mídia se afasta do seu papel crítico, não somente os governos deixam de prestar contas como os interesses ou afiliações perniciosas da mídia e de seus donos permitem abusos por parte dos governos. O exemplo mais claro disso foi a Guerra do Iraque em 2003, alavancada pela grande mídia dos Estados Unidos.
A íntegra.

A desastrosa administração Lacerda, vista por um ator belo-horizontino

"É necessário que o poder municipal se reposicione urgentemente no que diz respeito à sua interlocução com a sociedade civil como um todo, pois, nas mais diversas áreas, acompanhamos relatos de negligência e autoritarismo associados às ações da Prefeitura."

Do blog do Grupo Teatro Invertido.
"Todo artista tem de ir onde o povo está. Se é assim, assim será". Será?
Leonardo Lessa
A população da cidade de Belo Horizonte, berço de “Nos bailes da vida” – canção emblemática sobre o ofício do artista e sua relação com o público – sofre atualmente uma vergonhosa ameaça ao direito constitucional à liberdade de expressão artística e de ir e vir do cidadão. A Praça da Estação, mais importante espaço público da capital mineira, tem sido objeto de uma série de ações autoritárias da Prefeitura, que comprovam o total descaso do poder municipal não só com a vocação cultural e artística da cidade, mas também com o significado simbólico de suas atitudes. A manhã do último dia 11 de dezembro ficará marcada como ponto alto desta crise, mais por um acúmulo de “coincidências”, do que por alguma novidade no tratamento do assunto por parte da Prefeitura. Dezenas de manifestantes-banhistas da “Praia da Estação” preparados para o retorno desse movimento-festa encontraram a praça completamente cercada por tapumes e grades que impediam o acesso ao espaço público. Curiosamente, tal aparato fazia parte dos preparativos para a comemoração do 113º aniversário da cidade, a ser celebrado no dia seguinte em um show homenageando Milton Nascimento e encerrando a programação da Quinta Semana dos Direitos Humanos. Parece mentira, mas não é! Fazendo uso de seus direitos, os manifestantes transpuseram os limites impostos, adentraram o espaço e foram vítimas das mais diversas retaliações, vindas inicialmente dos seguranças particulares do evento, que se somaram à Polícia Militar e à Guarda Municipal. Ofensas e ameaças, acompanhadas pela ostentação gratuita de armas, que só cessaram com a chegada do vereador Arnaldo Godoy, que afastou as grades, abrindo passagem para que a praça fosse ocupada e a Praia da Estação pudesse acontecer.
A íntegra.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Um canção inesquecível dos anos 60


Je t'aime moi non plus. A música de Serge Gainsbourg, com Jane Birkin e o próprio, provocou um furacão mundo afora em 1968 (no Brasil, foi proibida pela ditadura). Coisa dos anos 60. Impensável uma bela música erótica assim hoje em dia. O que ficou? O registro de uma paixão. Gainsburg (1928-1991) tinha então 40 anos, Jane (1946-), 21. Ficaram juntos 12 anos.

A mulher mais bonita do mundo em todos os tempos

Jane Birkin.

Patentes de genéricos voltam ao controle da indústria farmacêutica

Depois dos bons primeiros dias, as notícias do governo Dilma agora são favoráveis ao capital e contrárias à população. O Inpi é subordinado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, comandado por Fernando Pimentel.

Do Estadão.
AGU restringe poder da Anvisa na concessão de patente de medicamento
Lígia Formenti
24 de janeiro de 2011
Parecer final assinado pelo advogado-geral da União, Luís Adams, põe fim a disputa entre Agência Nacional de Vigilância Sanitária e Instituto Nacional de Propriedade (Inpi), beneficiando a indústria farmacêutica. A disputa interna no governo sobre poderes para concessão de patente de medicamento e, por tabela, sobre a política para liberação de genéricos no mercado brasileiro ganhou mais um capítulo este mês, com parecer final da Advocacia-Geral da União (AGU). O documento, assinado pelo advogado-geral da União, Luís Adams, restringe o poder da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) na análise dos pedidos do direito de propriedade intelectual sobre remédios e garante poderes ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi). Integrantes de organizações não governamentais temem que a decisão dificulte a entrada de versões genéricas de medicamentos no mercado brasileiro, o que traria reflexos para consumidores e para o governo, que faz compras públicas para abastecer programas de distribuição gratuita de medicamentos. Por lei, o preço do remédio genérico não deve ultrapassar 65% do que é cobrado pelo produto de marca. A queda de braço entre Inpi e Anvisa começou há dez anos, quando por lei foi determinado que a agência passasse a opinar também nos processos para concessão de patente de remédio. Ao longo desses anos, dos 1.596 pedidos aprovados pelo Inpi, 145 foram reprovados pela Anvisa. Em outros 1.161, a Anvisa concedeu anuência prévia e, com isso, a patente foi liberada. "Temos critérios mais rigorosos, daí a quantia de pedidos concedidos pelo instituto e negados pela agência", afirma o coordenador de Propriedade Intelectual da Anvisa, Luís Wanderlei Lima. "Gostaria apenas de saber qual interesse a AGU em fazer essa alteração. Ela não atende interesses da população, nem mesmo do governo. Ela comunga apenas com o interesse de parte das indústrias farmacêuticas."
A íntegra.

Até Alckmin critica governo Serra

Publicidade é veiculada em tevês, rádios, jornais, revistas... É a história de sempre: governos de direita distribuem dinheiro (publicidade) para veículos de comunicação, que devolvem o favor falando bem dos governantes. Em BH, Márcio Lacerda aumentou oito vezes o orçamento de publicidade da prefeitura para 2011.

Do Estadão.
Alckmin 'herda' R$ 307 mi em contratos de publicidade de Serra
Fabio Leite
24 de janeiro de 2011
O governo Geraldo Alckmin (PSDB) herdou da gestão dos também tucanos José Serra e Alberto Goldman 22 contas de publicidade que somam R$ 307,6 milhões, valor equivalente a seis vezes o orçamento da Secretaria da Pessoa com Deficiência. São contratos assinados pela extinta Secretaria de Comunicação (Secom) – hoje subsecretaria –, por oito empresas, duas fundações e uma autarquia e prorrogados no fim do ano passado. A maior parte dos acordo vigora ao menos até maio. Na primeira semana de governo, Alckmin anunciou o remanejamento de R$ 24 milhões do orçamento de comunicação para o Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee), que a usará para desassorear a calha do Rio Tietê, e a revisão de todos contratos do governo Serra/Goldman. Durante a transição, reservadamente, o atual governador reclamou com interlocutores que, do seu ponto de vista, Serra havia exagerado no gasto com publicidade. Só a Lua Branca Propaganda, agência de Luiz Gonzalez, marqueteiro das campanhas de Alckmin ao governo e de Serra à Presidência em 2010, mantém três contas semestrais no valor total de R$ 87,6 milhões. Duas delas (de R$ 34,6 milhões e R$ 17 milhões) são com a Secom para as campanhas da Nota Fiscal Paulista, Lei Antifumo e do mínimo paulista, entre outras, e uma com a Dersa (R$ 36 milhões), estatal responsável pelo trecho sul do Rodoanel e pela ampliação da Marginal do Tietê.
A íntegra.

Folha de coca não faz mal e faz bem

Todo mundo sabe disso, mas interesses do governo dos EUA e do tráfico internacional são mais fortes. Como diz a matéria, o uso da folha de coca é milenar e cultural, quem transformou a planta em droga (= negócio lucrativo) foi o capitalismo.

Da Agência Estado.
Bolívia diz que OMS oculta informação sobre coca
23 de janeiro de 2011
O chanceler da Bolívia acusou a Organização Mundial de Saúde (OMS) de não difundir os resultados de um estudo sobre os benefícios da coca, o que seria vital para a campanha de seu país a favor do uso para mastigação da planta, uma prática ancestral entre os indígenas andinos. Segundo David Choquehuanca, durante entrevista a um canal de TV governamental, a investigação assegura que o consumo de folhas secas de coca "não afeta a saúde humana e recomenda realizar estudos científicos sobre as qualidades alimentícias e medicinais" da planta, que é matéria-prima para a cocaína. Choquehuanca suspeita que "alguma potência" teve que influenciar para que a OMS não difunda o suposto estudo para a comunidade internacional.
A íntegra.

STF esconde nomes de autoridades investigadas

Rumo à sociedade em que as autoridades estarão acima das leis e não poderão ser incomodadas pela "democracia".

Do portal iG.
STF oculta nomes em 75% dos novos inquéritos
Severino Motta, iG Brasília
24/1/2011
Devido à orientação dada no segundo semestre do ano passado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cesar Peluzo, 75% dos 48 inquéritos que chegaram à Corte desde agosto, quando foram retomados os trabalhos da Justiça, contam somente com as inicias dos nomes das autoridades investigadas. A medida, que vai na contramão da transparência, impede que o cidadão saiba quais as figuras públicas que estão na mira do judiciário. Além de esconder nome de investigados, Corte exige a compra de um certificado digital para a leitura dos processos.
A íntegra.

TST considera legal filmar empregado

Rumo à sociedade em que todos os nossos atos serão filmados, o tempo todo. A questão é muito simples: pergunte-se ao ministro Mauricio Godinho Delgado, relator do processo, se ele concorda que seu expediente no tribunal também seja filmado.

Do saite do TST.
Empresa pode filmar empregado trabalhando
Lourdes Tavares
18/1/2011
Desde que haja conhecimento dos empregados, é regular o uso, pelo empregador, de sistema de monitoramento que exclua banheiros e refeitórios, vigiando somente o local efetivo de trabalho. O Ministério Público do Trabalho da 17ª Região (ES) não conseguiu provar, na Justiça do Trabalho, a existência de dano moral coletivo pela filmagem dos funcionários da Brasilcenter – Comunicações Ltda. nos locais de trabalho. O caso chegou até o Tribunal Superior do Trabalho e, ao ser examinado pela Sexta Turma, o agravo de instrumento do MPT foi rejeitado. Os empregados da Brasilcenter trabalham com telemarketing e não há ilegalidade ou abusividade da empresa em filmá-los trabalhando, pois, segundo o Tribunal Regional do Trabalho da 17ª Região (ES), a vigilância com câmara apenas no local efetivo de trabalho, terminais bancários e portas principais não representa violação à intimidade do empregado. O Tribunal Regional chegou a questionar "o que de tão íntimo se faz durante seis horas, trabalhando na atividade de telemarketing, que não possa ser filmado". No TST, o relator da Sexta Turma, ministro Mauricio Godinho Delgado, ao analisar o agravo de instrumento, confirmou, como concluíra a presidência do TRT, a impossibilidade de verificar, no acórdão do Regional, a divergência jurisprudencial e a afronta literal a preceitos constitucionais alegados pelo MPT. Seguindo o voto do relator, a Sexta Turma negou provimento ao agravo de instrumento.
A íntegra.

E mais repercussão da decisão da ministra da Cultura

O próprio saite do MinC publicou esta notícia.

24 de janeiro de 2011
MinC restringe uso de conteúdo em seu saite
Administradores.com.br, em 22/1/2011
Mudança foi feita na última quarta-feira (19) por decisão do Ministério. Antes vigoravam as licenças Creative Commons, populares na web O Ministério da Cultura (MinC) informou que alterou nesta quarta-feira (19) os critérios de reprodução do conteúdo de seu saite, eliminando as licenças Creative Commons. Agora passa a vigorar uma licença de copyright que, de acordo com o aviso colocado no saite, ainda permite que o conteúdo seja reproduzido, "desde que citada a fonte". O tipo da licença Creative Commons que vinha sendo usada pelo MinC, chamada BY-NC-ND 3.0, também exigia que se citasse a fonte sempre que qualquer conteúdo do saite fosse reproduzido. Também estavam vetados segundo a licença anterior os usos comercial e derivativo (com alterações) do conteúdo copiado ou compartilhado. Apesar de confirmar a mudança, a assessoria do Ministério não comentou os motivos da troca.
A íntegra.

Nota de esclarecimento do MinC sobre a retirada do Creative Commons

A Assessoria, e não a ministra Ana de Hollanda, assina a nota que não esclarece o assunto, uma vez que não reafirma a política de livre reprodução do conhecimento.

22 de janeiro de 2011
Licença de uso
Nota de esclarecimento do Ministério da Cultura
A retirada da referência ao Creative Commons da página principal do Ministério da Cultura se deu porque a legislação brasileira permite a liberação de conteúdo. Não há necessidade do ministério dar destaque a uma iniciativa específica. Isso não impede que o Creative Commons ou outras formas de licenciamento sejam utilizados pelos interessados.
Assessoria de Comunicação.

Mais sobre a ofensiva do Ministério da Cultura contra o livre conhecimento

Da revista Novae.
Ministra da Cultura dá sinais de guerra ao livre conhecimento
Renato Rovai
A ministra da Cultura Ana de Holanda lançou uma ofensiva contra a liberdade do conhecimento. Na quarta-feira pediu a retirada da licença Creative Commons do saite do Ministério da Cultura, que na gestão de Gilberto Gil foi pioneiro em sua adoção no Brasil. O exemplo do MinC foi àquela época fundamental para que outros saites governamentais seguissem a mesma diretriz e também publicassem seus conteúdos sob essa licença, como o da Agência Brasil e o Blog do Planalto. A decisão da ministra é pavorosa porque, entre outras coisas, rasga um compromisso de campanha da candidata Dilma Roussef. Além desse ato simbólico, que demonstra falta de compromisso com o livre conhecimento, a ministra pediu o retorno ao Ministério da Cultura do Projeto de Lei de Revisão dos Direitos Autorais, que depois de passar por um debate de sete anos e uma consulta pública democrática no governo Lula, estava na Casa Civil para apreciação final e encaminhamento ao Congresso Nacional. O que se comenta é que a intenção da ministra é revisar o projeto a partir das observações do Ecad, um órgão cartorial e que cumpre um papel danoso para a difusão da cultura no Brasil. Para quem não conhece, o Ecad é aquele órgão que entre outras coisas contrata gente para fiscalizar bares e impedir, por exemplo, que um músico toque a música do outro. É uma excrescência da nossa sociedade cartorial. Este blog também apurou que Ana de Holanda pretende nomear para a Diretoria de Direitos Intelectuais da Secretaria de Políticas Culturais o advogado Hildebrando Pontes, que mantém um escritório de Propriedade Intelectual em Belo Horizonte e que é aliado das entidades arrecadadoras. Como símbolo de todo esse movimento foi publicado ontem no saite do Ministério da Cultura, na página de Direitos Autorais, um texto intitulado "Direitos Autorais e Direitos Intelectuais", que esclarece a "nova visão" do ministério sobre o tema. Essa ofensiva de Ana de Holanda tem várias inconsistências e enseja algumas perguntas. A principal: o governo como um todo está a par desse movimento e concorda com ele? Não há como definir de outra forma essa mudança de rota: é traição com o movimento pela democratização da cultura e da comunicação.
A íntegra.

Ministra Ana de Hollanda afronta política de compartilhamento na internet

Da revista Fórum.
Ato de Ana de Hollanda sobre Creative Commons causa perplexidade e indignação
Por Eduardo Maretti
A ministra da Cultura, Ana de Hollanda, começou sua gestão dissipando as boas expectativas sobre ela (como as minhas) e, ao que parece, metendo os pés pelas mãos. Sua decisão de retirar do saite do Ministério da Cultura as licenças Creative Commons causou perplexidade entre os defensores e ativistas de políticas compartilhamento de obras (textos, músicas etc). Em entrevista a este blog o sociólogo Sérgio Amadeu, conhecido ativista da inclusão digital e software livre, e que implantou os Telecentros Comunitários em São Paulo durante a gestão Marta Suplicy, diz que a medida de Ana de Hollanda "afronta a política de compartilhamento iniciada no governo Lula".
A íntegra.

O desprezo da prefeitura de Belo Horizonte e do governo de Minas pela habitação popular

Administração Lacerda e administração Anastasia são cada vez mais parecidas. Afinal, trata-se do mesmo grupo no poder, com a mesma lógica e a mesma política. A propósito da excelente reportagem abaixo, assim funciona o capitalismo, assim funciona o Estado a serviço do capital:
1) Construtora falida não significa que seus proprietários faliram, em geral significa que administraram mal e seu negócio foi à bancarrota, mas o prejuízo fica com os compradores e com o Estado, que bancaram o empreendimento, os donos salvam seu patrimônio e seus lucros em contas fora do país;
2) A expulsão dos moradores das Torres Gêmeas segue a mesma lógica do fechamento do Parque Municipal "por tempo indeterminado, para vistoria": os interesses da população não são levados em conta, porque a prefeitura e o estado não servem a interesses coletivos e populares, mas a interesses particulares do capital, no caso os da indústria da construção imobiliária – Lacerda e Anastasia consideram que "ali não é lugar para pobre", como diz a urbanista Margarete Leta, professora da UFMG, que participou do projeto técnico para ocupação dos edifícios por famílias sem teto;
3) O prefeito Lacerda não recebe movimentos populares e seus secretários não atendem a reportagem porque a população e a imprensa popular não fazem parte dos interesses que a administração municipal serve, mas atendem a imprensa capitalista, que os representa: Globo e "grandes" jornais; com estes fazem parcerias, como o réveillon 2011, eventos "culturais" e esportivos, a estes destinam polpudas verbas publicitárias (em 2011, o orçamento de publicidade da prefeitura foi multiplicado por oito!), que os mantêm; em contrapartida, essa imprensa (que também não defende interesses populares, mas interesses do capital) não fala mal do governo e ainda enche o prefeito de elogios, preparando terreno para sua reeleição e assegurando a continuidade do atendimento desses mesmos interesses; (Lacerda recebeu Rolnik porque ela trabalha para a ONU e os serviçais provincianos do capital se curvam tradicionalmente às instituições estrangeiras.)
4) A administração neoliberal trata as cidades como negócio e a prefeitura como empresa. Não à toa Lacerda faz uma reforma administrativa que corta despesas e reduz salários em áreas consideradas improdutivas, como cultura – para o atual prefeito, cultura é "parada Disney", é copa do mundo, é réveillon 2011, enfim, "evento" rentável, que se paga com patrocínio de grandes empresas. Belo Horizonte precisa se tornar uma cidade atraente para o turista e para as grandes empresas, isto é, para "investidores", a prefeitura não precisa atender cuidar de uma cidade melhor para os moradores (por isso pode fechar a principal área de lazer popular por tempo indeterminado e vedar espaços publicos para manifestações populares não lucrativas – a Praça da Estação está reservada aos "grandes eventos" patrocinados e ao museu particular da empresária Ângela Gutierrez, que atrai turistas e não pode ser prejudicado pela presença de pobres).

Da revista Fórum.
As ameaças ao direito à moradia em BH
A história de dois despejos arbitrários em Belo Horizonte mostra a força das pressões imobiliárias nas grandes cidades e o desprezo do poder público pela habitação popular.
Por Douglas Resende e Felipe Magalhães
No começo da noite de 20 de setembro de 2010, o Corpo de Bombeiros foi acionado para cuidar de um incêndio em um dos prédios das chamadas Torres Gêmeas, no Bairro Santa Tereza, região leste de Belo Horizonte. Os dois prédios começaram a ser ocupados, espontânea e paulatinamente, em 1995, depois que a construtora LPC faliu e abandonou as obras já no final. Até a noite do incêndio viviam 164 famílias nos dois edifícios, principalmente pessoas que estavam em situação de rua e outras vítimas do déficit habitacional da capital mineira. Embora o fogo não tivesse se alastrado para além do 7º andar do número 100 das Torres Gêmeas, os bombeiros, por uma questão de segurança, evacuaram todos os 17 andares do prédio. E, logo em seguida, veio o golpe contra os moradores – a tropa de choque da Polícia Militar cercou o edifício com a ordem de não permitir que voltassem a seus apartamentos. Mais de três meses depois, o lugar continua cercado, com policiais fortemente armados, 24 horas por dia. O caso desse despejo arbitrário expõe o modo como a prefeitura municipal de Belo Horizonte tem lidado com a histórica questão, comum nas grandes cidades brasileiras, da fragilidade das políticas públicas para a habitação de interesse social e do planejamento urbano de modo geral. E alertou os movimentos sociais e os sujeitos diretamente atingidos pelo problema para a iminência de outras ações de remoção na cidade. Nove dias depois, articulados pelas Brigadas Populares (organização que atua, entre outras frentes, na luta pelo direito à cidade, moradores de mais três ocupações fizeram um acampamento na porta da prefeitura, numa forma pacífica de chamar a atenção das autoridades e da população para o risco de perderem suas moradias. A preocupação é que uma remoção em massa iria causar um grande trauma social na cidade, dada a dimensão que essas ocupações ameaçadas abrangem, envolvendo cerca de 20 mil pessoas. Nenhuma das duas secretarias municipais procuradas para se posicionar em relação ao tema – a secretaria de Habitação e a de Governo – respondeu à solicitação da reportagem. O silêncio, neste caso, significa também omissão. A urbanista Raquel Rolnik, professora da USP e relatora especial da ONU para o direito à moradia, visitou as Torres Gêmeas e a Ocupação Dandara, em outubro, e testemunhou a postura negligente da prefeitura. Ela foi uma das poucas pessoas que o prefeito Márcio Lacerda aceitou receber para tratar do assunto.
A íntegra.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Globo vai pagar R$ 300 milhões menos por transmissão de jogos e clubes topam

Do blog Palavras diversas.
Monopólio do brasileirão: parece só futebol, mas é o controle da audiência em jogo 
Este ano será feita a negociação para a venda dos direitos televisivos do campeonato brasileiro de 2012 a 2014 para a TV. A Globo sempre teve exclusividade sobre o maior e mais valioso produto da TV aberta brasileira. Estima-se que o contrato atual seja, aproximadamente, de R$ 500 milhões por ano. A Globo tem os direitos sobre as transmissões dos jogos, em TV aberta, mais Sportv e PFC. A Band é "sócia" minoritária do empreendimento e transmite os jogos no horário que a Globo determina. Este ano, com a mudança das "regras" pelo Cade, a Record se assanhou pela disputa e estaria disposta a pagar cerca de R$1 bilhão por ano de contrato. A Globo estremeceu e já avisou que não fará "leilão" pelas transmissões do futebol e que, segundo seus estudos, o reajuste justo do contrato seria de cerca de 40% sobre os valores vigentes, ou cerca de R$700 milhões ano. O que soa estranho nisso tudo é que a Globo diz que seu teto é R$700 milhões e parte do Clube dos 13 já parece aceitar tal proposta, sem disputa, mesmo sabendo que a Record pode pagar até R$1 bilhão de reais... Parece piada (de mau gosto), mas agora aceitariam ganhar menos, quando podem ganhar mais...
A íntegra.

Lacerda vai gastar 8 vezes mais com propaganda em 2011

Lacerda repete o que aprendeu com Aécio. Em Minas é assim, prefeito e governador usam dinheiro público em propaganda, para se promoverem e se reelegerem. Hoje em Dia faz jornalismo. Logo logo vai ter problema com o governo estadual e com a prefeitura, como aconteceu no ano passado.

Do jornal Hoje em Dia.
Governo de Minas prioriza publicidade e deixa de lado prevenção
Enquanto o setor tem recursos garantidos no orçamento, não há previsão de dinheiro para calamidades públicas
Amália Goulart, repórter
21/1/2011
O governo do estado, bem como municípios mineiros, têm gastos assegurados para a publicidade, mas não fazem reserva financeira para a prevenção e o socorro às vítimas, em caso de calamidades públicas. No ano passado, do orçamento total do estado, que foi de R$ 41 bilhões, R$ 57,4 milhões ficaram com publicidade e propaganda, valor 20% superior ao do ano anterior. Por outro lado, não havia recurso assegurado para os efeitos das chuvas e da seca. De acordo com a Assessoria de Imprensa do governo, o estado não conta com orçamento específico para prevenção de calamidades. Os gastos da Defesa Civil foram de R$ 45,5 milhões, mas são destinados à manutenção da estrutura, pagamento de servidores, treinamento e custeio. A Prefeitura de Belo Horizonte mantém o Fundo Municipal de Calamidades Públicas com apenas R$ 20 mil. Os gastos previstos com publicidade e propaganda do município para 2011 são de R$ 32 milhões, valor oito vezes maior que o do ano passado.
A íntegra.

Guarda Municipal de BH protege patrimônio particular de Ângela Gutierrez




















Praia da Estação. O movimento pela cidadania que merece admiração e gratidão dos belo-horizontinos, uma vez que defende nosso direito de ter acesso aos espaços públicos que a administração Lacerda está privatizando, voltou à Praça da Estação esta tarde. É uma coisa de jovens, generosa e bem-humorada. Trajes de banho, piquenique, música, diversão na cidade que não tem praia. Desta vez as fontes não foram desligadas e serviram para refrescar o sol forte. A Guarda Municipal, que ninguém sabe até hoje para que serve, foi acionada para proteger o patrimônio particular da empresária Ângela Gutierrez, a quem foi doado o prédio histórico da Estação para que montasse seu museu. Lição prática do Estado capitalista: polícia e espaços públicos a serviço do capital. O povo? O povo que se vire. E se criar caso, leva porrete. (Foto Gabriel Caram.)

O desrespeito da administração Lacerda pela população belo-horizontina

A incompetência da administração Márcio Lacerda só é superada pelo desrespeito à população belo-horizontina. O Parque Municipal, principal área de lazer da cidade, continua fechado, por tempo indeterminado. Em janeiro! Nas férias! No fim de semana!

O velho vício do futebol também na tevê pública

Não basta ser TV pública, é preciso reaprender a fazer jornalismo. Transmissão da Copa São Paulo de futebol júnior pela TV Brasil: parece que só tem um time em campo – carioca, naturalmente. Locutor e comentaristas só veem o Flamengo, só falam os nomes dos jogadores do Flamengo, só dizem o que o Flamengo precisa fazer. O outro time, Desportivo Brasil, que mereceria destaque, por curiosidade (que clube é esse? De onde é? Por que seu time júnior é tão bom?), nem parece estar em campo. A TV Brasil está mudando a televisão brasileira, pelo tipo de programa e pela distribuição geográfica da produção, mas no futebol ainda tem muito que aprender. (A propósito, o Desportivo Brasil é um clube empresa, criado em 2005 pela Traffic, a maior organização do futebol empresarial no Brasil.)

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Adeus, Obina

Um dos raros jogadores que deixam saudade na torcida atleticana nos últimos anos.

Do Uol Esporte.
Atacante Obina troca o Atlético-MG pelo futebol da China
O atacante Obina não é mais jogador do Atlético-MG. Em nota oficial nesta sexta-feira, a diretoria atleticana informou que o artilheiro do time mineiro na temporada passada foi negociado para o futebol chinês, mas não informou para qual clube. De acordo com o Atlético, Obina foi negociado pelo grupo de investidores que detém os direitos econômicos do atacante. O clube mineiro "receberá, conforme o contrato, o valor referente à taxa de vitrine", que não foi revelado. Contratado em 20 de janeiro do ano passado, Obina terminou a temporada 2010 como artilheiro do time com 27 gols marcados em 39 jogos. O atacante ficou quatro meses afastado dos gramados por causa de grave lesão ocorrida durante a Copa do Brasil. Recuperado, ajudou o time mineiro a escapar do rebaixamento à segunda divisão do Brasileiro.
A íntegra.

Ouro Preto e as chuvas

Autoridades ouropretanas prestam solidariedade às vítimas do Rio, mas não cuidam elas mesmas da cidade patrimônio mundial ameaçada também.

Do blog Fala Ouro Preto.
Ouro Preto e a tragédia nas serras do Rio: solidariedade e responsabilidade
Desnecessário falar da gravidade do problema da ocupação de encostas por aqui, do número de desabrigados e desalojados que tivemos nos últimos anos, inclusive, com vítimas fatais. No início dos anos 80, o então professor da UFMG Edézio Teixeira de Carvalho elaborou a Carta Geotécnica de Ouro Preto. Os professores da Ufop Frederico Garcia Sobreira, Milene Sabino Lana e Antônio Luiz Pinheiro também fizeram estudos. Esses documentos científicos estão atualizados? A Prefeitura os leva a sério? Quantos governantes locais se preocuparam e se preocupam efetivamente com o planejamento urbano? O que fizeram e o que estão fazendo para tirar as leis do papel? Para onde Ouro Preto vai crescer? Isso está claro na cabeça do povo ou, pelo menos, dos governantes municipais? O que está sendo feito para incentivar que esse crescimento aconteça corretamente, de acordo com as orientações técnicas previstas na legislação pertinente? Como é tratada a rede pluvial da cidade? E o lixo? E o desmatamento? O que a secretaria municipal de Meio Ambiente tem a dizer sobre os caminhões de madeira que até recentemente transitavam por nossas estradas rurais? (Se é que ainda não transitam.) Por que continua-se a permitir e a incentivar ocupações de nossas encostas? (Vide o que acontece a olhos vistos no Bairro Santa Cruz).
A íntegra.

BH terá escritório da Presidência da República

Entrevista do governador depois da primeira reunião com Dilma, que anunciou a criação do escritório da Presidência em Belo Horizonte. Quem estará à frente desse escritório? Segundo o portal iG, Anastasia mente sobre as chuva em Minas: o número de vítimas aumentou 179%.

Doações para os desabrigados da chuva, sábado, na Praia da Estação

Do blog Praça Livre BH.
Alô galera da Praia da Estação!
Por Luther Blissett
Vamos pedir doações para os desabrigados da chuva, a serem entregues amanhã durante a Praia? Queria a energia de vocês para fazer essa chamada. Vou fazer contato com a cruz vermelha e ver a melhor forma de pegar as doações depois que a Praia acabar. Vamos que vamos. Bjo a todos! Luana Gonçalves.

Três agências estrangeiras afinadas com os EUA ditam noticiário dos jornalões

É o que diz um ex-redator da Folha. E é o que rege a lógica do noticiário: quando um repórter tem uma pauta, ele procura autoridades e empresários para serem fontes, o que torna a "grande" imprensa uma espécie de imprensa oficial do capital. O que sai publicado é a palavra (e os interesses) dos ricos, dos maiores e dos mais fortes.

Do Opera Mundi.
Surpresa: a Tunísia era uma ditadura
Quando eu ingressei como redator na editoria de assuntos internacionais da Folha de S.Paulo, um colega veterano me ensinou como se fazia para definir quais, entre as centenas de notícias que recebíamos diariamente, seriam merecedoras de destaque no jornal do dia seguinte. "É só olhar os telegramas das agências e ver o que elas acham mais importante", sentenciou. Pragmático, ele adotava esse método como um meio seguro de evitar que o noticiário da Folha destoasse dos jornais concorrentes, os quais, por sua vez, se comportavam do mesmo modo. Na realidade, portanto, quem pautava a cobertura internacional da imprensa brasileira era um restrito grupo de três agência noticiosas -- Reuters, Associated Press e United Press International, todas afinadíssimas com as prioridades geopolíticas dos Estados Unidos. Passadas mais de duas décadas, a cobertura internacional da mídia brasileira ainda se orienta por diretrizes estrangeiras. A única diferença é que agora as agências enfrentam a competição de outros fornecedores de informação, como a CNN e os serviços de empresas como a BBC e o New York Times, oferecidos pela internet. Mas o conteúdo é o mesmo. O resultado é que as informações internacionais que circulam pelo planeta, reproduzidas com mínimas variações em todos os continentes, são quase sempre aquelas que correspondem aos interesses de Washingon.
A íntegra.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Novo código florestal vai aumentar desastres ambientais

Para servir ao grande capital, deputado "comunista" Aldo Rebelo, autor do projeto, liberou construções em topos de morros e ocupação de margens dos rios. Se atualmente já há grandes catástrofes, com o novo código elas serão ainda piores.

Da Radioagência NP.
Tragédias causadas pelas chuvas podem aumentar se novo Código Florestal for aprovado
As tragédias causadas pelas chuvas que atingem o Brasil podem aumentar se forem aprovadas as propostas de mudanças no Código Florestal. A afirmação é do engenheiro florestal e integrante da Via Campesina, Luiz Zarref. Entre os pontos polêmicos, o texto que propõe mudanças no atual Código, de autoria do deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), deixa de considerar topos de morros como áreas de preservação permanente. Esses locais foram os mais afetados por deslizamentos de terra no Rio de Janeiro. O Projeto já foi aprovado em uma Comissão Especial e está pronto para ser votado pelo Plenário. Para Zarref, a proposta de redução de 30 para 15 metros das áreas de preservação nas margens de rios provocará erosão, ampliando os alagamentos. Sem essa área, rapidamente uma trompa d'água se forma. Isso porque a chuva cai em uma área que está desprotegida, fato que aumenta rapidamente o nível do rio. Essas quantidades anormais de água crescem muito mais rapidamente, de que quanto se tem uma área protegida, como está no Código atual. Ainda segundo Zarref, a tragédia que até o momento já vitimou quase 700 pessoas no Rio é um reflexo da não preservação das áreas com vegetação.
A íntegra.

When we was fab

George Harrison no disco (Cloud nine) de 1987 em que voltou a ser beatle. This is love, When we was fab, Just for today e Got my mind set on you são minhas preferidas, mas o disco todo é fabuloso.

Os lixeiros da madrugada

Realmente Belo Horizonte se tornou uma cidade insuportável. 3h20 da madrugada e o caminhão de lixo passa. O problema não é o recolhimento do lixo, obviamente. O problema é que o caminhão do lixo é muito barulhento: o motor, o movimento da caçamba, o freio (?), e ainda os lixeiros gritando. A barulheira acorda quem está dormindo. Todos os dias. Isso não tem importância? E pensar que a SLU já foi modelo de eficiência e gentileza urbana...

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Brasil vai criar 3 milhões de empregos em 2011

Lembremos: se o país fosse governado pelos demotucanos e estes fizessem o que pediam que fosse feito, teríamos afundado na recessão, que nada mais é do que destruir riquezas, provocar desemprego, fazer o preço da mão de obra cair e concentrar o capital em mãos menos numerosas. As crises capitalistas não são catástrofes, mas parte do sistema e os mais ricos se beneficiem delas. Atentemos: a especificidade desta crise é que EUA e Europa, os centros ricos tradicionais, continuam mergulhados nela, enquanto China voltou a crescer 10% ao ano, o Brasil e Índia também. Está havendo uma mudança no capitalismo mundial, uma mudança de eixos, de concentração de riquezas, o que significa também, de poder.
Detalhes dos números nacionais: o setor de serviços gerou o dobro de empregos gerados pela indústria e o dobro gerado pelo comércio; a construção civil, apesar de toda essa febre de prédios e obras, gera relativamente poucos empregos, pois as obras agora são mecanizadas; e a agricultura, supersupermecanizada, perdeu empregos, ao contrário de todo o resto da economia. Apesar do crescimento da produção, apesar da expansão agrícola. O agronegócio exportador não precisa de mão de obra!

Do Blog do Planalto.
País gera mais de 2,5 milhões de empregos e bate recorde em 2010
Dados do Ministério do Trabalho e Emprego, divulgados nesta terça-feira (18/1), mostram que a geração de empregos no Brasil fechou 2010 com novos 2.524.678 trabalhadores com carteira assinada. Ao longo do governo Lula foram criados 15 milhões de novos postos de trabalho, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho e Emprego (Caged) e da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Os dados foram anunciados pelo ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi, na sede do Ministério, em Brasília, ao prevê que em 2011 serão criados três milhões de empregos. "Em boa parte de 2009 a economia ficou parada. Voltamos a crescer em 2010 com uma retomada muito forte, por isso a comparação com 2009 é favorável. A crise freou a economia e o pós-crise revelou um ritmo muito rápido de recuperação do Brasil. Para confirmar, basta comparar nosso crescimento com Europa e EUA, onde a recuperação da crise foi bem mais lenta. Além disso, o potencial de investimentos em nosso país é muito grande e isso promoveu a geração vigorosa de empregos. O Estado, aliás, tem se mostrado a locomotiva desse crescimento", analisa o ministro. Em 2010, foi registrado crescimento em quatro dos cinco setores da atividade econômica: Serviços, 1.008.595 postos; Comércio: 601.846 postos; Indústria de Transformação, 536.070; Construção Civil, 329.195. A Agricultura foi o único setor a encerrar o ano com saldo negativo: 2.580 postos fechados.
A íntegra.

O supercomputador para prevenir catástrofes

Sim, o Brasil precisa ter cultura de prevenção de tragédias e de políticas de longo prazo. Tupã é o avanço que a ciência possibilita; por outros meios, os indígenas brasileiros também faziam suas previsões e se protegiam de desastres naturais. A ciência não é neutra, é usada pelo homem, que faz escolhas, influenciadas por interesses pessoais e de classe. Os EUA têm a maior riqueza do planeta, a mais desenvolvida ciência – e também os maiores interesses econômicos, que não impedem guerras e catástrofes, ao contrário, as provocam. Tupã ajuda a prever, mas é preciso também tirar as pessoas das áreas de risco, planejar a ocupação urbana, confrontar os interesses imediatistas do lucro, que tornam as cidades rios de ruas, quando chove. O maior dos planejamentos é investir em educação: escolas públicas de qualidade em tempo integral para todos. Quando o Brasil vai fazer isso?

Do Blog do Planalto.
O Brasil precisa ter a cultura da prevenção dos riscos de desastres naturais
A população brasileira precisa ter a cultura da prevenção dos riscos de desastres naturais. E o modelo ideal é aquele desenvolvido no Japão. Lá, todos são capacidados por meio de treinamento a enfrentar as mais diversas situações de catástrofes. A avaliação é do novo secretário de Políticas e Programas de Pesquisas e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Carlos Nobre, em entrevista ao Blog do Planalto. Ele informou que o supercomputador Tupã, que entra em operação este mês, na unidade do INPE [Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais], no município de Cachoeira Paulista (SP), é uma ferramenta importante no sistema nacional de prevenção e alerta de desastres naturais. "O Brasil não é imune aos riscos de novas tragédias. Elas estão ocorrendo agora com mais frequência. Temos que começar com o plano. Não podemos esperar o próximo ano, as próximas chuvas", disse.
A íntegra.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A ganância da construção e a crise capitalista

Olha aí um geógrafo analisando esse absurdo do crescimento das cidades, movido pela ganância da indústria da construção civil. Estupidez sem fim. No caso da Grécia, envolve os Jogos Olímpicos: construções inúteis. Agora é a vez do Brasil. Harvey é um sujeito lúcido; diz: "Devemos pensar no que é que realmente necessitamos para ter uma boa vida. Muitas das coisas que pensamos do consumo são uma loucura, significam desperdiçar recursos naturais e humanos. Temos que pensar como fazemos no longo prazo para que 6,8 bilhões de pessoas possam viver, ter casa, saúde e alimento para que tenham uma vida razoável e feliz".

Da Agência Carta Maior.
'A crise capitalista também é de urbanização'
Enquanto alguns especialistas se esmeram em alegar que crise atual é uma crise das hipotecas subprime ou é o estouro de um capitalismo que se financeirizou demais, David Harvey prefere falar de "crises urbanas", provocadas por uma febre da construção "sem importar o quê". Autor de "Breve história do neoliberalismo", Harvey não só acusa a desregulação do setor financeiro como um dos fatores que levaram ao descalabro atual, mas adverte que a supremacia do capital concentrado sobre as decisões políticas seguirá sendo um impedimento para sair da crise. Em sua passagem por Buenos Aires, o geógrafo britânico conversou com o jornal Página/12 sobre as transformações do mercado imobiliário nas últimas décadas, a orientação que teve o investimento em infraestrutura e a consequente "acumulação por perda de posse". Frente a um modelo que não é sustentável, Harvey propõe pensar "um novo tipo de urbanização". Reproduzimos a seguir a entrevista concedida ao Página/12:
A íntegra.

A Globo sempre deturpa informações

Esse Globo Esporte é muito cara de pau. "O Fluminense não deu sorte, foi eliminado da Copinha. E o América mineiro se aproveitou: América 2, Fluminense 1." Os "jornalistas" do Rio e de São Paulo ignoram o resto do país, times de outros estados nunca ganham, são os cariocas e paulistas que perdem. A notícia certa é: "América mineiro vence o Fluminense e se classifica na Copa São Paulo de Futebol Júnior". Mas o ponto de vista da "grande" imprensa é sempre parcial, é sempre o de São Paulo ou Rio. E é sempre também o ponto de vista dos empresários, dos banqueiros, dos políticos de direita. É por isso (também) que é preciso democratizar a comunicação, que é precisco ampliar o alcance da televisão pública. A Globo monopoliza a comunicação e deturpa informações, da política ao futebol, a favor dos cariocas e paulistas, a favor das indústrias e dos bancos, a favor dos tucanos e dos "democratas".

Rios nas ruas

Cheguei em casa ensopado. Tomei a chuva das cinco. Estava de guarda-chuva, mas não foi suficiente. Tênis encharcado, calça molhada até a coxa; na camisa, as mangas úmidas e todo o resto respingado. A mochila também ficou encharcada e tudo que estava dentro molhou. Dá para proteger a cabeça, mas não os pés e as pernas, as costas. Os carros passam espirrando água no passeio, enxurradas correm nos cantos das ruas, em toda parte a água fica empoçada. Não há como não enfiar o pé na chuva. Cobrimos todo o chão com asfalto, cimento e construções. Transformamos a cidade inteira num grande rio, quando chove. A cidade não suporta a chuva, nenhuma chuva, muito menos chuvas fortes. A cidade não suporta o verão. O capitalismo é uma estupidez colossal. Não há salvação nas grandes cidades, cada vez mais insuportáveis. A rã morre frita na panela por não perceber que a temperatura está subindo, por ser incapaz de reagir. Somos todos rãs. É simples reagir: transporte coletivo em vez de carros, casas em vez de edifícios, cursos d'água abertos em vez de canalizações, terra e áreas verdes em vez de asfaltos – para começar. Tudo isso vai contra os lucros fáceis da indústria, contra a estupidez capitalista. Alguém acredita que vai acontecer?

Dilma faz política de prevenção

Olhando a foto fico pensando em como os ministros da Dilma vão se destacar (Pimentel, por exemplo, ainda não foi notícia). Com Lula não havia isso, porque ele ofuscava a todos, mas Dilma é mais comum e alguns ministros (Mercadante?) vão começar a chamar atenção para si, preparando seu futuro político.


















Do Blog do Planalto.
Brasil terá sistema nacional de prevenção e alerta de desastres naturais
Por determinação da presidenta Dilma Rousseff, o governo federal vai implantar no país um sistema nacional de prevenção e alerta de desastres naturais. A partir da conjugação de dados meteorológicos e geofísicos será possível dar o aviso para que as populações sejam retiradas das áreas de risco. A informação foi transmitida pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, que participou de reunião, na manhã desta segunda-feira (17/1), no Palácio do Planalto. Mercadante disse que um supercomputador à disposição do governo terá condições de promover levantamento da incidência de chuvas numa área de até cinco quilômetros – atualmente os equipamentos disponíveis verificavam num espaço de 20 quilômetros – o que aumentará a taxa de acerto de previsões.
A íntegra.

Um ano de Praia da Estação

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A resistência das ocupações em Belo Horizonte

Do Fórum Permanente de Solidariedade às Ocupações BH.

O petismo, o lacerdismo e o pimentelismo

Pra quem tem dúvida do caráter de classe da "grande" imprensa: enquanto setores sociais diversos protestam contra os males da administração de Belo Horizonte, uma revista quinzenal distribuída gratuitamente nas residências, com farta publicidade de grandes empresas, dá capa ao prefeito Lacerda e proclama que ele é o melhor do Brasil. Melhor pra quem, cara pálida? Para os mesmos que apoiaram a candidatura Serra à Presidência em 2010.

Os interesses se misturam: fazendo o réveillon na Praça da Estação, a prefeitura tentou apagar a imagem de ter proibido o uso público do local com um decreto autoritário; Globo e prefeitura são parceiras no réveillon, realizado na Praça da Estação; Globo é amena no trato da administração municipal; Globo anuncia na revista. A mesma revista dedica páginas e páginas ao prefeito, ao ex-prefeito agora ministro Pimentel, ao governador Anastasia e à presidente Dilma. Todas as matérias enchem os políticos de elogios, exceto a que trata de Dilma, em tom crítico.

Numa seção da revista, o colunista observa que o PT está abandonando a prefeitura, mas ressalta que não é por divergência administrativa (obviamente, o "prefeito é excelente" e o PT não tem do que reclamar), mas por "interesses políticos": teria percebido que Lacerda é candidato à reeleição e que sua composição não inclui o partido, nem com o cargo de vice, como tem atualmente. Assim se constata como o capital está feliz em Minas Gerais, com Aécio, Anastasia, Lacerda e Pimentel – este porque propiciou o quadro atual, no acordo de 2008.

Lembremos que em 1992, quando Patrus Ananias, do PT, foi eleito prefeito de Belo Horizonte, derrotou Aécio Neves, que ficou em terceiro lugar. Dezesseis anos depois, sem precisar disputar votos, a prefeitura foi finalmente entregue a Aécio por Pimentel. Lacerda se converteu no cavalo de troia pelo qual a direita retornou à administração de Belo Horizonte. Candidato desconhecido, milionário que nunca tinha disputado uma eleição, sem qualidades populares como simpatia e carisma, Lacerda foi poupado da árdua tarefa de conquistar os eleitores, uma vez que estava ungido pelo governador Aécio (PSDB) e pelo prefeito Pimentel (PT), pertencentes a partidos adversários – mesmo assim, quase perdeu o pleito para o jovem aventureiro Leonardo Quintão (PMDB).

Primeiro timidamente, pois estava numa posição que só alcançou graças a Pimentel, Lacerda começou a dar à administração a sua cara, muito diferente daquela que na campanha eleitoral se propagandeou, de "continuidade" da administração popular petista. Pôs em prática o conhecido receituário da direita: corte de despesas, redução de pessoal, "eficiência" administrativa, descaso com cultura e outras áreas "inúteis", "parcerias" com grandes empresas privadas e com a "grande" imprensa.

As eleições de 2010 reforçaram o prefeito, com a vitória de Anastasia, a eleição de Aécio para o Senado e o fracasso dos candidatos petistas (Patrus, como vice de Hélio Costa, e Pimentel, para o Senado). No segundo turno, Dilma perdeu em Belo Horizonte, sua cidade natal – por 1%, mas perdeu. Qual o significado disso? Lacerda ficou sempre do lado vencedor: apoiou Anastasia, Dilma e Aécio. Um desastre para o PT mineiro, dividido pela trama de Pimentel em 2008, que entregou a prefeitura, que não lançou candidato a governador e não elegeu o candidato que apoiou, que não elegeu sequer um candidato a senador. Pimentel ganhou da presidente Dilma, como prêmio de consolação, um ministério, que o mantém longe de Minas.

A administração de Belo Horizonte em nada mais se parece com a longa gestão petista. Tudo que sobrou ao PT em Belo Horizonte é o cargo de vice-prefeito. Lacerda afastou, primeiro, os petistas que, divergindo da trama de Pimentel, não o apoiaram. Agora, dois anos depois, na sua reforma administrativa, afasta também os pimentelistas – os que ficarem é porque se converteram em fiéis lacerdistas. Não é à toa que o deputado estadual eleito Rogério Correia diz que o PT está sendo humilhado pelo prefeito. Teoricamente, em 2008, o PT teria feito uma aliança com o PSB, legenda em que se abrigou Lacerda para se candidatar. Foi essa a justificativa do então prefeito Pimentel para abrir mão da candidatura petista: a continuidade, "o melhor para a cidade".

O que aconteceu de fato nesses dois anos foi que, uma vez no poder, Lacerda mostrou quem é – e ele não é nenhum Patrus, nenhum Célio de Castro, nenhum Pimentel, sequer. Ele é Lacerda, um político muito mais próximo de Aécio e Anastasia do que do PT. Será como candidato dos tucanos que Lacerda tentará a reeleição, caso isto aconteça. Ou então apoiará o candidato tucano. O petismo foi afastado da administração municipal, que segue agora outro rumo e pratica outro tipo de política, dedicada ao capital – em 2012 não lhe será oferecido nem mesmo o cargo de vice-prefeito. "Grande" imprensa, grandes empresas e demotucanos perfilam satisfeitos com o prefeito.

Ao PT, só resta uma atitude digna, como diz o deputado Correia: sair da prefeitura por conta própria e, mais do que fazer oposição, reorganizar-se para tentar recuperar o poder para os interesses populares. Tarefa dificíl, que muitos petistas, transformados em acomodados funcionários públicos, não querem enfrentar. Mais que difícil, tarefa penosa, pois começa pelo reconhecimento de que foram os próprios petistas que construíram, de forma oportunista, o cavalo de troia da direita. É, no entanto, a única atitude coerente com os ideais petistas. Quanto ao pimentelismo, ainda é cedo para dizer se permanece petista ou se já se confunde com o lacerdismo e o aecismo.

Expositores da Feira da Afonso Pena também protestam contra a administração Lacerda

Respondendo ao articulista: não, o prefeito Márcio Lacerda não mora em Belo Horizonte, mora em um condomínio em Nova Lima.

Do jornal O Tempo.
O maior evento de BH
Alan Vinicius, coordenador da Associação de Expositores
A hipocrisia dos atuais "dirigentes" da Prefeitura de Belo horizonte, digo o secretário Josué Valadão e o próprio prefeito Marcio Lacerda, chegou ao extremo. Não há um mínimo de coerência por parte desses senhores em relação aos costumes da cidade. Perguntamos: será que realmente moram em Belo Horizonte? (...) Somos 2.336 expositores, atraímos mais de 80 mil pessoas todos os domingos (dias normais da feira; em datas festivas, são mais de 120 mil compradores), sendo cerca de 6 mil pessoas de fora de Belo Horizonte. Abastecemos as milhares de lojas de artesanato espalhadas pelo Brasil e por todo o mundo com as vendas por atacado. Geramos 11 mil empregos diretos e mais de 25 mil indiretos. Somos a maior feira a céu aberto da América Latina. Ademais, a feira está se modernizando e se formalizando – os expositores, além de formarem núcleos de produção familiar, hoje, já buscam abrir empresas, legalizando sua atividade conforme a legislação. Arrecadamos mais de R$ 50 mil, mensalmente, em taxas e vamos passar a pagar, no ano de 2011, cerca de R$ 150 mil mensais, com o aumento proposto pela prefeitura. Imagine o leitor: se fosse o administrador da cidade, o que faria? Potencializaria a feira, fazendo publicidade, proporia cursos de qualificação em parceria com o Sebrae ou tentaria fazer o que eles estão fazendo?
A íntegra.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Prefeitura vai interditar Belo Horizonte para avaliar árvores...

... se a lógica do prefeito Lacerda prevalecer. O Parque Municipal, onde uma árvore caiu e matou uma moradora, terça-feira passada, tem 3.700 árvores – foi interditado. Belo Horizonte tem 310 mil árvores – muito mais podem cair, e efetivamente caem, portanto, toda a cidade deve ser interditada. O parque por prazo indeterminado, a cidade por prazo indeterminado multiplicado por cem. A propósito, o tal inventário anunciado pelo prefeito nas chuvas do ano passado ainda nem começou. Segundo o secretário do Meio Ambiente, vai ser feito "o mais rápido possível". Isto significa também que o corte de árvores na cidade ocorreu de forma aleatória. Quem souber de alguma área em que a administração Lacerda funciona, favor informar.

Cena belo-horizontina

Sábado, 11h, Praça da Savassi. Carros estacionados nos passeios, em faixa de pedestre. Olho ao redor: nenhum fiscal da BHTrans, nenhum PM, nenhum guarda municipal. Nunca a cidade esteve tão negligenciada. E nunca teve tantas polícias. Vejamos: PM, polícia civil, guarda municipal, BHTrans, fiscais sei lá de quê... Mas é assim: onde tem, sempre estão muitos, batendo papo, fazendo "policiamento ostensivo". Quando a gente precisa, não tem, não aparece. De madrugada, passam carros da PM com sirena ligada, para acordar os moradores. Os fiscais da BHTrans, quando o trânsito engarrafa, eles somem. Quando chove, também. Quando aparecem, vêm aos montes e ficam conversando nas esquinas, fingindo não ver as infrações. A mesma coisa com os guardas municipais, que até hoje ninguém sabe pra que servem. Também ninguém sabe para que servem uns sujeitos com jalecos azuis nos quais se lê: "Fiscalização".