sábado, 31 de agosto de 2013

O futuro presidente do PT e a reforma política

No terceiro bloco do debate entre candidatos a presidente do PT, podemos ver as propostas para a questão central da política brasileira (a política institucional, porque há outra política, a política feita pelo povo, no dia a dia e nas suas mobilizações, que põem de cabeça pra baixo os arranjos dos políticos e deixam em alvoroço as elites reacionárias). Trata-se de uma embrulhada na qual estamos desde 1985, quando a emenda das diretas foi derrotada no Colégio Eleitoral e setores da oposição optaram por fazer um acordo com a direita para que se passasse da ditadura à democracia sem ruptura.
O resultado foi a ordem política atual, na qual os torturadores estão impunes, as polícias militares continuam a repressão da ditadura, a Constituição foi feita pelo Congresso, os partidos políticos não têm representatividade (exceto o PT, no entanto declinante e que para governar precisa se aliar à direita), há eleitores que valem mais do que outros, o que aumenta o peso dos políticos conservadores, e o povo não apita no governo.
O debate põe o PT nos trilhos. Mas é preciso continuá-lo e avançar em ações de governo. 

Debate entre candidatos a presidente do PT

Realizado no dia 26/8/13 e transmitido pela internet. Todos são paulistas, exceto um, que, no entanto, atua em SP. O PT -- como o PSDB -- é um partido paulista.
Todos dizem as mesmas coisas com palavras diferentes: o partido precisa se renovar, se abrir aos jovens, se reaproximar das suas bases originais, os movimentos sociais; o governo Dilma precisa ampliar a democracia participativa e fazer reformas democratizantes, especialmente a reforma política e a reforma das comunicações. Todos também -- exceto o atual presidente -- reafirmam o socialismo democrático (expressão redundante) como saída para a crise do capitalismo que assola o mundo. Por que então tantos candidatos? Por que se opõe um aos outros?
Não que seis candidatos seja ruim, ao contrário, a disputa possibilita o debate de ideias e o esclarecimento de caminhos -- por ela sabemos, por exemplo, que o deputado Cândido Vacarezza (também paulista) representa um grupo dentro do PT que sabota o próprio partido em benefício do PMDB; sabemos também que a vontade do diretório federal prevalece sobre a vontade do partido.
Sabemos, afinal, o principal: que, apesar de ter tantas correntes (representadas por seis candidatos), o PT é dirigido majoritariamente por uma corrente que considera mais importante do que qualquer bandeira levantada pelo partido a aliança com o PMDB e com o capital; só por meio dessa aliança é possível eleger Dilma e governar, diz o atual presidente do PT, Rui Falcão.
Permanece, no entanto, um mistério que o PT herdou dos inúmeros grupos de esquerda dos anos 60 e 70, só compreensível pelos iniciados: quais são as divergências entre os vários grupos minoritários, já que todos querem as mesmas coisas? Por que não se unem?
O mais importante do debate, no entanto, é sua transmissão pela internet, coisa jamais feita antes e que possibilita a todo brasileiro, seja militante do PT ou não, conhecer as principais lideranças e ideias do partido que governa o País há mais de dez anos e provavelmente vencerá a próxima eleição. 

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Por que os médicos brasileiros não têm cara de empregada doméstica

Eles saem da Casa Grande para estudar medicina. E como se vê não gostam de atender na Senzala.

Do Pragmatismo Político.
Curso de medicina no Brasil: só 2,6% dos formandos são negros
Apesar de formarem 50,7% da população brasileira, os autodeclarados negros ainda são minoria entre os formados no ensino superior. Na carreira de medicina, apenas 2,66% dos concluintes em 2010 eram pardos ou pretos. O estudo foi feito pelo Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais).
Dos universitários que fizeram Enade (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes) em 2010, apenas 6,13% se declaravam pretos ou pardos. Em 2009, o índice foi ainda menor: 5,41%.
A íntegra.

Segundo protesto contra a Globo

Do Anonymous Brasil.
Segundo protesto em frente à rede Globo acontece nesta sexta-feira
O segundo ato contra o monopólio dos meios de comunicação acontece nesta sexta-feira 30 em frente à sede da Rede Globo, em São Paulo. No dia 11 de julho, um ato reuniu mais de 2 mil pessoas na zona sul de São Paulo, quando manifestantes projetaram uma luz verde no rosto do apresentador Carlos Tramontina durante a segunda edição do SPTV. A concentração está marcada para as 17 horas na Praça General Gentil Falcão, e seguirá em marcha para a sede da emissora.
A íntegra.

Como FHC comprou sua reeleição

Tucanos compram deputados e senadores como compram assinaturas da veja e empreiteiras de metrô. Tivemos de esperar quase vinte anos para que a história fosse contada. Por que será que a compra da reeleição, noticiada pela Folha, foi esquecida, não virou processo nem resultou em condenações, como o "mensalão"?

Do Brasil 247.
Livro-bomba revela como FHC comprou sua reeleição
Um livro bombástico chega, neste fim de semana, às livrarias de todo o País. Trata-se de "O Princípe da Privataria", lançado pelo jornalista Palmério Doria, autor do best-seller Honoráveis Bandidos, sobre o poder da família Sarney, e colunista do 247. Desta vez, o foco de Doria é lançado sobre um dos homens mais poderosos e cultuados do Brasil: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No livro, o autor aborda as contradições do personagem e algumas manchas de sua biografia, como a compra da emenda da reeleição e a operação pesada para blindá-lo na imprensa sobre o filho fora do casamento com uma jornalista da Globo, que, no fim da história, não era seu filho legítimo.
Leia, em primeira mão, o material de divulgação preparado pela Geração Editorial, a mesma casa editorial que lançou livros-reportagem de sucesso como Privataria Tucana, de Amaury Ribeiro Jr., e Segredos do Conclave, de Gerson Camaratti.
A íntegra.

Putin de lingerie ou a democracia russa

konstantin altunin
O governo russo não tolera liberdade: artistas que não seguem a cartilha de Stalin-Putin têm de fugir ou vão presos.

Do Público.
Artista russo procura asilo depois de pintar Putin de lingerie 
Konstantin Altunin, autor de Travesti, a polêmica pintura em que o presidente russo Vladimir Putin e o primeiro-ministro Dmitri Medvedev aparecem em lingerie, fugiu da Rússia e procura agora asilo. A notícia foi dada esta quarta-feira por Aleksandr Donskoi, proprietário do Museu do Poder, onde foi exibida a obra, que entretanto foi apreendida pela polícia.
Estes acontecimentos surgem da controversa lei de Putin contra os homossexuais, que tem despertado as mais variadas reacções de todas as áreas, dentro e fora da Rússia. Alguns dos episódios mais recentes aconteceram nos mundiais de atletismo, onde por exemplo duas atletas russas se beijaram no pódio.
Travesti, onde Putin aparece a pentear o cabelo de Medvedev, gerou desde logo polêmica, levando as autoridades russas a apreender o quadro na segunda-feira, assim como outras três obras satíricas também de Konstantin Altunin. As autoridades classificaram estas obras de arte como "extremistas" mas não explicaram que leis terão sido violadas para desencadear esta acção. O The Guardian lembra que há uma lei russa que proíbe que figuras do Estado sejam insultadas e outra que proíbe a "propaganda homossexual".
A íntegra.

Quem sustenta a revista veja

(Além dos anúncios do governo federal.)
Explicado pelo menos parte do mistério de circulação da revista, cujas vendas e assinaturas despencam, mas que é encontrada em salas de espera e lugares assim. Assinar milhares de exemplares de veja (mais de meio milhão de reais!) para escolas públicas sem licitação não é só uma troca de favores com dinheiro público ("eu assino a revista e você fala bem de mim"), é (mais) um crime contra a educação das crianças paulistas. Imagina se o governo do PT faz uma coisa dessa (com outra publicação), o que a veja publicaria. 

Da Rede Brasil Atual.
Sem alarde da mídia, Alckmin renova 5,2 mil assinaturas da Veja 
Por Helena Sthephanowitz
No último dia 14 de junho, enquanto as atenções estavam voltadas para os protestos nas ruas de São Paulo, o Diário Oficial do Estado publicou a compra – sem licitação – de 5.200 assinaturas semestrais da revista Veja para serem distribuídas nas escolas da rede pública. O valor contratado foi de R$ 669.240,00, a ser desembolsado em nome da Fundação para o Desenvolvimento da Educação, órgão do governo estadual.
Há anos os governos tucanos paulistas recebem duras críticas pela compra em grande volume destas revistas e jornais. As críticas começam pela dispensa de licitação, afinal há pelo menos outras três revistas semanais no Brasil que concorrem com a Veja.
A íntegra.

If a had a hammer

O maior sucesso de Rita Pavone é versão adolescente de uma canção americana, de Pete Seeger e Lee Hays, composta em 1949 (Wikipédia). Originalmente, tem letra libertária. Podemos escolher a gravação preferida, todas bonitas.

Ritas de agosto, em agosto

Esta tinha 19 anos (1964); outra, fazia um aninho. Com atitude, ambas.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Médicas com cara de domésticas ou por que o fascismo não tem chance no Brasil

Esses jornalistas e esses médicos protofascistas, que se consideram parte de uma raça superior, branca e de olhos azuis, com nomes anglo-saxões, são uma minoria, embora habituada ao poder, e se fizerem exame de DNA descobrirão que têm no sangue os genes das "empregadas domésticas". Estão escrevendo uma página vergonhosa da medicina brasileira, mas, felizmente, lutam uma luta perdida. A declaração dessa jornalista é a pá de cal na resistência aos médicos cubanos, pelo menos do ponto de vista que interessa, o da população brasileira a quem, afinal, eles vêm servir. O povo que tem "cara de empregada doméstica", que frequenta o SUS e planos de saúde, sabe que o Brasil precisa de mais -- e melhores -- médicos. As redes sociais apenas possibilitaram que as pessoas digam o que realmente pensam. Possibilitam também que reflitam e melhorem. Racismo é crime.

Do G1.
Jornalista diz que médicas cubanas parecem 'empregadas domésticas'
A declaração de uma jornalista do Rio Grande do Norte sobre a aparência das médicas cubanas que chegaram ao Brasil para trabalhar no Programa Mais Médicos gerou polêmica nas redes sociais nesta terça-feira (27/8/13). A jornalista Micheline Borges publicou que as médicas têm cara de "empregada doméstica" e questiona se as mulheres são mesmo profissionais da saúde. "Será que são médicas mesmo?", contesta. Ela excluiu a conta na rede social após a repercussão da mensagem, que gerou mais de cinco mil compartilhamentos até as 16h desta terça.
"Me perdoem se for preconceito, mas essas médicas cubanas tem uma Cara de empregada doméstica. Será que São médicas Mesmo? Afe que terrível. Médico, geralmente, tem postura, tem cara de médico, se impõe a partir da aparência...Coitada da nossa população. Será que eles entendem de dengue? Febre amarela? Deus proteja O nosso povo! (sic)", diz a mensagem postada durante a manhã.
Ao G1, a jornalista pediu desculpas aos que se sentiram ofendidos e afirmou ter sido mal interpretada. "Foi um comentário infeliz, só gostaria de pedir desculpas, fiquei muito angustiada. Ganhou uma proporção muito grande nas redes sociais, onde as pessoas interpretam do jeito que querem. Não tenho preconceito com ninguém, não quis atingir ninguém, nem ferir a imagem nem a profissão de ninguém", declarou.
A íntegra.

Do Pragmatismo Político.
Médicos cubanos recebem flores um dia após agressões
Depois do protesto com vaias e xingamentos na abertura do curso (veja aqui), os médicos cubanos que chegaram ao Ceará pelo Mais Médicos receberam flores e aplausos de integrantes de movimentos sociais nesta terça-feira (27) na Escola de Saúde Pública, em Fortaleza. Na saída do primeiro dia de aula do curso preparatório, os estrangeiros deram sorrisos e sinais de positivo para quem os esperava e receberam aplausos e gritos como "Cubano amigo, o povo está contigo".
"Estamos seguros. Confiamos no povo brasileiro e temos uma tarefa que vamos cumprir", afirmou o médico cubano José Armando Molina. Segundo ele, os médicos estrangeiros não ficaram assustados e tristes com o ato hostil que aconteceu na segunda-feira (26), quando foram chamados de "escravos" e "incompetentes".
"Vimos que aquilo foi feito por uma minoria de pessoas. Hoje foi o dia mais bonito desde que chegamos ao Brasil. Conhecemos que o povo brasileiro é irmão como somos dele. Estamos aqui para trabalhar para o povo brasileiro", disse.
A íntegra.

sábado, 24 de agosto de 2013

A morte do PSDB

E da velha imprensa brasileira -- só aqui, na internet, ela continua viva. Comparemos: há oito anos essa imprensa putrefata ataca os governos do PT pelo "mensalão" -- uma história de caixa dois copiada do modelo tucano até hoje impune -- mas se cala diante do "mensalão" tucano e escondeu este caso de corrupção sistemática que atravessa governos tucanos em SP desde 1998. Isso não é jornalismo, é política -- e a própria ANJ admitiu isso, nunca é demais lembrar. Segundo matéria da revista Istoé, a corrupção tucana em SP movimentou mais de 20 milhões de euros (64 milhões de reais) em conta secreta na Suíça, só de 1998 a 2002. Não tem nada de extraordinário nisso, como qualquer popular sabe: é assim que o capitalismo funciona, em SP e no mundo -- a velha imprensa (da qual o governo paulista compra milhares de assinaturas sem licitação) incluída.

Da Pública Agência de Jornalismo Investigativo.
O repórter que descobriu o whistleblower da Siemens 
Por Bryan Gibel
Em um dia frio e nublado em São Paulo, entrei em um escritório bagunçado, escondido nos meandros da Assembléia Legislativa, e me vi diante do ex-executivo da Siemens que há mais de um mês eu tentava localizar. Dois anos antes, esse homem de identidade sigilosa havia entregue a deputados do PT documentos que descreviam minuciosamente como dois dos maiores conglomerados europeus – a francesa Alstom e a alemã Siemens – tinham distribuído propinas por mais de uma década para conseguir contratos de construção e operação das linhas de metrô e do sistema de trens da região metropolitana de São Paulo. Os documentos tinham sido enviados pelo PT, em agosto de 2008, ao Ministério Público de São Paulo, que já participava de uma investigação sobre a Alstom a convite de autoridades suíças.
Depois que me apresentei, ele disse que eu era o primeiro repórter com quem falava sobre Alstom e Siemens, e que me daria a entrevista com a condição de manter o anonimato, porque temia por sua segurança. Também me entregou cópias de duas cartas escritas por ele, relatando, em detalhes, como Siemens, Alstom e outras companhias multinacionais no Brasil haviam pago propinas e formado cartéis ilegais para ganhar contratos públicos de milhões de dólares em São Paulo e Brasília. Contratos e documentos sustentavam a denúncia, e nomeavam os políticos e funcionários públicos que, segundo ele, tinham recebido dinheiro – havia até informações bancárias sobre os pagamentos ilícitos.
Hoje, passados mais de três anos, aquele encontro ganhou um novo significado. Em maio deste ano, as investigações sobre corrupção que até então envolviam a Alstom culminaram em um grande escândalo no Brasil depois que, em troca de imunidade, a Siemens e seus executivos passaram a colaborar com o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, dando depoimentos e entregando documentos que indicam que a Siemens e mais de 20 pessoas pagaram propinas e formaram cartéis ilegais para ganhar contratos do governos do Estado de São Paulo e do Distrito Federal de quase R$ 2 bilhões.
As cartas e documentos que o ex-executivo da Siemens me entregou em São Paulo retratavam esse quadro de distribuição de propinas e corrupção em larga escala no setor metroferroviário brasileiro. Muito do que está sendo dito no Cade já havia sido relatado por aquele ex-executivo à direção da Siemens, assim como a conexão com o escândalo da Alstom, investigado desde 2008, e que no mesmo agosto deste ano, resultou no indiciamento de dez pessoas, entre elas dois ex-secretários de Estado do PSDB de São Paulo.
A íntegra.

O paraíso do capital financeiro

O capital financeiro é o suprassumo de todos os capitais, aquele em que o lucro vem do próprio dinheiro, sem produzir nada. No avanço do capitalismo, ele assume o controle de tudo; concentrando-se cada vez mais, leva a que meia dúzia de empresas e de capitalistas mandem nos negócios mundiais. Bancos informatizados atingem o ideal capitalista: máquinas e clientes substituindo trabalhadores, custos reduzidos ao mínimo e lucros elevados ao máximo. O único problema desse modelo é: sem trabalhadores e salários para comprar, como vender? Para os bancos, que vendem dinheiro, isso não é problema, porém.

Da Agência Brasil
Bancos privados fecharam 5,8 mil postos de trabalho em 2013, aponta pesquisa 
Daniel Mello
São Paulo – Os bancos privados fecharam 5,8 mil postos de trabalho nos primeiros sete meses do ano, segundo pesquisa divulgada hoje (23) pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). Segundo o levantamento, as instituições financeiras dispensaram 23,5 mil funcionários no período e contrataram 17,7 mil. As demissões são, de acordo com a Contraf, uma forma de reduzir a média salarial dos empregados. O levantamento aponta que os dispensados recebiam em média R$ 4,5 mil, enquanto os admitidos ganham R$ 3 mil.
A íntegra.

terça-feira, 20 de agosto de 2013

As manifestações de rua e o PT: as propostas do governador Tarso Genro

O PT é o partido ônibus da esquerda brasileira, quem ficou de fora foi definitivamente para a direita ou se perdeu no caminho ou faz barulho sem resultados. Quem ficou dentro buscou (e busca ainda) caminhos conservadores, quase neoliberais, ou reformistas ou até revolucionários. As manifestações que começaram em junho passado foram benéficas para o PT, o tiraram da posição confortável e conservadora em que estava.

Da Agência Carta Maior.
Os desafios do PT numa nova concepção de frente
Tarso Genro 

No momento que o PT discute o seu futuro e de certa forma os demais partidos do campo da esquerda discutem-no também - tanto em relação ao processo eleitoral do ano próximo, como em relação às estratégias para o próximo período - quero sugerir que o meu partido faça o seu debate de uma forma não tradicional. Não agende o seu discurso a partir de temas
relacionados exclusivamente às divergências internas que nos preocupam, mas também -- e principalmente -- a partir da composição de um bloco de forças econômicas e políticas que podem apoiar uma nova fase do processo da "revolução democrática", em curso no país: os trabalhadores, os setores médios democráticos, os assalariados em geral, a juventude progressista, os homens e mulheres trabalhadores do campo e os setores empresariais, para os quais o aumento de renda dos mais pobres e as encomendas e investimentos do Estado significam incremento na sua atividade comercial a industrial.
Qualifico como "revolução democrática" o processo concreto em que -- independentemente da nossa vontade ou vocação política -- não está em jogo a propriedade dos meios de produção, mas o seu desenvolvimento para maximizar renda e emprego. Não está em jogo a destruição do Estado, mas a sua reforma democrática no sentido de combinar democracia direta com a representação política, para a funcionalidade da representação da Constituição de 88; não está em jogo qualquer "expropriação" de meios de comunicação, mas a sua democratização e utilidade social; não está em jogo a possibilidade de “golpes” de força contra a Constituição de 88, mas a sua degradação progressiva, pela captura das instâncias da política pela força normativa do capital financeiro, que degrada aquela esfera e a utilidade dos partidos.
Sustento, portanto: o que está em jogo no país é a hegemonia sobre o projeto democrático moderno, cujo reflexo na estrutura de classes da sociedade e no comportamento dos agentes políticos - dentro do Estado e fora dele -- é que vai determinar o fundamentos do nosso futuro: o futuro próximo, que refere aos níveis de coesão social e de igualdades -- desigualdades, sociais e regionais; e o futuro mais remoto, que refere ao tipo de sociedade pós–capitalista e pós-socialismo real, que iremos construir.
A íntegra.

O plano nacional de agroecologia e produção orgânica

É assustador que isso não exista ainda, mas é um alento saber que está a caminho, bem devagar, é verdade. Se vier para ficar, é o que importa. Essas coisas não aparecem no noticiário sensacionalista da velha imprensa. A agroecologia, praticada por pequenos produtores, é o primo pobre do governo (o primo rico é o agronegócio, que representa parcela ínfima da população brasileira, mas tem uma enorme bancada no Congresso). Pelo menos está lá -- em governos anteriores não estava. Os avanços dos governo petistas são dessa natureza.

Da Agência Carta Maior.
Agroecologia: um novo marco para o país
Por Najar Tubino
O governo federal lançará em breve o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), depois de mais de um ano de discussão com dezenas de entidades da sociedade civil e representantes de 10 ministérios. O ministro do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas disse que o plano será importante não só para a agricultura familiar, mas para todo o país. Os investimentos em 134 iniciativas envolvem 14 metas dentro de quatro eixos principais – produção, uso e conservação de recursos naturais, conhecimento, comercialização e consumo.
O secretário Valter Bianchini, da Agricultura Familiar do MDA, disse em Botucatu recentemente que o Planapo contará com um volume importante de recursos, na ordem de R$7 bilhões, e contará com diretrizes definidas até 2015. A Política Nacional de Agroecologia foi definida pelo decreto 7.794 no ano passado.
A íntegra.

Do portal do Ministério do Desenvolvimento Agrário.
Encontro promove debate sobre Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica 
"A gente não faz agroecologia e agricultura orgânica se não avançar em processos associativos", disse o coordenador do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), Valter Bianchini, durante o III Encontro Internacional de Agroecologia – Redes para a Transição Agroecológica na América Latina, que termina neste sábado (3/8/13), em Botucatu (SP). O evento reúne convidados de institucições governamentais e não governamentais, durante quatro dias, para debater a transição agroecológica e suas implicações em diferentes esferas – política, sócio cultural, produtiva e ecológica.
Cerca de dois mil participantes que encheram o auditório do Ginásio Santa Marcelina, na tarde de sexta-feira (2/8/13), discutiram os Rumos, Conquistas e Desafios da Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Pnapo). "Um volume importante de recursos será destinado para a agroecologia e buscaremos a ampliação da carteira de crédito do Pronaf – Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – para implantar sistemas de produção agroecológicos", disse Bianchini. Ele também levantou o conjunto de metas e corresponsabilidades entre ministérios para que se estabeleçam procedimentos, até 2015, ligados aos insumos e tecnologias da agricultura orgânica.
A íntegra.

Do portal da Secretaria-Geral da Presidência da República.
Ministros definem proposta para o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo)
A proposta do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo), elaborada por membros da Câmara Interministerial de Agroecologia e Produção Orgânica (Ciapo) e da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Cnapo), foi aprovada na sexta-feira (7/6/13), em reunião coordenada pelos ministros da Secretaria-Geral da Presidência da República (SG-PR), Gilberto Carvalho; do Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas; e do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. O Planapo tem quatro eixos: produção; uso e conservação dos recursos naturais; conhecimento; e consumo e comercialização. A proposta agora será levada pelos ministros para a presidenta Dilma Rousseff.
O primeiro Planapo, baseado nas diretrizes estabelecidas no Decreto 7.794/2012, terá duração de três anos, vinculando suas iniciativas às ações orçamentárias já aprovadas no Plano Plurianual (PPA), de 2012 a 2015. O plano atuará para ampliar o número de produtores envolvidos e incentivar o registro, a produção e a distribuição de insumos adequados à produção orgânica e de base agroecológica; fomentar a conservação, o manejo e o uso sustentável dos recursos naturais; e facilitar o acesso do consumidor a informações relacionadas a produtos agroecológicos e orgânicos e à universalização do consumo, entre outras coisas.
A íntegra.

Marina, ambientalismo, neoliberalismo e desenvolvimentismo

A direita, liderada pela Folha de São Paulo, ao que parece, desembarcou da canoa furada do Serra, hesita em embarcar na canoa do Aécio e ajuda a empurrar a canoa da Marina.

Da Agência Carta Maior.
Marina, quatro anos depois
Por Saul Leblon

Há quatro anos, no dia 19 de agosto de 2009, Marina Silva deixou o PT.
É cedo ainda, do ponto de vista de tempo histórico, para sentenças definitivas.
Por ora, cabe dizer, como já disse uma vez Carta Maior, que a agenda ambiental do PT não ganhou com a saída de Marina Silva.
E Marina ainda precisa provar que a ruptura fortaleceu a agenda ambiental no país.
Neste domingo, Marina concedeu entrevista à Folha.
Entrevista magra, possivelmente descarnada pela edição do jornal.
Mas generosa o suficiente para ressaltar seu time de economistas.
Entre os quais avultam medalhões neoliberais, como Eduardo Giannetti da Fonseca, do conservador Insper, e André Lara Resende, formulador tucano do Plano Real, que hoje se dedica a buscar uma ponte entre o arrocho ortodoxo e a agenda verde do não crescimento.
Na edição da 2ª feira, nada menos que dois colunistas do diário da família Frias cobriram de elogios a presidenciável que mais cresceu com os protestos de junho.
A inflexão saudada pelo entusiasmo conservador reflete a dificuldade histórica de uma agenda 'neutra' sobreviver na luta política, mesmo sendo ela a versátil bandeira verde.
Que agrega desde rótulos espertos de detergentes de limpeza, a militantes sinceros da resistência à destruição da natureza.
Carta Maior não menospreza a gravidade da questão ambiental submetida à hegemonia predatória e imediatista dos mercados desregulados.
Mas tem insistido que o ambientalismo precisa decidir se quer ser um rótulo, uma tecnologia ou cerrar fileiras na luta por uma nova sociedade.
Quer ser um guia de boas maneiras para o engodo do 'capitalismo sustentável'? Ou um projeto alternativo à lógica desenfreada da exploração da natureza e do trabalho?
A 'Rede' de Marina nasceu como um flerte com a trama evanescente da 'terceira via’.
Nem de esquerda, nem de direita. Nem situação, nem oposição.
Há um tipo de neutralidade que só enxerga os erros da esquerda.
E costuma rejuvenescer o cardápio da direita, sempre que esta se ressente de atrativos para retomar a disputa pelo poder.
Não será propriamente inédito se vier a ocorrer de novo.
Acenada por ambientalistas simpáticos à 'terceira via', a bandeira do 'não crescimento' evolui nessa direção.
A íntegra.

domingo, 18 de agosto de 2013

De que é feito o hambúrguer do McDonald's

A única lei do capitalismo é o lucro, não importa como será obtido. Pode ser vendendo carne que alimenta cachorro lavada com hidróxido de amônio, transformada em hambúrguer e oferecida com muita propaganda bonita e bem-feita. A notícia é antiga, mas ver o vídeo é diferente. Nem é preciso entender inglês.

Fora do Eixo e Mídia Ninja segunda-feira, na TV Brasil

20h, canal 3 da NET. O programa Brasilianas não parte do zero, como o Roda Viva partiu, nem visa a esculhambar e fazer sensacionalismo, como Veja, Folha, Globo fazem (e até a CartaCapital, surpreendentemente). Além da sua posição equilibrada, que nunca abandonou o jornalismo e o afasta do maniqueísmo da "grande" imprensa atual, Nassif construiu um conhecimento ímpar nas últimas décadas. O programa promete ser bom, como indica a análise do artigo abaixo.

Do blog Luís Nassif Online.
A desconstrução das Casas Fora do Eixo
Por Luís Nassif

O Brasilianas.org de segunda-feira -- na TV Brasil -- irá discutir a experiência da Casa Fora do Eixo e da Midia Ninja.
É um feito: ser alvo simultaneamente do macartismo da direita, do acerto de contas da esquerda e da escandalização da velha mídia. É desafio para gente grande, o que está acontecendo agora com ambos.
Ontem palestrei em um evento do Encontro Nacional dos Estudantes do Campo Público,1.500 rapazes e moças de todo o país.
Uma das palestrantes foi uma mocinha de 21 anos, quase uma patricinha, representante da Mídia Ninja. Falou ao lado de representantes da Casa Civil, da prefeitura do Rio, de professores renomados e de um jornalista veterano. E deu o recado.
Explicou como é a estrutura, seu trabalho de receber as imagens em casa e editar. Contou que o grande veículo de disseminação da produção é uma página no Facebook. Mostrou como a Midia Ninja cobriu julgamentos no Acre, as manifestações em São Paulo, Belo Horizonte, Rio e Brasilia.
Aí me volto para os ataques recebidos nos últimos dias.
O responsável pela área digital de O Globo, por exemplo, escreve um artigo dizendo que, com todo apuro e senso de responsabilidade que caracterizam o jornal profissional, O Globo foi conferir as imagens do PM que supostamente agitava nas manifestações. E concluiu que eram duas pessoas diferentes nas duas cenas relatadas.
Não lembrou o episódio da bolinha de pepal em José Serra, no qual a maior, mais técnica e mais profissional emissora de TV do Brasil, uma das mais conceituadas do mundo, foi desmascarada por um professor gaúcho, feito só possível devido à Internet e à propagação de seu estudo por blogs e redes sociais.
Houve uma única diferença nos dois episódios. Os leitores de O Globo só souberam de relance, pelo artigo citado, que o agitador poderia não ser o PM. Não saiu sequer o desmentido para não conferir status ao oponente - a mídia alternativa. Já os internautas souberam com abundância de detalhes a manipulação das imagens pelo Jornal Nacional.
Quem é mais informado? O leitor que só lê O Globo ou aquele que lê o Globo, assiste ao Jornal Nacional e vai conferir na blogosfera?
Este é o ponto central, o fato novo desconsiderado por todos esses ataques à Mídia Ninja e à Casa Fora do Eixo. Quanto mais balbúrdia, isto é, quanto maior a possibilidade de mais agentes públicos se fazerem ouvir, mais aprimorada será a democracia.
Não sei se Capilé é um gênio ou um oportunista, nem me importa. Importa saber que em ambos os casos -- Casa Fora do Eixo e Midia Ninja -- mostrou-se que o uso das novas tecnologias permitiu o afloramento de novas vozes. E que o sucesso do modelo abre espaço, inclusive, para novas Casas do Eixo sem os vícios apontados na pioneira. 
A íntegra.

53 anos de uma revolução

A invenção da pílula é considerada uma revolução nos costumes, no sexo, no comportamento, sobretudo na vida da mulher. Curiosamente, não representou controle do crescimento populacional: em 1960 éramos 3 bilhões de seres humanos, hoje somos mais de 7. As populações dos países ricos foram contidas e caíram, mas as dos países pobres continuaram crescendo, assim como as populações de pobres nos países ricos. As migrações de pobres para os países ricos aumentaram; vão em busca da riqueza e se tornam a mão-de-obra para trabalhos "desqualificados".

Da Deutsche Welle.
1960: Primeira pílula anticoncepcional chega ao mercado 
No dia 18 de agosto de 1960 foi lançado o contraceptivo oral Enovid-10 nos Estados Unidos. A pílula significaria uma verdadeira revolução nos hábitos sexuais do mundo ocidental.
"Um dia histórico e um tremendo passo à frente": foi com essa manchete que a revista Der Stern anunciou, na década de 60, o lançamento do contraceptivo oral no mercado alemão. Tudo havia começado no início dos anos 50 nos Estados Unidos. A feminista Margaret Sanger e a milionária Katherine McCormick haviam se unido para inventar uma pílula contra a gravidez que fosse fácil de usar, eficiente e barata.
O cientista Gregory Pincus aceitou o desafio. Mas tinha que trabalhar às escondidas, pois os contraceptivos estavam oficialmente proibidos nos Estados Unidos até 1965. Ele alegou tratar-se de uma pesquisa para aliviar os sintomas da menstruação e encerrou seu trabalho cinco anos depois de iniciar as pesquisas. No dia 18 de agosto de 1960 lançou o novo produto no mercado norte-americano: o Enovid-10.
A íntegra.

sábado, 17 de agosto de 2013

A justiça e os tucanos

As elites brasileiras sempre foram corruptas. A frase corre na boca do povo: "Isso não vai dar em nada, os ricos compram a justiça". Isso pouco mudou. Os governos do PT são provavelmente os mais honestos da história brasileira, o erro do partido foi pensar que podia fazer como os outros e usar o esquema tucano de caixa dois de campanha, montado em Minas por Marcos Valério para Eduardo Azeredo. Um deputado insatisfeito e sem credibilidade abriu a boca, mas tudo poderia ser contido, se imprensa e justiça levassem o seu, como de costume. Não foi o que aconteceu; neófito no clube dos poderosos, o PT -- por ser o partido dos trabalhadores -- é rejeitado, odiado e perseguido pela direita, especialmente pela imprensa protofascista.
A história cresceu, na onda de denúncias e escândalos que alimenta a "grande" imprensa brasileira desde o impeachment de Collor, quando ela provou o gostinho de sangue, inventando e depois derrubando um presidente. O caixa dois foi transformando em "mensalão" para escandalizar mais, já que caixa dois "todos os políticos fazem". Joaquim Barbosa (como demonstrou brilhantemente a revista Retrato do Brasil) nem se deu o trabalho de ler o processo, ignorou as provas da defesa e condenou contra os autos: a decisão já tinha sido tomada no tribunal da opinião pública, o "julgamento" feito por Globo, Veja, Folha etc. Enquanto isso, tucanos continuam impunes, como sempre.
Resume-se a isso o "mensalão", que, como a anedota dos dois padres e da moça carregada na garupa por um deles na travessia do rio, ficou lá atrás, mas a direita não o esquece e continua carregando-o como sua única bandeira, porque, no mais, faz e faria igual ou pior do que os governos petistas. Alguma coisa boa Lula, Dilma e o PT fizeram pelo País nesses dez anos, enquanto a "grande imprensa" degenerou, a direita degenerou, a justiça degenerou -- nunca tivemos um STF tão desqualificado e desavergonhadamente parcial, politiqueiro.
As ruas não estão com essa gente nem querem voltar ao que era antes de 2002, querem ir além do que o PT fez até 2013. Tucanos que compram a justiça e STF corrompido representam o que o Brasil sempre teve de pior e, apesar de dez anos de governos petistas, pouco mudou.

Do blog Viomundo.
Rogério Correia: Só falta o Gurgel assinar a ficha do PSDB 
Por Conceição Lemes 

De uma coisa Roberto Gurgel não pode ser acusado: incoerência. Até o finalzinho do seu mandato como procurador-geral da República, ele foi fiel aos tucanos. A decisão a favor do senador Aécio Neves (PSDB-MG), que será candidato à presidência da República em 2014, é mais uma prova inequívoca disso.
Depois de manter na gaveta o pedido de investigação contra Aécio e a irmã, Andrea Neves, por dois anos e quase dois meses, Gurgel mandou arquivá-lo em 23 de julho.
Em 31 de maio de 2011, os deputados estaduais de Minas Gerais Rogério Correia (PT) e os colegas Luiz Sávio de Souza Cruz e Antônio Júlio, ambos do PMDB, e entregaram pessoalmente a Gurgel representação denunciando Aécio e Andrea, por ocultação de patrimônio e sonegação fiscal (detalhes aqui ).
Em seu parecer determinando o arquivamento, Gurgel escreveu:
"Ao contrário, os documentos constantes dos autos comprovam que o representado declarou o seu patrimônio à Justiça Eleitoral. Tanto assim é verdade que a relação de bens apresentada pelos noticiantes foi extraída exatamente do site do Tribunal Superior Eleitoral. De acordo com esses mesmos documentos, o patrimônio foi constituído, em sua grande parte, antes que o noticiado assumisse o cargo de governador do Estado de Minas Gerais, não se podendo dizer que foi fruto de eventual beneficio havido no exercício do cargo."
Rogério Correia lamenta a decisão.
"Na sua saída, Gurgel abriu inquérito contra deus e o mundo, menos contra os tucanos, em especial o Aécio Neves. Foi um ato político dele, partidário, mesmo”, denuncia Correia. “Enfim, o que temíamos aconteceu. Arquivou sem ao menos abrir inquérito para investigar. Agora só falta Gurgel assinar a ficha de filiação ao PSDB."
A íntegra.

Da Carta Capital.  
Marconi Perillo usa a Justiça de Goiás para calar a verdade 
Por Leandro Fortes

Na semana passada, a principal voz da oposição na Assembleia Legislativa de Goiás foi calada pelo judiciário local por influência e força do governador Marconi Perillo, do PSDB. Em 7 de agosto, o juiz Ricardo Teixeira Lemos, da 7a. Vara Cível de Goiânia, concedeu liminar determinando que o deputado estadual Mauro Rubem (PT) retire das redes sociais qualquer menção à reportagem de CartaCapital publicada em abril, sobre a central de grampos ilegais montada para atender aos interesses políticos e pessoais de Perillo.
No Twitter, logo depois da publicação da reportagem, o parlamentar havia escrito: "Com a central de grampos montada por Marconi Perillo, o ciclo da quadrilha de Marconi e Cachoeira se fecha".
O processo foi protocolado em 11 de junho, a decisão liminar foi dada em 12 de julho, mas o deputado só foi notificado há 15 dias. Segundo o deputado,como não houve sequer intimação judicial, tudo correu à revelia, sem direito de defesa.
A íntegra.

Carta Capital tem seu dia de Veja

O assunto do mês é o Fora do Eixo. Natural que Carta Capital se interesse por ele e faça reportagem com chamada de capa, mas é estranho que escale um repórter suspeito, porque tem conflitos de interesses com o Fora do Eixo. Pior ainda é só ouvir quem acusa e deixar "o outro lado" para esta matéria publicada depois e só na internet. Até o título é tendencioso. A matéria ficaria melhor na Veja. Ou na Folha.

Fora do Eixo: "Ninguém precisa ter medo de nada"  
por Lino Bocchini e Piero Locatelli 

Na apuração para reportagem publicada na edição 762 de CartaCapital, que chegou às bancas nesta sexta-feira 16, a reportagem verificou que diversos ex-integrantes do coletivo Fora do Eixo tinham medo de se manifestar contra o grupo. Diante disso, em resposta a perguntas de CartaCapital, Pablo Capilé disse que “ninguém precisa ter medo de nada”. CartaCapital procurou o líder do coletivo para que ele se pronunciasse sobre as acusações de ex-integrantes das casas Fora do Eixo. Por e-mail, Capilé respondeu sobre a apropriação de bens dos integrantes e as críticas de movimentos sociais. Em seu e-mail, apesar de usar a primeira pessoa durante o texto ("mim"), diz que "essa entrevista foi respondida coletivamente, por vários integrantes do Fora do Eixo". 
A reportagem da CartaCapital também procurou Bruno Torturra, líder da Mídia Ninja, como é chamado o braço de comunicação do Fora do Eixo. Ao contrário de Capilé, que trata as duas coisas como uma só, o jornalista preferiu fazer a diferenciação e se recusou a responder todas as perguntas, inclusive as feitas sobre a Mídia Ninja. "Não sou do Fora do Eixo. Meu trabalho é com a Mídia Ninja, que foi gestada dentro do FdE e que hoje é composta de muita gente e muitos grupos autônomos. Não confunda as coisas."
Leia abaixo a íntegra da entrevista:

- CartaCapital: Dos oito ex-integrantes do Fora do Eixo que a CartaCapital ouviu, quatro aceitaram ser identificados. Os demais se sentiram intimidados e têm medo de retaliações por parte de membros do Fora do Eixo. A que vocês atribuem o medo que essas pessoas sentem? O que vocês diriam para esses e outros ex-integrantes?

- Fora do Eixo: Diríamos que ninguém precisa ter medo de nada, e que muito nos espanta este tipo de declaração. Inclusive, chega a ser estranho esta reação sendo que todas as pessoas que passaram pela rede sempre puderam colocar estas angústias quando estavam dentro dela. A rede não pratica intimidação, até mesmo porque, o que poderíamos fazer? São 10 anos de trabalho sem nenhum histórico de violência ou perseguição para que as pessoas não se identifiquem. Isso é muito sensacionalismo. O que as pessoas não colocam em perspectiva é que estas pessoas que hoje estão fora viram no FDE uma possibilidade de realizar as atividades que desejam e se posicionar profissionalmente. Não dar a cara é justamente mais do que evidenciar uma possível perseguição ao FDE, é ter que revelar também o que elas ganharam com esta convivência. Elas participaram de um processo consentindo com a forma como ele se organiza, utilizaram-se das relações que estabeleceram ali dentro, e de repente têm medo de retaliação. Estranho. Uma prova de que esse questionamento é improcedente é que a maioria das pessoas que saem do FDE vão trabalhar com outros parceiros da rede, ou grupos que mantêm diálogo conosco, como o próprio caso da Laís [Bellini], que saiu da Casa SP, e foi trabalhar com o [portal de notícias] Outras Palavras, que ela conheceu justamente como membro do FdE. E posso te dar diversos exemplos como esse. Para mim, levantar estas questões de forma difamatória, sem citar as pessoas e os casos de perseguição não é a melhor forma de se abordar a questão. Que retaliação ou perseguição poderíamos fazer? Emitir nossa opinião sobre o que achamos destas pessoas se perguntados? Isso está todo mundo fazendo, sem nem conhecer o FdE, e não vimos pergunta alguma questionando se o FDE estaria se sentindo perseguido. Por quê?
A íntegra.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Os protestos no Ceará

Entre tantos protestos em junho, os dos cearenses foram pouco vistos no Sul Maravilha. "Democracia no Brasil é uma farsa", diz logo de cara um manifestante. 
Via Agência Pública.

Os donos das cidades

O Brasil foi o país que se urbanizou mais rapidamente; em apenas trinta anos, de 1950 a 1980, a proporção entre população urbana e rural se inverteu, passando a primeira de um terço a dois terços. No mesmo período, a população nacional mais que dobrou, passando de 51 milhões para 119 milhões, o que significa que a população urbana passou de de 17 para 80 milhões de habitantes.
E a situação continua se agravando: segundo o Censo de 2010, já vivem em cidades 84% dos brasileiros que eram naquele ano 190 milhões -- ou seja: 160 milhões de pessoas. De 1950 a 2010, a população das cidades brasileiras passou de 17 milhões para 160 milhões! E como foi que isso aconteceu? Sem qualquer planejamento.
As cidades incharam, bairros e mais bairros, vilas e mais vilas, favelas e mais favelas brotaram sem condições mínimas para abrigar as pessoas, muito menos para proporcionar vida digna e civilizada nas cidades. Década após década, governos melhores ou piores, bem intencionados ou corrompidos, correram atrás, quase sempre sem grande empenho, da demanda de água, luz, esgoto, transporte, saúde e educação para uma população urbana crescente.
Transporte, por exemplo. O que é planejar transportes urbanos? É construir metrôs, mas as cidades brasileiras não têm metrô, e as que têm, têm linhas improvisadas, precárias, construídas em passo de tartaruga -- Belo Horizonte é o melhor exemplo disso.
Ainda que fossem sistemas de transporte de superfície, por ônibus, era preciso que se priorizasse o transporte coletivo. E o que os governos "desenvolvimentistas" fizeram, de JK a Lula, passando pela ditadura? Incentivaram o transporte individual, porque a indústria automobilística é considerada o motor do crescimento econômico, assim como a indústria da construção. Os gigantescos problemas urbanos brasileiros são resultado da falta de planejamento, mas não de imprevisibilidade: são conhecidos e apontados desde os anos 70, o que acontece agora é só seu agravamento mais que previsível. Enquanto prevalecem interesses particulares de empresários (que em geral não moram em condomínios privilegiados e se locomovem de helicóptero e jatinho), as condições de vida nas cidades brasileiros piora dia após dia.

Da revista Teoria e Debate, via Agência Carta Maior.
Nossas cidades são bombas socioecológicas 
Rose Spina

São Paulo - Não foi por falta de aviso! A urbanista Ermínia Maricato há alguns anos chama a atenção para os impasses na política urbana brasileira e alerta para o fato de nossas cidades serem verdadeiras bombas-relógio. Professora colaboradora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, da qual foi titular por mais de 35 anos, e professora visitante da Unicamp, Ermínia foi secretária Executiva do Ministério das Cidades (2003-2005) e de Habitação e Desenvolvimento Urbano do Município de São Paulo (1989-2002), no governo Luíza Erundina. A autora de O Impasse da Política Urbana no Brasil (Editora Vozes), que integra o Conselho da Cidade de São Paulo, diante de tantos obstáculos para uma verdadeira reforma urbana, não quer mais saber de cargos, quer ser movimento social, ir para a rua.

- Alguma surpresa com o fato de as manifestações ocorridas em junho terem como estopim a situação do transporte coletivo?
- Ermínia Maricato: Nenhuma. Eu estou surpresa de ver tanta gente surpresa com essa explosão, que é principalmente de classe média, mas não só. E sobre ter o transporte como o estopim. Há alguns anos falamos que o transporte é uma das principais questões. Também não estou surpresa de a direita estar na rua. Ao contrário, estava perplexa de ver a organização da direita nos veículos de comunicação, em eventos e fóruns que tenho frequentado e até em conselhos, como o de Desenvolvimento Urbano, por exemplo. Estou muito impressionada com o que está acontecendo com o chamado desenvolvimento urbano. Trata-se de uma involução, principalmente em função do mercado imobiliário.
Construímos, nos termos do capitalismo da periferia, cidades que são bombas socioecológicas devido à incrível desigualdade e segregação – nos últimos anos, com o boom imobiliário, a prioridade dada aos automóveis, às obras viárias, e ainda elevamos o grau dessa febre, com os megaeventos, a Copa. Realmente, as cidades estão entregues ao caos, a interesses privados, e as condições de vida da maioria estão piorando muito.
A íntegra.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Agência Internacional de Energia quer ações imediatas para conter mudanças climáticas

Da Alai Amlatina, via Agência Carta Maior.
Mudança climática: 2020 será muito tarde
Gerardo Honty 

A Agência Internacional de Energia (AIE) publicou um relatório especial sobre o futuro do clima e as negociações internacionais com uma advertência aos governos: o ano de 2020 será demasiado tarde para tomar decisões. Na avaliação da agência, algumas medidas devem ser adotadas antes dessa data, caso se queira "manter vivo o objetivo de 2ºC" e o setor de energia deve reduzir suas emissões a partir de agora a uma taxa de 5%/ano.
Evitar a mudança climática perigosa implica manter um nível de concentração de gases de efeito estufa abaixo das 450 ppm que assegure um aumento da temperatura média do planeta não acima dos 2ºC. Essa é a meta traçada pela Convenção da Mudança Climática, realizada em 2009.
A última rodada de negociações da Convenção da Mudança Climática (Doha, dezembro de 2012) estabeleceu um novo roteiro (Doha Climate Gateway), definindo o anos de 2015 como data limite para alcançar uma série de acordos que entrarão em vigor em 2020. O relatório da AIE alerta, porém, que essa é uma data demasiado longínqua para assegurar a manutenção da estabilidade climática em virtude das emissões que terão sido acumuladas até lá.
A íntegra.

A revisão do julgamento do "mensalão"

Um julgamento político que se tornou o maior erro judiciário da história do Brasil. Pelo crime que o laudo mostra não ter existido, o STF condenou ex-diretor do Banco do Brasil a 12 anos de prisão. E é esta a casa máxima da justiça no Brasil.

Do blog Luís Nassif Online
É hora de rever os abusos do primeiro julgamento da AP 470
Por Luís Nassif

Assim como no bom jornalismo, os Ministros têm a obrigação – para com a opinião pública e para com seu próprio Poder – de respeitar os fatos. Quem transige, não tem o menor respeito nem pelo poder que representa, nem pela opinião pública, nem pela verdade. É cúmplice do processo de desmoralização das instituições, desleal com sua profissão e com todos os operadores de direito.
Um dos episódios mais absurdos do julgamento foi considerar que os R$ 73,8 milhões gastos pela Visanet foram desviados para objetivos políticos. Ora, a prova da utilização dos recursos era pública, nos anúncios de jornais e TV, no patrocínio de eventos, atletas e artistas. E -- o mais paradoxal -- grande parte das verbas foi aplicada nos próprios veículos que fomentaram a versão oposta.
Um Ministro sério não de curva a nenhum poder, nem da mídia nem do Estado. Mas deve se curvar permanentemente aos fatos. Se não, pode continuar Ministro. Mas definitivamente não será sério.
A justiça não pode se apequenar por receio da mídia.
A íntegra.

Do Correio Braziliense.
Laudo comprova legalidade de verba repassada à DNA Propaganda pela Visanet
Laudo pericial, divulgado ontem pelo escritório Simonaggio Perícias, em São Paulo, atesta que 85,34% dos R$ 73,8 milhões repassados à DNA Propaganda pela Visanet, nos anos de 2003 e 2004, foram efetivamente empregados no pagamento de fornecedores para divulgação dos produtos do Banco do Brasil, como os cartões de débito e crédito com a bandeira Visa.
A conclusão foi possível com base na análise de 80% de toda a documentação, referente às transações, que foi recolhida pelos ex-sócios da DNA, por meio da Graffite Participações Ltda., Cristiano de Mello Paz e Ramon Hollerbach Cardoso, depois de suas condenações pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por envolvimento no escândalo do mensalão.
A íntegra.

Memória na internet

Da Ciência Hoje.
Memória de internet 
Cada vez mais numerosa, lista de acervos digitalizados de cientistas e personalidades conta agora com coleção de Nelson Mandela. A tendência, que pode ajudar a preservar a história da ciência e das lutas sociais, ainda tem poucas e isoladas iniciativas brasileiras. 
O lançamento recente de um acervo on-line de documentos e imagens do líder político sul-africano Nelson Mandela é mais um passo de um movimento que tem reforçado o papel da internet como receptáculo moderno da memória da humanidade. Mandela entra para a lista de grandes cientistas e personalidades que passam a ter um vasto material relacionado à sua vida preservado e acessível na rede. No Brasil, iniciativas desse tipo, verdadeiros convites a conhecer o passado e grandes oportunidades de pensar sobre o futuro, ainda são isoladas e esbarram na falta de investimento e numa cultura que pouco valoriza sua história.
A íntegra.

O novo Gmail

A Google mudou para pior seu modelo de Gmail há algum tempo, mas era possível escolher entre o modelo antigo e o novo. Dava trabalho achar a opção de reversão, havia nítida indução a que adotássemos o novo modelo, mas era possível escolher. Agora não é mais. E a questão é que o modelo novo é pior.
A mesma coisa aconteceu antes com o Blogspot, esta plataforma de blogs que também é da Google; para novos blogs não existem os modelos antigos, também melhores, mas pelo menos não fomos obrigados a abandonar o modelo antigo.
No caso do Gmail, o modelo era uma boa solução para uma coisa que, afinal, é elementar e o começo da internet. Por que mudar? Aqui vale a velha pergunta: para que mexer num time que está vencendo? A única resposta que encontro é essa obsessão pela mudança que faz parte do mundo contemporâneo, como se o novo fosse sempre melhor. Neste caso não é.
O capitalismo adotou a política de tornar seus produtos obsoletos para que joguemos o velho fora e compremos o novo. Esta é a essência do consumismo. No caso da tecnologia digital, no entanto, a coisa parece ou parecia ser diferente, por se tratar de uma coisa nova, que está buscando soluções para problemas novos. Novas gerações de doutores em informática passam o dia imaginando novidades e depois as empresas gigantes mundiais as adotam. As novidades podem ser boas ou não, quando são produtos lançados para venda, o mercado dirá se são aprovados ou não.
Não é o caso do Gmail, porém, que é gratuito. A Google conquistou uma multidão de usuários em todo o mundo graças ao seu bom produto. Agora nos impõe o que quer ou o que alguns doutores acham que é melhor para nós. E não nos dá a opção de escolher. Pode alegar que manter dois modelos é impraticável, mas o fato é que a solução técnica não é adequada: o razoável seria acrescentar novas possibilidades ao modelo antigo e não substituir um por outro. Repito: o novo modelo é pior. Como disseram outros usuários numa lista de discussão ignorada pela Google: é um passo atrás, porque torna mais complicado o seu uso, elimina opções importantes do modelo antigo, substitui uma operação por duas e nos obriga a reaprender a usá-lo.
A decisão autoritária da Google demonstra desrespeito pelos usuários, muitos já anunciaram intenção de mudar para Yahoo ou Hotmail. Também serve de alerta, para que não coloquemos nossos ovos todos na mesma cesta e não nos tornemos reféns da Google.

PS: E a Google ainda espiona nossas mensagens.

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O legado de Roberto Marinho

Dez anos depois da sua morte, Paulo Nogueira lembra a obra do criador da Globo.

Do Diário do Centro do Mundo.
Dez anos sem o Doutor Roberto 
Paulo Nogueira

Então são dez anos sem o Doutor Roberto Marinho, um homem nas próprias palavras "condenado ao êxito", completados agora em agosto.
Lembremos sua jornada quase centenária sobre esta terra, contritos, e agradeçamos a ele por:
1) conspirar contra um governo democrático e abrir as portas para uma ditadura militar que matou, perseguiu e fez do Brasil um campeão mundial de desigualdade;
2) fazer um pacto com essa ditadura pelo qual em troca de receber uma rede de tevê a apoiaria incondicionalmente;
3) ocupar o Estado brasileiro, de tal forma que sucessivos governos o brindaram com empréstimos multimilionários a juros maternos ou pagáveis, eventualmente, até com anúncios;
4) ocupar também o legislativo nacional, de maneira que quando o Brasil se abriu à concorrência internacional a Globo permaneceu protegida por uma reserva de mercado que contraria o capitalismo de que nosso companheiro tanto falava;
6) levar ao estado da arte o merchandising, com o qual os brasileiros são estimulados subrepticiamente a tomar cerveja em todas as ocasiões em cenas de novela pelas quais os fabricantes de cervejas pagam um dinheiro muito além da propaganda normal;
7) montar uma programação à base de novelas que ao longo do tempo tanto ajudaram a entorpecer a alma e o espírito crítico de tantos brasileiros;
9) manter por tantos anos João Havelange e Ricardo Teixeira na CBF por causa das relações especiais, e com isso conseguir coisas como o pior horário de futebol do mundo, ainda hoje mantido por causa da novela;
A íntegra.

Mais Médicos: a aula dos alunos de medicina

Maioria dos brasileiros é a favor da importação de médicos.

Da Rede Brasil Atual.  
Estudantes criticam corporativismo e superficialidade de entidades de classe
Futuros profissionais querem mudanças na formação, na revalidação de diplomas estrangeiros e também nas políticas de enfrentamento aos problemas da saúde no país
por Cida de Oliveira

Para a Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem), críticas como a falta de um plano de carreira de estado, de estrutura de hospitais e de unidades de saúde, além de problemas no vínculo profissional com as prefeituras são necessárias, porém superficiais e corporativistas. "As entidades médicas têm pautado muito mais a questão dos planos de carreira e salários, e só, e isso ainda é pouco. Se não pautarmos os problemas do setor, passando pelas questões do financiamento, das privatizações, da estruturação da atenção básica, dos planos de carreira e da formação médica, pouco vamos alterar a situação da saúde no país", disse o coordenador geral da entidade, Vinicius de Jesus Rodrigues, 25 anos, estudante da Universidade Federal de Ouro Preto.Para Rodrigues, o rompimnto dessas entidades com o governo, ao se retirar dos postos que ocupavam em comissões e câmaras é uma estratégia para serem atendidas em suas reivindicações. No entanto, não sabe até que ponto isso pode ser efetivo. "Preferimos ocupar outros espaços de luta pela saúde, como os fóruns populares, a frente nacional contra a privatização e no auxílio à organização dos centros e diretórios acadêmicos e denúncia de políticas dos governos para somar forças e encorpar as ações e reivindicações."
A Denem, que esteve reunida no final de julho, em Belém, no 43° encontro nacional dos estudantes de Medicina, defende que os profissionais formados no exterior sejam devidamente avaliados e que não sofram retaliações, uma vez que eles terão em mãos parte da população brasileira, que deve ser atendida com dignidade. "Esses profissionais encontrarão situações complicadas de atendimento, e devem ser atores importantes nesse processo de denúncia de desmonte do SUS, das condições em que a saúde no país se encontra e, além disso, pautando as reais causas de toda a problemática", disse o dirigente.
A íntegra.

Quem matou Ricardo?

Mais uma denúncia contra a polícia paulista. Do Jornal GGN. 
Ricardo disse a testemunha que sempre recebia ameaças da PM
Mônica Ribeiro e Ribeiro 

O auxiliar de serviços gerais Ricardo Ferreira Gama, assassinado no último dia 2, recebia ameaças da polícia muito antes de ser agredido próximo ao campus da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) da Baixada Santista, em 31 de julho. A suposta razão da intimidação: um passado como traficante de drogas. Segundo uma das testemunhas da agressão, que conversou com o Jornal GGN sob condição de anonimato, a declaração foi feita por Ricardo a um grupo de estudantes após ser liberado da Santa Casa de Santos -- ele foi levado para o hospital pelos próprios PM que o agrediram.
Ricardo tinha cumprido cinco anos de reclusão por tráfico de drogas. Depois de sair da prisão, ele conseguiu um trabalho -- era terceirizado na universidade federal havia menos de um ano. "Ele dizia que era frequentemente abordado pela polícia. Eles o rondavam, o ameaçavam. Eram ameaças sempre desqualificando ele [sic], dizendo que ele não iria conseguir trabalho. O que dava pra entender era que as ameaças eram feitas para que ele não conseguisse se manter fora do tráfico. Foi isso que ele contou, não sei se tinham outras intenções da polícia", enfatizou.
Na ocasião, já de volta ao campus, o funcionário fez esse comentário com os três estudantes que gravaram parte da ação da polícia (veja vídeo abaixo) -- eles também tentaram fazer um boletim de ocorrência sobre o ataque, mas desistiram ao receber ameaça da polícia.
Em nota emitida pelo DCE (Diretório Central dos Estudantes), os universitários disseram que houve intimidação e ameaça de um policial sem identificação, dentro da própria delegacia -- eram três, no total. Segundo relatos já divulgados por outras testemunhas, entre a agressão e o atendimento médico, Ricardo teria sofrido novas ameaças dos policiais e alertado a desistir de relatar o fato à Polícia Civil. Por medo de represálias, ele pediu aos universitários que fizessem o mesmo.
A íntegra.

Monsanto, agrotóxicos, serviço secreto americano e vírus

Do Süddeutsche Zeitung, via Outras Palavras.
O lado mais sujo da Monsanto
Marinanne Falck Hans Leyendecker e Sílvia Liebrich, tradução de Regina Richau Frazão

No mês passado, a organização europeia protetora do meio ambiente “Amigos da Terra” e a Federação para meio Ambiente e Proteção à Natureza Deutschland (BUND) quiseram apresentar um estudo sobre os efeitos do herbicida glifosato no corpo humano. Os herbicidas que contêm glifosato são carros-chefes da Monsanto. A empresa fatura mais de dois bilhões de dólares somente com o agente Roundup. Dois dias antes da publicação do estudo em dezoito países, um vírus paralisou o computador do principal organizador, Adrian Bepp.
A [explicação para o vírus envolve a] espessa trama tecida ao redor do mundo pela Monsanto, cujos entroncamentos estão localizados nos serviços secretos norte-americanos, nas suas forças armadas, em empresas de segurança privadas e, é claro, também junto ao governo dos EUA. Um número expressivo de críticos da Monsanto relata ataques cibernéticos regulares, praticados com gabarito profissional. Também os serviços secretos e o serviço militar gostam de contratar hackers e programadores. Estes são especialistas em desenvolver cavalos de tróia e vírus para penetrar em redes de computadores alheios. O ex-agente da CIA Edward Snowden chamou atenção ao nexo entre as ações dos serviços de notícias e as movimentações da economia.

A revolução no Egito e os caminhos da democracia direta

Curiosa essa deposição de um presidente eleito no Egito. Do mesmo lado, militares e lideranças civis, entre as quais jovens que fizeram uma petição e conseguiram nove milhões de assinaturas a mais do que os votos que o presidente teve um ano antes. A mobilização, além de usar redes sociais, partiu do centro da capital para a os bairros da periferia. O fato é que as revoluções deste começo de século XXI têm características diferentes. Quem lê sobre a história dos séculos XIX e XX, vê a importância central dos partidos comunistas e da classe operária nas revoluções. Hoje, a classe operária não tem mais o protagonismo que tinha e o partido comunista não exerce liderança de massas. Mas revoluções continuam acontecendo, porque o objetivo que a humanidade persegue desde 1789, a democracia -- com igualdade, fraternidade e liberdade -- ainda não foi atingido. A democracia representativa, na qual o poder é exercido por políticos e juízes corruptos manipulados por lobbies, é um arremedo falido de democracia.

Do Opera Mundi.
Grupo de universitários e jornalistas deu início à deposição de Mursi no Egito
Por Marina Mattar 

"A constituição do Egito está suspensa e um gabinete de transição vai governar o país com o apoio dos militares até novas eleições." Foi com essas palavras que o general Abdel Fattah al-Sisi, ministro da Defesa e comandante das Forças Armadas, anunciou, no dia 3 de julho, em cadeia nacional, a deposição do então presidente do Egito, Mohamed Mursi, democraticamente eleito um ano antes.
Ao lado do general estavam presentes importantes personalidades políticas e religiosas do país, como o líder da Igreja Coopta egípcia, Pope Tawadros II, e Mohamed El Baradei, ex-chefe da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica da ONU) e opositor a Mursi. Entre os oficiais já conhecidos dos egípcios, vestidos com seus ternos e uniformes, uma nova face: sentado na última fileira e no canto, Mahmoud Badr.
Vestido com calça jeans e camiseta polo, o jovem, de apenas 28 anos, foi convidado pelo general a se levantar e dar sua declaração sobre um dos mais importantes acontecimentos da história política do Egito. "Nós queremos construir um Egito com todos e para todos", afirmou em cadeia nacional para milhões de telespectadores.
Descrito como a "nova face da revolução egípcia" pela mídia internacional, Badr é fundador e porta-voz do movimento Tamarrod (em português, rebelde), que está por trás das mobilizações contra Mursi. Além de ter conseguido 22 milhões de assinaturas em uma petição pedindo a deposição do presidente -- numero superior aos 13 milhões de votos em Mursi --, o grupo conseguiu levar mais de 30 milhões de pessoas para as ruas do país no dia 30 de junho em um grande ato contra o político da Irmandade Muçulmana.
"Eles iniciaram a segunda onda revolucionária no Egito", afirma a Opera Mundi o economista Samir Amin, que é também membro do Partido Comunista no país e uma figura influente na cena política nacional. "A campanha foi uma iniciativa extraordinária!", acrescenta ele, elogiando os jovens.
O grupo foi formado em abril deste ano por jovens jornalistas e universitários com o objetivo de reunir assinaturas contra o presidente da Irmandade Muçulmana, tendo o aniversário de um ano de sua eleição (dia 30 de junho) como data limite. "Nós não tínhamos certeza do número de assinaturas que conseguiríamos. Pensamos que talvez teríamos 5, 7 milhões ou, no máximo, 15 milhões. Foi uma grande surpresa o número que atingimos!", conta a Opera Mundi um dos membros do movimento, Mohamed Khamiis.
A ideia de lançar a petição veio de Hassan Chachine, de apenas 23 anos, depois de algumas conversas com amigos sobre a situação política no Egito. Os jovens acreditavam que a revolução estava começando a se afastar do povo, apesar da crescente insatisfação com o governo nacional. "Começamos a traçar uma estratégia para levar a revolução das praças públicas para os bairros, vilas, ruas, becos, mas sem usar a violência", explica Badr.
Batizada de Tamarrod em homenagem a um jornal sírio criado por jovens que lutam contra o presidente Bashar al Assad, a iniciativa foi divulgada pelos seus cinco fundadores nas redes sociais e, logo, se tornou popular entre a juventude egípcia. Qualquer pessoa interessada na ideia poderia imprimir a folha da petição e coletar assinaturas com seus amigos e vizinhos – desde que fossem eleitores registrados.
A íntegra.

domingo, 11 de agosto de 2013

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Ex-veja vê livro de veja sobre José Dirceu

Conti foi editor executivo da revista que escalou um para escrever livro sobre o líder petista. Nas primeiras seis páginas o mestre encontrou uma montanha de erros grosseiros do discípulo. Boa matéria para quem ainda lê veja.

Da revista piauí. 
Chutes para todo lado  
por Mário Sérgio Conti
O título do livro de Otávio Cabral é "Dirceu – A Biografia". O autor poderia ter dispensado o artigo ou posto "uma biografia". Mas tascou a biografia, o que indica a pretensão de ter feito o relato completo e fidedigno da vida de José Dirceu. Tarefa difícil porque o biografado não quis ser entrevistado pelo biógrafo.
Otávio Cabral diz no prólogo ter contado com a ajuda de dois pesquisadores para "vasculhar nove arquivos públicos". Três linhas adiante repete o verbo: "Vasculhei os acervos de nove jornais e oito revistas nacionais, além de quatro publicações estrangeiras", se bem que a BBC não seja uma publicação, e sim uma emissora e um site. Ele fez mais que pesquisar arquivos e órgão de imprensa: vasculhou-os, que os dicionários definem como investigar e esquadrinhar com minúcia.
O livro começa em 1968, com os pais de José Dirceu assistindo pela televisão à sua prisão no Congresso da União Nacional dos Estudantes, em Ibiúna. Informa que a notícia da prisão de José Dirceu foi "transmitida em rede nacional de televisão". Mas o Brasil só teria rede nacional de tevê no ano seguinte.
O autor diz e rediz que Passa Quatro, onde José Dirceu nasceu, tinha 11 mil habitantes. São Paulo contava com 4 milhões de moradores quando ele se mudou para lá. O autor faz o cálculo e conclui que a capital era "trezentas vezes maior do que a sua Passa Quatro natal". Cálculo errado: São Paulo era 363 vezes maior. Dirceu estudou no Colégio Paulistano, "na rua Avanhandava, próximo à praça da Sé". Não, a escola ficava na rua Taguá, na Liberdade. Preparou-se para o vestibular no curso "Di Túlio", que se grafava "Di Tullio".
Antes do golpe de 1964, segundo a biografia, José Dirceu conheceu o autor de novelas Vicente Sesso, "com quem foi trabalhar na TV Tupi, ajudando a redigir roteiros". Sesso "acabara de escrever Minha Doce Namorada, que deu à atriz Regina Duarte o apelido de 'a namoradinha do Brasil'". E José Dirceu "foi praticamente adotado por Sesso, que o levou para morar na sua casa, no mesmo quarto de seu filho adotivo, o ator Marcos Paulo".
José Dirceu não trabalhou na TV Tupi nem fez roteiros. Foi datilógrafo de Sesso. Nunca morou na casa do escritor. Sesso, isso sim, lhe emprestou uma casa que tinha na rua Treze de Maio. Ele só veio a escrever Minha Doce Namorada em 1971, às pressas, para substituir uma novela que obtivera pouca audiência. Essas informações foram dadas pelo próprio José Dirceu numa entrevista a Marília Gabriela que se encontra transcrita na internet. A data e a composição deMinha Doce Namorada podem ser achadas em histórias da teledramaturgia.
São erros tolos? Sem dúvida. Para a caracterização de José Dirceu, interessa pouco saber que em 1968 não havia rede nacional de televisão. Que estudou em tal rua, e não em outra. Que São Paulo era tantas vezes maior que Passa Quatro. Que não escreveu roteiros para a tv Tupi. Mas todos esses equívocos estão nas seis primeiras páginas do capítulo inicial. E a sexta página se encerra com um abuso: Otávio Cabral afirma que José Dirceu apoiava Jango "mais para se opor ao pai do que por ideologia". Nada autoriza o biógrafo a insinuar o melodrama edipiano. Ainda mais porque, dois parágrafos adiante, é transcrita uma declaração na qual José Dirceu afirma que, no dia mesmo do golpe, se opôs à ditadura por "um problema de classe".
O livro realça aspectos pessoais em detrimento dos políticos. Ele repete cinco vezes que nos anos 60 Dirceu tinha cabelos compridos, outras quatro que era cabeludo, e duas dizendo que deixava a "barba por fazer". Caso o leitor não tenha percebido, o livro estampa ainda catorze fotos de Jose Dirceu de cabelos longos e a barba nascendo. A aparência não é anômala nem define o biografado. Muitíssimos jovens eram assim naquela época.
Em contrapartida, o biógrafo não analisa se nos anos 60 José Dirceu era reformista ou revolucionário. Se queria o socialismo ou não. Se considerava a luta de classes o motor da história. Não explica se acreditava mais na guerrilha, no terror ou na legalidade institucional. Ao "vasculhar" a vida de José Dirceu, Cabral se ateve a uma ideia prévia, que ele enuncia assim: "Encontrava na atividade política um prazer e vislumbrava nela uma chance de ascensão social e profissional".
A íntegra.

Na Abbey Road, há 44 anos

abbey-road-2
Do Diário do Centro do Mundo.
O dia em que os Beatles atravessaram a Abbey Road
Paulo Nogueira
Foi hoje, 8 de agosto, há 44 anos.
Hoje, em 1969, os Beatles atravessaram a Abbey Road.
Ninguém – são – que vá a Londres deixa de imitá-los, na Abbey Road.
A zebra da rua foi tombada, três anos atrás. Ninguém mais pode removê-la.
A íntegra.

A França (também) contra a Monsanto

Swissinfo, via Em pratos Limpos
França prorroga moratória sobre milho da Monsanto
O presidente francês, François Hollande, confirmou nesta sexta-feira a prorrogação da moratória sobre o cultivo do milho transgênico MON810 da Monsanto, apesar de, na véspera, o Conselho de Estado ter anulado a proibição do cultivo deste milho geneticamente modificado [após divulgar entendimento, oposto ao da precaução, de que uma moratória só teria base legal caso o produto apresentasse sérios riscos à saúde e ao meio ambiente].
"Haverá uma prorrogação da moratória", afirmou o presidente, acrescentando ser necessário "garantir juridicamente esta decisão em nível nacional e, sobretudo, em nível europeu".
A França, assim como outros países europeus (Áustria, Hungria, Grécia, Romênia, Bulgária, Luxemburgo), proíbe desde 2008 o cultivo do MON801 em seu território.
"Por que fizemos a moratória sobre os OGM (organismos geneticamente modificados)? Não porque sejamos contra o progresso, mas em nome do progresso. Nós não podemos aceitar que um produto, um milho, possa ter consequências desfavoráveis sobre as outras produções", acrescentou François Hollande, que fez essas declarações em uma propriedade na região de Sarlat, em Dordogne (sudoeste), conhecida por suas plantações de milho.
A íntegra.

Polícias: os criminosos são as vítimas

Do Jornal GGN.
Polícia Civil carioca tentar criminalizar mulher de Amarildo
Sem respostas pelo desaparecimento de Amarildo, a polícia carioca pediu a prisão temporária de sua companheira, Elizabete Gomes da Silva. Segundo o advogado João Tancredo, responsável pela defesa da família, essa é uma tentativa de "criminalizar a vítima".
Responsável pela prisão temporária de "Bete", o delegado Ruchester Marreiros, ex-adjunto da 15ª Delegacia de Polícia, hoje na DRCI (Delegacia de Repressão a Crimes de Informática), alegou o envolvimento dela com o tráfico. Entretanto, o pedido foi desconsiderado pelo titular da delegacia, Orlando Zaccone, e pelo Ministério Público.
Para Tancredo, a medida é "uma clara tentativa de criminalizar a vítima", lembrando a investigação do caso da engenheira Patrícia Amieiro, também desaparecida, na qual surgiu uma testemunha dizendo que ela havia ido comprar drogas em uma favela. "Você fala que a pessoa tinha ligação com o tráfico como se assim pudesse justificar a morte."
A íntegra.

Do Pragmatismo Político.
Chacina: vizinha viu PM pular muro
Uma vizinha disse ter visto duas pessoas -- entre elas, um policial militar fardado -- pularem o muro da casa do casal de PM Andreia Bovo Pesseghini e Luís Marcelo Pesseghini, por volta das 12h de segunda-feira (5/8/13), e comentarem que a família estava morta.
- Ele falava que ele entrou na casa e viu todo mundo morto. E saiu. Só que daí, eles saíam e não veio ninguém. Só às sete horas da noite que veio aparecer alguém. [sic]
Andréia, o marido, o filho deles -- Marcelo Eduardo Bovo Pesseghini, de 13 anos -- a mãe e uma tia-avó foram encontrados mortos,em casa, por volta das 18h de segunda-feira (5).
Para as polícias Civil e Militar, o autor do crime foi o filho do casal.
A íntegra.
Em entrevista à Rádio Bandeirantes, o coronel Wagner Dimas, comandante do 18º Batalhão da PM, afirmou que a cabo Andréia Regina Pesseghini, morta em chacina na última segunda-feira (5/8/13), havia feito denúncias contra colegas policiais por envolvimento com roubo a caixas eletrônicos.
A íntegra.

A ameaça a Galápagos

Da BBC.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Agressões contra eleitores na Câmara de Vereadores de BH

Dizem em propaganda (paga com dinheiro público) que se trata da "casa do povo", mas os vereadores -- a começar pelo seu presidente -- não gostam dos eleitores e mandam leões de chácara (pagos com dinheiro público) agredi-los. 

Do Portal Minas Livre.
Protesto com distribuição de coxinhas termina em violência em BH
Thais Mota
Um ato pacífico organizado por integrantes da Assembleia Popular Horizontal (APH) terminou em violência, na tarde desta segunda-feira, dia 5 de agosto, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, ocupada há cinco dias por manifestantes. Aos gritos de "Cadê o Coxinha?", eles tentaram distribuir coxinhas durante a sessão plenária com o objetivo de pressionar o retorno do presidente da casa, Léo Burguês (PSDB), mas foram impedidos. Manifestantes afirmam ter apanhado de seguranças da Câmara.
"Fomos agredidos pelos seguranças e ainda deram voz de prisão a um dos manifestantes. Estão nos impedindo de subir e descer do plenário e ameaçaram retirar as barracas que estão em frente à Câmara", afirma Paulo Rocha, membro da APH que está na ocupação. Ainda nesta segunda-feira, Léo Burguês afirmou que vai pedir, na Justiça, a reintegração de posse da Câmara Municipal.
A íntegra.

Alckmin e os cartéis

A política brasileira merece quase sempre cobertura humorística.

Do The piauí Herald.
Alckmin cria faixa exclusiva para circulação de cartéis 
Sé -- Após denunciar a formação de um truste comunista no Cace, o CEO Geraldo Alckmin anunciou a implementação de uma faixa exclusiva para a livre circulação de cartéis em São Paulo. "Nossa holding localizada no Palácio dos Bandeirantes está analisando um processo de otimização do tráfego" explicou, enquanto negava a criação de um oligopólio tucano no governo paulista.
Alckmin anunciou ainda que estuda realizar um IPO na Bovespa para angariar carisma para seu governo. "Temos um dossiê que comprova a prática de dumping na base aliada do governo Dilma para desvalorizar a oposição", denunciou. "Disso, a Mídia Ninja não fala", concluiu, algo esbaforido.
Os jornais de grande circulação divulgaram nota oficial para justificar a demora em repercutir as denúncias no metrô paulista levantadas por revistas semanais em julho: "Ficamos presos no trânsito".
A íntegra.

Resultados das manifestações em SP

A nova imprensa progride de várias formas, como por exemplo este programa de tevê do Sindicato dos Bancários de SP em parceria com blogueiros e que vai ao ar na internet.

 
Do blog Viomundo.
Haddad: 50% da vitória do MPL ficou no bolso dos empresários
Luiz Carlos Azenha 
Em entrevista ontem no programa Contraponto -- uma iniciativa do Sindicato dos Bancários em parceria com blogueiros –, o prefeito Fernando Haddad disse que, durante as manifestações de junho, em São Paulo, o Movimento Passe Livre obteve uma vitória mais política que econômica para os trabalhadores. Isso porque, segundo Haddad, os subsídios que vão cobrir a diferença nas tarifas — que, afinal, não foram reajustadas em 20 centavos — serão repassados em parte (50%) aos empresários que compram o Vale Transporte.
Haddad disse que desde então aceitou todas as reivindicações pela transparência sobre os custos do transporte público em São Paulo: CPI, auditoria internacional e abertura completa das planilhas.
O prefeito revelou que é prisioneiro da velha mídia: estranhou a falta de repercussão de uma proposta que apresentou, antes que as manifestações irrompessem, na Folha de S. Paulo. Ao que o blogueiro Paulo Henrique Amorim respondeu: "Ninguém lê a Folha". Deveria ter apresentado a proposta -- de municipalização de um imposto sobre a gasolina, a Cide, Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, para subsidiar o transporte público -- na internet.
A íntegra.

O jogo de futebol visto pelo juiz

Interessante. Bem pior do que ver pela tevê.

A aula da Mídia Ninja no Roda Viva

Ninja (Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação). Foi de deixar a direita indignada e a esquerda perplexa, mas expressa um capítulo relevante das mudanças na sociedade brasileira, impulsionado pelas redes sociais, como escreveu Luís Nassif (vale a pena ler a análise do Nassif).
Um bom Roda Viva, que trata de assuntos importantes referentes à imprensa. Logo de início fica evidente o contraste entre desconforto dos velhos da velha imprensa (é patético o tom professoral do Caio Túlio ex-Folha; Suzana Singer parece uma velha rabugenta) e a condição absolutamente à vontade dos jovens da nova imprensa. A internet é um novo paradigma que os velhos tentam entender com a cabeça velha. Os velhos só estão preocupados com questões velhas, que dizem respeito à velha imprensa -- e que eles não foram capazes de resolver. O que eles têm a dizer sobre a independência da velha imprensa? Qualquer velho jornalista sabe que ela acaba onde começa a dependência do departamento comercial do jornal, revista, rádio ou tevê. Isso para não dizer do veículo que atua como partido político, como acontece no Brasil explicitamente desde 2002. O mais impressionante é que o velhos (com exceções não enfáticas) expressam uma visão de jornalismo que exclui a liberdade de expressão de todos os pontos de vista e pressupõe imparcialidade, o que ela evidentemente não tem, mas prega. Curioso também que os velhos entrevistadores tenham tempo e sossego para perguntar, mas sempre exijam rapidez dos jovens entrevistados e os interrompam. Mal nasceu, a Mídia Ninja passa por um interrogatório implacável que nunca foi feito à Globo, à Veja, à Folha, por exemplo. As cabeças velhas simplesmente não conseguem entender o que os jornalistas ninjas falam. E, no entanto, eles se saem muito bem, porque, ao contrário da velha imprensa, não têm o que esconder. E dão uma aula não só de nova imprensa, mas também de nova cultura e nova economia. Diz o Pablo: "A gente é uma experiência de um acúmulo de vinte anos de midialivrismo". Conti despediu-se com um programa à altura de velhos Rodas Vivas e que ficará na história.
PS: Aqui novo artigo do Nassif sobre a intolerância contra Mídia Ninja.  

Ferrovias? Só para cargas

Para chegar ao poder, o PT se transformou de partido dos trabalhadores em partido do capital. Aconteceu isso com todos os partidos trabalhistas e socialistas. A diferença em relação aos outros partidos do capital é que, pela sua origem, tem mais sensibilidade para os problemas dos trabalhadores e faz mais por eles, o que o torna mais popular, mas o ponto de vista preponderante é o do capital. Isso fica evidente nesta questão das ferrovias. O trabalhador faz uma pergunta que expressa o ponto de vista do trabalhador e a presidente responde expressando o ponto de vista do capital. Ela simplesmente não entende do que ele está falando, no máximo pode conceder que o trem de passageiros seja um subproduto do transporte de cargas, como acontece com os trens da Vale, no Pará e em Minas, que maltratam os passageiros, não têm horário, param em estações no meio do nada, sem transporte para a cidade próxima, cobram caro e vivem lotados. A população quer ferrovias para transporte de passageiros, mas o partido do capital só consegue pensar no transporte de cargas para "o crescimento econômico". Crescimento é eufemismo de capital.

Do Blog do Planalto.
Colula semanal da Presidenta Dilma Rousseff

Paolo Savergnini Pessali, 27 anos, contador de Vitória (ES) – Por que, até hoje, um país continental como o Brasil não investe em ferrovias? Este país é tão refém assim da indústria automobilística e dos grandes empresários do transporte rodoviário? Eu sonho com um governo que realize essa demanda básica para o povo brasileiro, desde criança.

Presidenta – Paolo, com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nós voltamos a investir em ferrovias, e já temos obras em andamento numa extensão de 2.576 km e investimentos de R$ 8,3 bilhões nos PAC 1 e 2. Somente no PAC 2 foram destinados R$ 5,7 bilhões, dos quais R$ 3,5 bilhões do Orçamento Geral da União e R$ 2,2 bilhões privados. Entre as linhas férreas beneficiadas com estes investimentos, estão a Ferrovia Norte-Sul (trecho TO/SP), a Ferronorte (MT) e a Ferrovia Oeste-Leste (BA). Já está concluído o trecho de 96 km da Transnordestina entre Missão Velha e Salgueiro (PE) e está em operação o trecho de 113 km da extensão da FerroNorte, entre Alto Araguaia/MT e Itiquira/MT. E daremos um salto com o Programa de Investimentos em Logística - Ferrovias, que aplicará R$ 91 bilhões, em parceria com a iniciativa privada, na construção e modernização de 10 mil km de vias férreas. A maior parte do investimento, R$ 56 bilhões, será feita nos primeiros cinco anos das concessões. Eles construirão as vias e uma empresa estatal, a Valec, pagará pela obra e venderá a capacidade de transporte às empresas, garantindo o acesso igualitário a todos os interessados. As ferrovias são fundamentais para o crescimento da economia brasileira, pois nossas safras, nossos minérios, nossa produção e insumos, precisam percorrer distâncias longas, muitas vezes inadequadas ao uso de caminhões, e precisam chegar aos mercados com custos competitivos e em tempo hábil.
A íntegra.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Mais sobre o processo contra a Globo

Do blog Cafezinho.
Vazam mais páginas do Globogate 
Por Miguel do Rosário
Mais algumas páginas do relatório da Receita Federal que trata da milionária sonegação da Rede Globo acabam de vazar. O Cafezinho mais uma vez divulga o fato em primeira mão. As novas páginas disponibilizadas referem-se à decisão final da Receita de condenar a Globo ao pagamento de multa de 150%, mais juros de mora, sobre o valor sonegado.
Importante anotar a data deste documento: 21 de dezembro de 2006. Alguns dias depois, estes documentos seriam roubados pela servidora Cristina Maris Meinick Ribeiro.
No documento, os auditores votam, por unanimidade, pela culpa do réu e dão 30 dias para a Globo pagar a dívida, a menos que recorresse ao Conselho de Contribuintes no mesmo prazo. O roubo do processo, alguns dias depois, permitiu à Globo adiar por um longo tempo a renegociação deste débito.
A íntegra.

A revista veja agoniza

O jornal americano The Washington Post foi vendido. E a Editora Abril agoniza, diz quem a conhece por dentro.

A agonia da Abril 
Paulo Nogueira
A comunidade jornalística está em estado de choque pela carnificina editorial ocorrida na Editora Abril.
Mas eis uma agonia anunciada.
Revistas – a mídia que fez a grandeza da Abril – estão tecnicamente mortas, assassinadas pela internet.
Os leitores somem em alta velocidade. Quando você vê alguém lendo revistas (ou jornal) num bar ou restaurante, repare na idade.
Jovens estão com seus celulares ou tablets conectados no noticiário em tempo real.
Perdidos os usuários, foi-se também a publicidade. Em países como Inglaterra e Estados Unidos, a mídia digital já deixou a mídia impressa muito para trás em faturamento publicitário.
E no Brasil, ainda que numa velocidade menor, o quadro é exatamente o mesmo. Que anunciante quer vincular sua marca a um produto obsoleto, consumido por pessoas "maduras".
Apenas para lembrar, no mundo das revistas, nunca, em lugar nenhum, funcionou publicitariamente revista para o público "maduro".
Sucessivas revistas para mulheres "de meia idade" em diversos países fracassaram à míngua de anúncios. O anunciante quer o jovem no auge do consumo. É um fato.
Crises as editoras de revistas enfrentaram muitas. Mas esta é diferente. Desta vez, o caso é terminal.
A íntegra.

Da revista Carta Capital.
Editora Abril fecha revistas Alfa, Gloss, Bravo! e Lola 
Por Lino Bocchini
A editora Abril está fechando na tarde desta quinta-feira 1º de agosto as revistas Gloss, Alfa e Lola. Ontem (quarta) já havia sido anunciado o fim da revista Bravo. Também foram “descontinuados” (eufemismo para fechados) os sites da Contigo e o abril.com. Já são mais de 150 funcionários demitidos nas últimas horas -- nas redações citadas e também no portal M de Mulher, nas revistas Info, Recreio, Contigo e Cláudia e no saite Bebê.com. A expectativa nos corredores do prédio da Marginal Pinheiros é que mais títulos entrem no corte. E acredita-se que a empresa deve se posicionar oficialmente ainda hoje.
Atualização das 15h45: As demissões atingiram também as revistas Quatro Rodas, Viagem & Turismo, Placar e Men's Health. E a redação da Veja, onde 15 foram demitidos. Até agora o blog confirmou o nome de André Petry, correspondente em Nova York. Entre os demais nomes da Veja, muitos que não são da arte (pesquisadores de imagem, arte etc.).
Na Viagem & Turismo e Men's Health, revistas que não fecharam, foram cortados os diretores de redação (maior cargo de cada publicação). A função fica a cargo dos diretores de núcleo, que funcionarão diretores de redação de várias publicações ao mesmo tempo.
A íntegra.