sábado, 29 de janeiro de 2011

Tragédia da Gameleira: 40 anos de um crime impune

No próximo dia 4 de fevereiro completa quatro décadas a Tragédia da Gameleira, o maior desastre de construção civil já ocorrido no Brasil. O desabamento do pavilhão de exposições da Gameleira, onde hoje existe o Expominas, em Belo Horizonte, matou 69 operários. Era um projeto grandioso, de Oscar Niemeyer, calculado pelo grande engenheiro Joaquim Cardozo. O governador de Minas na época era Israel Pinheiro, que chefiou a construção de Brasília, no governo JK. Seu mandato terminaria em março e ele tinha pressa na inauguração. A construtora era a Sergen – Serviços Gerais de Engenharia S/A. As escoras das lajes foram retiradas antes da hora, apesar das advertências dos operários, que tinham constatado rachaduras. A construção desabou no horário de almoço. Além dos 69 mortos, mais de cem ficaram feridos, muitos mutilados. Até hoje os familiares das vítimas tentam na justiça receber indenizações. Ocorrida durante a ditadura militar, a tragédia provocou grande comoção, mas ficou por isso mesmo, sem que nenhuma autoridade ou técnico fosse responsabilizado e penalizado. Afinal, só morreram peões. Sobre essa página negra da engenharia nacional, o professor Antônio Libério de Borba, do Cefet-MG, publicou o livro "Lembrar para ter o direito de esquecer". Ele pretende construir um memorial no local do acidente.

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