segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

FHC, cada vez menor

FHC é um sujeito peculiar -- pretendeu ser um grande tucano e se transformou numa pequena maritaca. Exaltado como intelectual, não é o autor da teoria que o celebrizou. Enaltecido como político, elegeu-se uma vez graças ao plano econômico do então presidente Itamar, a quem ele renegou, e reelegeu-se graças a uma emenda constitucional cuja aprovação foi obtida com a compra de votos no Congresso. Reeleito, desfez-se da política econômica que lhe garantiu os votos populares e enfiou o País na crise. Apologista da competência, demonstrou a profunda incompetência do seu governo com o apagão. Propagandista da iniciativa privada, doou as estatais brasileiras para multinacionais e não fez nada de útil para os brasileiros com o dinheiro arrecadado. Paladino da moralidade pública, fez um governo cercado de denúncias de corrupção que não foram investigadas nem julgadas pelas mesmas autoridades que investigaram e puniram petistas. Tido como estadista, serviu de pau mandado de políticos estrangeiros como Clinton e Blair. Considerado grande articulador político foi incapaz de eleger seu sucessor e viu sua influência decair continuamente. Posa de superior, mas não para de fazer mesquinharias contra os presidentes que o sucederam. Seu livro de memórias, raro livro de um ex-presidente, não tem a menor importância como documento histórico e ficaria melhor se seu título fosse "a arte da embromação". Quanto mais o tempo passa menor FHC fica; está fadado a desaparecer na história brasileira, como tantos outros presidentes medíocres. No artigo abaixo se vê mais uma vez que não tem nada de bom a oferecer ao Brasil. Teria alguma grandeza se rompesse com o protofascismo liderado pela velha "grande" imprensa e criticasse o julgamento do "mensalão", como fizeram as melhores cabeças do País, mas se cala -- ou, pior, faz coro com a ladainha da ignorância. Mostraria que tem alguma noção do que fica para a história. Em vez disso requenta velhas propostas neoliberais falidas, lamenta que o dinheiro do pré-sal vá para a educação e que os acionistas das companhias de energia percam lucros com a redução nas tarifas. E destila veneno contra governantes mais bem sucedidos do que ele.

Do O Estado de S. Paulo.
Melancolia e revolta
Fernando Henrique Cardoso
Não sou propenso a queixas nem a desânimos. Entretanto, ao pensar sobre o que dizer neste artigo senti certa melancolia. Escrever outra vez sobre o "mensalão" e sobre o papel seminal do Supremo Tribunal Federal? Já tudo se sabe e foi dito. Entrar no novo escândalo, o do gabinete da Presidência da República em São Paulo? Não faz meu estilo, não tenho gosto por garimpar malfeitos e jogar mais pedras em quem, nessa matéria, já se desmoralizou bastante.
Tentei mudar de foco indo para o econômico. Mas de que vale repetir críticas aos equívocos da política petrolífera, que começaram com a redefinição das normas para a exploração do pré-sal? As novas regras criaram um sistema de partilha que se apresentou como inspirado no "modelo norueguês" -- no qual os resultados da riqueza petrolífera ficam num fundo soberano, longe dos gastos locais, para assegurar bem-estar às gerações futuras --, quando, na verdade, se assemelha ao modelo adotado em países com regimes autoritários.
A contenção do preço da gasolina já se tornou rotina, mesmo que afete a rentabilidade da Petrobrás e desorganize a produção de etanol. O objetivo é segurar a inflação por meio de artifícios e garantir a satisfação dos usuários.
E que dizer da tentativa de cortar o custo da energia elétrica, que teve como resultado imediato a perda de valor das ações das empresas?
A íntegra.