terça-feira, 30 de setembro de 2014

Por que a nascente do São Francisco secou?

É o que todos queremos saber.
Minas Gerais é chamado de "caixa d'água do Brasil", porque nestas montanhas nascem o Rio São Francisco e muitos outros essenciais para a vida no país.
São minas de águas e também minas de minérios, de ouro, de diamantes, de ferro e outros, cuja exploração povoou o estado.
A exploração de minérios vem, há séculos, poluindo, assoreando e secando rios, riachos, nascentes.
As regiões mais ricas em minérios são as que se tornam mais miseráveis.
No mesmo dia em que o diretor do Parque Nacional da Serra da Canastra anunciava a secagem da principal nascente do Velho Chico, o Ibama anunciava autorização de funcionamento do mineroduto que vai levar minério do pobre Jequitinhonha até o porto, para embarque e exportação.
Que nação estrangeira rica acreditaria nisso? Vamos usar água limpa para transportar minério para os ricos consumirem.
Muita água. Suficiente para abastecer uma cidade de 400 mil habitantes.
Quem se beneficia disso? A grande empresa mineradora, as nações estrangeiras compradoras e a "balança de pagamentos", que é o nome que se dá ainda, mais de cinco séculos depois, à troca que o Brasil faz de produtos primários (alimentos e minérios) por artigos industrializados.
A agonia do Rio São Francisco mal foi falada pela imprensa, preocupada com o "desenvolvimento", a inflação, os baixos índices de crescimento econômico.
A falta d'água em São Paulo é notícia diária -- quando a tragédia ambiental se torna drama humano, aí sim é intensamente explorado.
Mas a tragédia ambiental é silenciosa.
Vamos destruindo as condições naturais que possibilitam a vida humana na Terra. Cada vez de forma mais rápida e extensa.
Os danos do garimpo eram artesanais, os danos de um mineroduto têm escala industrial.
A transposição do São Francisco foi notícia porque a polêmica prejudicava o governo do PT, ao qual a "grande" imprensa faz oposição. Quem no entanto, entre os que têm poder, a começar pela imprensa, levou a sério a necessidade de recuperação da bacia do rio?
Só o Projeto Manuelzão age, de forma tão persistente quanto solitária.
Há quatro anos, às vésperas das eleições de 2010, Aécio e Anastasia nadaram no Rio das Velhas para demonstrar que tinham limpado o rio, mas era mentira e o rio continuou morrendo.
Há mais de trezentos anos a mineração destrói o ambiente e mata os rios das Minas Gerais.
E vai continuar assim até que falte água de beber, água para as criações, água para as plantações, água para a indústria funcionar e para mineração destruir as montanhas.
A imprevidência, o imediatismo, o descaso com o futuro e com as novas gerações fazem parte da "natureza" do capitalismo, que só persegue o lucro imediato.
É o que se chama de "crescimento econômico", de "desenvolvimento", de "progresso".
O que acontece diferente disso é feito por nós que não vivemos dos rendimentos do capital nem dos lucros das empresas, que dependemos do nosso trabalho para sobreviver.
É a vida.
Um mundo sem água -- a maior de todas as riquezas minerais -- é o que vamos legar aos nossos filhos e netos.
A seca já começou.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A incompetência da vivo

A funcionária que me atendeu na loja, há nove dias, me informou que a vivo recebe muitas reclamações como a que eu fiz. Disse mesmo que a maioria das reclamações é de cobrança indevida de serviços.
O argumento da última atendente, Renata, é que a culpa é da vítima: eu teria recebido uma mensagem oferecendo o serviço e aceitado. A vivo não tem nada com isso, me disse, e tenho de cancelar o serviço -- que eu nem imagino qual seja e não desfruto dele, só pago por ele -- com quem o presta.
Segundo a atendente da ouvidoria da vivo, a empresa "só empresta a fatura para cobrar pelo serviço".
Tudo isso torna ainda pior o serviço da vivo e demonstra a incompetência da empresa.
Se ela não tem responsabilidade nenhuma e recebe tantas queixas dos clientes, já deveria ter tratado de resolver isso, para não prejudicar sua imagem. É o que qualquer empresas competente e séria faz. Por que deixar que um problema sobre o qual não tem responsabilidade suje sua imagem?
Não é muito melhor identificar a origem e cancelar o tal serviço?
Não é muito melhor para ela não intermediar a cobrança?
O que ganha a vivo com isso?, já que perder -- em credibilidade -- ela perde.

O péssimo serviço da vivo

E o desrespeito absoluto pelo cliente. E cobrança indevida.

A história:

Desconfiei que o meu crédito no celular para falar com outras operadoras estava diminuindo sem que eu fizesse ligações.
Fiquei um mês sem ligar para outras operadoras (pelo plano, ligações para a mesma operadora são gratuitas) e no fim confirmei que o crédito tinha praticamente zerado. Como?
Fui a uma loja para saber o que estava acontecendo e expliquei à atendente -- muito atenciosa e, registre-se desde já, a única assim dos cinco pelos quais passei.
Ela descobriu que estava sendo cobrado um serviço de mensagem, e pior: além do crédito zerado, eu ainda estava devendo.
Ele imprimiu um registro de atendimento, com inúmeros códigos que a gente não entende, cujo único valor para mim era comprovar que apesar de só ter feito uma ligação de 0,55 centavos eu ainda devia à vivo 9,52, mesmo pagando todas as contas em dia.
Não conseguiu no entanto saber que serviço era e muito menos cancelá-lo.
Chamou uma funcionária mais graduada, que também não conseguiu resolver.
Ligou para um número da empresa, explicou o problema e me pôs em contato, mas a atendente também não conseguiu resolver e me devolveu para a funcionária atenciosa.
A moça reafirmou sua incapacidade de resolver o problema, mas disse que a ouvidoria da vivo o resolveria; anotou o telefone da ouvidoria (0800 775 1212), me entregou o protocolo do atendimento e garantiu que o problema seria resolvido com um telefonema e que eu receberia de volta os débitos indevidos feitos nos últimos três meses. Havia um problema, no entanto: teria de ligar na segunda-feira, pois a ouvidoria não atendia no fim de semana, e era sábado.
Achei aqui péssimo, pois a empresa tinha constatado uma cobrança indevida, mas não resolvia o problema e eu não poderia usar o aparelho no fim de semana. Não havia o que fazer, porém.
Na segunda-feira liguei para a ouvidoria e expliquei o caso. O rapaz me ouviu, disse que localizou minha conta, me fez perguntas e encerrou perguntando se precisava de mais alguma coisa, agradecendo a ligação ou coisa assim.
Ingenuamente, eu perguntei se estava tudo resolvido, se as cobranças indevidas já tinha sido creditadas. Ele respondeu que não, que o caso ia ser analisado e respondido em cinco dias. Fiquei perplexo: mais uma semana sem poder ligar do aparelho!
Exercitei toda a minha paciência e meu otimismo e esperei.
Passou-se a semana inteira e nenhum contato, apesar de o rapaz ter me pedido todos os números de telefone possíveis, inclusive fixos que não são da vivo...
Hoje liguei de novo para a ouvidoria.
Primeiro, atendeu-me a Regina; passei-lhe todas as informações anteriores, ela disse que eu tinha feito uma solicitação de devolução de créditos que não tinha sido atendida. Eu lhe expliquei que não fui eu quem pediu a devolução do crédito, que foi a atendente da loja. Ela me fez novas perguntas e enquanto eu respondia, ela desligou, ou a linha caiu.
Tornei a ligar. Atendeu-me Natália, e eu lhe passei mais uma vez meus dados pessoais e lhe expliquei pela quinta vez a situação. Natália deixou-me ouvindo uma música alta e irritando durante longo tempo, até que desisti e desliguei.
Liguei de novo e uma gravação me informou que "todos os colaboradores estavam ocupados". E mais música alta.
Desliguei e tornei a ligar várias vezes. Por fim atendeu-me Renata, que, depois de ouvir toda a história novamente, me respondeu que a vivo não tem responsabilidade sobre o serviço contratado, que não poderia me devolver as cobranças indevidas e nem mesmo cancelar o serviço -- coisa a moça na loja, a primeira a me atender, nove dias atrás, me disse ter feito.
O que eu faço então?, perguntei.
Renata me recomendou esperar até que uma nova mensagem fosse enviada para o celular referente ao serviço que não soube dizer qual é, e quando isso acontecesse eu deveria digitar a palavra "sair", assim o serviço seria cancelado sabe-se lá por quem...
Perguntei se tinha outra opção além da que ela me deu ou cancelar a linha, ela respondeu que não e me sugeriu mandar uma mensagem para *8486.
Pedi então o telefone da Anatel e ela me respondeu que não sabia. Eu estranhei e argumentei que era obrigação dela fornecer esse telefone. A essa altura minha paciência já tinha se esgotado e eu estava nervoso, mas a atendente Renata -- que deveria ser treinada para atender o público com educação, ainda mais numa ouvidoria -- era mais grosseira do eu: desligou o telefone na minha cara.  

Esta é a vivo, que faz tanta propaganda de maravilhas e patrocina eventos nos quais vende sua propaganda de melhor operadora. Melhor seria mudar o nome para morto.

PS: O telefone *8486 também cai numa moderna, simpática, eficiente e longa gravação que termina nos mandando aguardar e depois a ligação cai... Em outras palavras: é impossível resolver o problema na vivo -- será possível cancelar a linha?
PS2: Perdi mais de uma hora da minha manhã tentando resolver o problema e não consegui.  

domingo, 28 de setembro de 2014

O melancólico fim da revista veja

Não tem um grande jornalista brasileiro que ainda confia no "carro-chefe" da editora Abril.

Do jornal GGN.
Os motivos por trás da guerra de Veja contra o PT
dom, 28/9/2014 - 9:11, atualizado em 28/9/2014 - 9:12

Jornal GGN - Neste final de semana, o jornalista Ricardo Kotscho em sua coluna criticou a última capa da revista Veja com a chamada "Exclusivo -- O núcleo atômico da delação -- Paulo Roberto Costa diz à Polícia Federal que em 2010 a campanha de Dilma Rousseff pediu dinheiro ao esquema de corrupção da Petrobras".
"Parece coisa de boletim de grêmio estudantil", ironizou Kotscho que lembrou de uma história que ouviu de Eduardo Campos, em 2012. Disse-lhe o ex-presidenciável que ficou perplexo ao ouvir de Roberto Civita:  "Você está vendo estas capas aqui? Esta é a única oposição de verdade que ainda existe ao PT no Brasil. O resto é bobagem. Só nós podemos acabar com esta gente e vamos até o fim".
Segundo Kotscho a causa da "bronca" da Veja contra o PT ocorreu no início do primeiro governo Lula, quando o governo resolveu redistribuir verbas publicitárias, reservadas antes apenas à grande mídia.

Balaio do Kotscho
Melancólico fim da revista "Veja", de Mino a Barbosa

Por Ricardo Kotscho
Uma das histórias mais tristes e patéticas da história da imprensa brasileira está sendo protagonizada neste momento pela revista semanal "Veja", carro-chefe da  Editora Abril, que já foi uma das maiores publicações semanais do mundo.
Criada e comandada nos primeiros dos seus 47 anos de vida, pelo grande jornalista Mino Carta, hoje ela agoniza nas mãos de dois herdeiros de Victor Civita, que não são do ramo, e de um banqueiro incompetente, que vão acabar quebrando a "Veja" e a Editora Abril inteira do alto de sua onipotência, que é do tamanho de sua incompetência.
Para se ter uma ideia da política editorial que levou a esta derrocada, vou contar uma história que ouvi de Eduardo Campos, em 2012, quando ele foi convidado por Roberto Civita, então dono da Abril, para conhecer a editora.
A íntegra.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

A história do combate à fome e à miséria no Brasil

Um bom texto que mostra coisas que ficam esquecidas (além de pessoas): que as políticas governamentais são articulações continuadas, não são mérito exclusivo de um político ou um governo, e que elas são tão mais bem-sucedidas quanto têm participação da sociedade.
Um dos méritos dos governos do PT e que corre risco com a eleição de Aécio ou Marina, é este. Lula e Dilma ampliaram o que chamam de "prática republicana". 
A primavera começou oficialmente no finalzinho da segunda-feira, quase terça.

Do jornal GGN, em 26/9/14.
Fome de Verdade
Denise Paiva

A chegada da primavera, neste domingo, 21 de setembro, no Rio Janeiro, foi inesperadamente chuvosa com o poder de nos deter em casa, nos impelindo a ler e refletir. Chamou minha atenção o artigo de Flávia Oliveira, no Globo, "Valeu Betinho", e também a informação da ONU de que o Brasil está excluído do Mapa da Fome. Não consegui deter a "traição dos meus dedos" e toquei alguns telefones. Sim, precisei compartilhar e constatar o sentimento de que há de fato, no Brasil, uma grande fome: a fome de verdade.
Não temos mais aquela realidade que o Presidente Itamar fez questão de divulgar numa histórica reunião ministerial em fevereiro de 1993, através de uma socióloga de carreira, sua conterrânea de Juiz de Fora, chamada Ana Peliano. Tiramos, até com certo receio (eu participei deste trabalho), das prateleiras quase extintas do Ipea um estudo lá existente que passou a se chamar Mapa da Fome, para efeitos de divulgação, tendo sido, posteriormente, adotado pela FAO.
Tal estudo revelou a estimativa de que 32 milhões de brasileiros passavam fome. Esta fome foi debelada, nos últimos 20 anos, por esforço conjunto de governo e sociedade, distribuição de cestas básicas, reforma agrária, Lei Orgânica da Assistência Social, universalização da alimentação escolar, programas de transferência de renda – como bolsa escola, bolsa alimentação e depois bolsa família –, mas especialmente pelo combate à inflação.
Em particular merece ser assinalada e reconhecida a grande mobilização social chamada Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida, liderada pelo Betinho, que teve seu auge e existência vigorosa apenas no governo Itamar, na medida que o próprio Presidente ordenava a todo o governo, ministérios e empresas públicas, a se engajarem na luta contra a fome e a miséria e assegurava instrumentos e mecanismos necessários para tal.
A expressão maior politica e institucional da politica de combate à fome foi, todavia, o Consea, o Conselho Nacional de Segurança Alimentar, instalado em 13 de maio de 1993 com a presença e as bênçãos de Dom Helder Câmara. O Conselho inaugura um modelo inédito de participação, com hegemonia da sociedade civil: 21 personalidades indicadas pelo Movimento pela Ética na Política, principal protagonista do afastamento do ex-presidente Collor, se organizaram ao lado de oito ministros de estado.
Foi uma época pungente de percepção da realidade, mudança de paradigmas, quebra de preconceitos, realizações em parcerias, mediação de conflitos. Imaginem o agronegócio, representado por Ney Bittencourt, da Agroceres, ao lado de Plínio Arruda Sampaio. Imaginem CNA, CNC, CNI conversando e definindo pautas comuns com a Contag, MST, CUT.
Na verdade, Betinho entra na história, quando a história já tinha um intenso desenrolar. Este desenrolar teve início com a Frente Nacional de Prefeitos, liderada pela então Prefeita de São Paulo, Luiza Erundina, ainda em novembro de 1992, que traz para o governo propostas concretas e emergenciais de combate à fome e de inclusão social.
Ainda na interinidade, Itamar se contrapôs ao discurso neoliberal da modernidade e indagou: “Que modernidade é esta que produz tanta fome e tanta miséria?”. Fez uma convocação instigante e agregadora pelo impeachment da fome e pela ética nas prioridades das politicas públicas, propostos por Cristovam Buarque.
Entretanto, faz-se importante recordar o fato político antecedente mais importante, que se deu ainda em janeiro de 1993: o encontro Itamar e Lula. Este encontro, precedido de alguns percalços, só aconteceu pelo empenho e habilidade politica de Pedro Simon, que contou com a colaboração de Eduardo Suplicy. Suplicy, autor da lei de Renda Mínima, recém-aprovada no Congresso, lutava para que ela se tornasse de fato politica pública governamental de combate à fome.
Naquela histórica reunião, Lula apresentou a Itamar a proposta de combate à fome do governo paralelo do PT, coordenada por José Graziano, hoje na FAO. Itamar, por sua vez, apresentou um documento sobre aquilo que já vinha sendo feito, inclusive com a incorporação das propostas da Frente Nacional de Prefeitos, já em andamento e coordenadas com seu ministério.
Itamar convida Betinho para presidir o Consea. Betinho alega problemas de saúde e pede apoio para articular e animar a ação da sociedade civil, que Dom Luciano Mendes de Almeida batiza de Ação da Cidadania contra a Fome, a Miséria e pela Vida.
Itamar, o breve, deixa o governo sob um clima de indignação de muitos que desejavam que ele devesse ter buscado a reeleição em função dos altos e inesperados índices de aprovação. Itamar em pouco tempo foi reconhecido pelo exemplo de governabilidade sem barganha, lisura, simplicidade, combate à inflação e politicas sociais que colocaram o ordenamento social previsto na Constituição de 88 na ordem do dia para todos os brasileiros.
Até hoje fico a me indagar: a polarização entre PSDB e PT, que tomou conta do Brasil nos últimos 20 anos, terá jogado a experiência do governo Itamar no limbo da história? Esta polarização insidiosa é que nos mata dia a dia? Esta pergunta eu compartilho com alguns ministros e representantes da sociedade civil partícipes daquela experiência, testemunhas e protagonistas daquele tempo que foi, de fato, um tempo de "Nova Política". Com eles, a palavra!
Se fomos capazes de enfrentar e debelar a fome de “pão” e a inflação, podemos e devemos debelar a fome de verdade para que não sejamos canibais da nossa própria história!
Rio de Janeiro, 21 de setembro de 2014.
A íntegra.

Luciana Genro em programa da Band

Ela é a candidata que fala o que no passado falavam candidatos do PT e assim põe oxigênio no ar viciado da eleição.
A mentira faz parte da política na democracia representativa.
O entrevistador é ignorante, mas não é raivoso como outros que dominam os programas da "grande" imprensa e que deturpam os assuntos para manipular a opinião público.
Esta eleição talvez tenha sido o fundo do poço do atual modelo -- ou será apenas a primeira que demonstra como será daqui pra frente, fria e sem participação do povo?
Não acredito que a maioria dos brasileiros vá trocar Dilma por Aécio ou Marina.
Trocar um presente bom por uma volta ao passado ruim ou por um futuro incerto é coisa que a maioria da população só faz em momentos de crise, e não vivemos um momento assim.
O governo do PT tem defeitos graves, mas nem de longe é a corrupção.
Corrupção -- vamos entender de uma vez por todas -- faz parte do sistema capitalista e de qualquer governo "democrático". Os governos tucanos e anteriores foram certamente mais corruptos do que os do PT e um possível governo da Marina seria a corrupção no nível talvez do governo Collor, isto é, de um governo, digamos, desgovernado.
O suposto defeito da corrupção é só a eterna bandeira que a direita balança contra a esquerda, tentando conquistar as classes médias moralistas que são numerosas e influenciam o restante da população, já que dela fazem parte artistas, jornalistas, líderes religiosos etc.
No poder, essa direita é ainda mais corrupta.
Não é esta a questão, portanto, muito menos o defeito do governo do PT.
Se ignoramos esse bombardeamento diário de corrupção, o Brasil governado pelo PT melhora muito.
Se a "grande" imprensa mostrasse as coisas boas que estão sendo feitas e que são escondidas, porque faz oposição e só mostra coisas ruins e escandalosas, aí então é provável que os brasileiros se sentissem tão satisfeitos como jamais se sentiram várias gerações nascidas a partir da ditadura.
Aliás, uma pesquisa internacional não divulgada pela "grande" imprensa, é claro, revelou que o brasileiro é um dos povos mais felizes do mundo.
Os brasileiros vão ignorar a sua própria vida, que melhorou, e votar na oposição porque a "grande" imprensa diz sem parar que está tudo ruim?
Se isso acontecer, será um fenômeno social a ser estudado.
A "grande" imprensa ataca o governo do PT pelas suas qualidades, não pelos seus defeitos.
Os defeitos do Brasil no governo do PT são outros, principalmente a destruição do ambiente e a deterioração da qualidade de vida provocadas pelo agronegócio e pela opção automobilística, dois pilares do "desenvolvimentismo".
Defeitos que nem Aécio nem Marina atacariam, ao contrário, aumentariam; talvez Luciana Genro o fizesse, mas ela não será eleita, e se fosse, não teria maioria no Congresso para realizar mudanças, seria engolida pelo sistema reacionário ou teria de apelar para o povo, convocando uma Constituinte ou outra forma de governo popular. Podemos imaginar o que seria isso: se a "grande" imprensa e outros setores reacionários poderosos já são raivosos contra o governo moderado do PT, contra um governo do PSOL deflagrariam uma guerra civil -- com apoio dos EUA.
O grande erro político do PT é optar prioritariamente pela política tradicional em detrimento do empoderamento popular.
Em vez de promover a politização da população e de criar mecanismos de participação popular efetivos, o PT ficou preso na teia da política tradicional da democracia representativa, em que os políticos são eleitos pelo povo mas representam os interesses econômicos que financiam suas campanhas. Nessa política predominam o oportunismo, a corrupção, os interesses das elites. Qualquer ação a favor dos interesses coletivos só é realizada com muito custo, parcialmente, lentamente.
É o que estamos vivendo. Mudanças pela metade e devagar.

Terra Viva, em Santa Tereza: último sábado no endereço atual

Cartaz Feira 27 de Setembro

Suricato, espaço cultural na Floresta

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

RPJ: a nova marcha da família?

Primeiro pensei que se tratava daqueles jogos, RPG.
A estética da cartilha lembra a TFP e outros movimentos de direita.
Siglas.
O globo da bandeira do Brasil com o mapa invertido e o lema positivista também alterado: "Desordem no Congresso".
Jogo de palavras.
As cores verde, amarelo, azul.
E a palavra mágica, presente em todos os discursos da direita, desde que o Brasil inaugurou uma democracia mais participativa, depois da II Guerra Mundial: corrupção.
Outras palavras fortes: "indignação", "covardia".
E o advérbio que remete à maior campanha política de massas que o Brasil já teve, pelas eleições diretas, em 1984: "já".
A cartilha de 12 páginas, grampeada, com boa qualidade de impressão, está sendo distribuída nas ruas.
Não é apócrifa. Logo no começo, na página 2 há uma lista de nomes de "fundadores" do "movimento". Não conheço nenhum, além do nome não há outra identificação.
RPJ são as iniciais de "Reforma Política Já", o movimento.
A "instituição" se chama Pró-Cidadania -- Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Cidadania. Seu presidente é Marcílio A. Moreira.
Tem página na internet (www.rpj.org.br), telefone (31-9122-4330) e email: m2augusto@hotmail.com.
Podem ser pessoas de bem, bem-intencionadas, como eram muitas que participaram da marcha da família em 1964 e em 1968 estavam de novo nas ruas querendo derrubar a ditadura.
Não dizem que querem derrubar o governo nem derrotar a "ameaça comunista", hoje em dia isso soa anacrônico e não tem apelo. Querem derrotar "os políticos".
Mas os políticos que estão no poder são de esquerda também, o partido no governo é o PT...
Antes, quando os políticos eram, por exemplo, do PSDB, será que eles também se indignaram?
Dúvida.
Comparam-se à campanha das diretas e à campanha contra Collor.
São duas coisas diferentes.
Uma campanha queria a volta de eleição direta para presidente.
A outra queria tirar o presidente eleito diretamente.
A emenda da eleição direta foi derrotada pelo mesmo Congresso de "políticos" que depois cassou Collor e que agora o RPJ quer derrotar.
O impeachment do Collor, visto em retrospecto, foi um equívoco político grave: transferiu o poder para o Congresso de "políticos", que respondeu a uma exigência pretensamente popular manipulada pela "grande" imprensa.
A entrevista do irmão do Collor na capa da maior revista do país foi uma aberração. Outras matérias da campanha diária contra o presidente também.
O "partido da oposição", o partido vampiro da "grande" imprensa provou sangue e continua querendo mais até hoje.
Mesmo fracassando em 2004, contra Lula.
Voltando ao RPJ: a cartilha é bem feita, bem impressa, bem escrita (embora tanto texto certamente afasta grande parte dos leitores), com poucos erros de português. Repete as mesmas coisas em textos curtos, frases objetivas e listas de diagnósticos e propostas.
O raciocínio é simplista: chega de corrupção, a corrupção é coisa de políticos, precisamos reformar a política para acabar com a corrupção, para isso o povo precisa ir para a rua.
Começando na véspera desta eleição: a cartilha convoca a todos para uma grande manifestação na Praça do Papa, dia 28, domingo.
Como na marcha de 64, convoca o leitor "e sua família".
Como na marcha de 64, conta com a proteção da PM mineira. "Pode vir tranquilo. A PM garantirá a nossa segurança."
É uma promessa estranha, pois todos sabemos, e todo mundo que foi para as ruas em 2013 se lembra muito bem, que a PM não vai para as ruas proteger manifestantes, mas para jogar bombas de gás, atirar balas de borracha, prender, bater, ferir, cegar. Por que com o RPJ será diferente? A PM é a favor do RPJ? O governo do estado, à qual a PM é subordinada, é a favor do RPJ?
A cartilha, que deve ter custado muito dinheiro, pede doações numa conta bancária -- de R$ 10, R$ 20 ou R$ 50.
Um movimento que combate a corrupção e prega a transparência, poderia começar informando como arrecadou dinheiro para imprimir a cartilha, quanto ela custou, como emprega o dinheiro das doações.
Sendo ou não coisa de uma nova TFP, de um novo Ibad, de um novo Ipes, reproduz o velho pensamento positivista que os militares legaram ao Brasil ao abolir a monarquia e inaugurar a república.
Um pensamento linear que vê doenças e remédios, que resolve tudo com leis e organização burocrática.
Estou muito velho para ser ingênuo, é óbvio que essa visão da história como bem e mal, dos políticos como diferentes de nós e da corrupção como a causa de todos os males não é discurso de gente "pura" e bem-intencionada.
Ora, os políticos não foram eleitos?
Por que os eleitores -- os integrantes do RPJ inclusive e pra começar -- são melhores do que os políticos?
Dá para começar a discussão por aí, se a intenção é realmente boa; nos distinguirmos deles, dizendo que somos os bons e que eles são os maus, é um raciocínio torto e suspeito.
A corrupção é sempre "do outro". As denúncias de corrupção aparecem sempre quando o governo é de esquerda. Coincidência? Por que a corrupção nos governos de direita não incomoda? Por que um "movimento" que aparenta tanta minúcia no levantamento de dados e na formulação de propostas não analisa igualmente se a corrupção aumentou, diminuiu ou é a mesma ao longo dos anos, dos governos, da história? Por que generaliza? De onde tira as informações sobre corrupção? Da "grande" imprensa? Por que não cita suas fontes? Uma única vez faz isso, e a fonte, como era de se esperar, é a revista Veja. Mas quem combate a corrupção desconhece os escândalos envolvendo a revista? Como basear denúncias numa revista suspeita?
Há poucos dias, um grande movimento de sindicatos, associações, organizações diversas e partidos políticos inclusive, todos identificados, promoveram um grande plebiscito a favor da reforma política. O mesmo objetivo que, aparentemente, o RPJ busca. O plebiscito pede a eleição de uma Constituinte exclusiva para a reforma política.
O resultado do plebiscito saiu ontem: foram 7,4 milhões de votos favoráveis à Constituinte (97,2% -- 2,7%, contrários), número bastante expressivo para um movimento organizado pela sociedade, sem participação governamental nem estatal.
O RPJ não participou. Por quê?

Mate os males mas não se importe com desenganos

Quem não ouviu, perdeu. Quem não conhece, não pode desconhecer. Direto do túnel do tempo, há quarenta anos. Até hoje lembro das letras e músicas: "Granulou-se o verde vertentiii..." E durou só um ano. Com vinte anos de idade, Guilherme Arantes era um grande poeta, além de grande músico. Em meados dos anos 70, governo Geisel, "abertura", havia jovens que mexiam com política e jovens que mexiam com música, às vezes com os dois. E os outros. Tempos estranhos, repletos de trilhas musicais.

sábado, 20 de setembro de 2014

Muito além do Cidadão Kane

Dia de vídeos.

Florestan Fernandes no Roda Viva há 20 anos

Ótima entrevista do sociólogo Florestan Fernandes. Talvez a última; ele estava doente e morreu no ano seguinte, depois de um transplante de fígado.
É preciso ter paciência para ouvi-lo, por isso, coisa que os entrevistados às vezes não têm (um xará é nitidamente boçal e intolerante; o engraçadinho Milton Coelho é outro que dá demonstrações da ignorância e da prepotência tão comuns nos jornalistas), mas mesmo assim são ainda muito mais educados do que hoje, sem contar que o nível do programa é outro. Vale a pena, porém, ainda mais hoje, em retrospecto. Em resumo, se pode dizer que o programa é um conjunto de respostas de um entrevistado brilhante cercado de entrevistadores medíocres, com duas ou três exceções.
Florestan foi o guru do ex-presidente FHC, que na época tinha sido eleito e ainda não tinha sido empossado. Era deputado pelo PT, eleito para o segundo mandato ("fiz de tudo para não ser eleito", ele diz).
Numa das primeiras perguntas ele comenta doações de empreiteiras para o PT. "Se dependesse de mim, o partido sequer daria prioridade a eleição de parlamentares", ele diz.
Em outra pergunta ele diz que o deputado José Genoino estaria tão bem no PSDB como estava no PT, coisa que hoje soa estranha e irônica, depois de tudo que ele sofreu por perseguição da imprensa e de Joaquim Barbosa.
Não foi ontem que o PT fez sua opção pela política tradicional. Também não se pode negar que obteve melhorias para os trabalhadores ao fazer essa opção. Não se pode negar que fazer política é sujar as mãos, mas também não se pode negar que para melhorar a política é preciso manter as mãos cada vez mais limpas.
O Brasil é melhor com o PT no poder, mas o PT era melhor fora do governo.
Será melhor no governo quando houver na oposição um partido como era o PT.
A política e a vida são assim contraditórias e precisam ser compreendidas dialeticamente. 

Rita Cândido e Roberto de Freitas

Arte no Ar, ótimo programa na TV Horizonte, 13/9/14.

Receita renegociou a dívida da Globo?

Foi o que disse a emissora aos telespectadores.
Como diz Paulo Nogueira: a riquíssima Globo, que fatura com futebol mais do que a Record, segunda emissora do país, fatura em todo o ano, e seus donos, os irmãos Marinho, que são os indivíduos mais ricos do país, não podem pagar sua dívida e precisam de condições especiais que o governo dá a empresas quebradas?
Continua sem explicação.

Do Diário do Centro do Mundo.
Globo X Garotinho: quem acredita em Mariana Gross acredita em tudo 
Por Paulo Nogueira

O bate-boca entre a Globo e Garotinho sobre o célebre caso de sonegação da emissora mostra uma coisa: esta história tem que ser esclarecida.
Já.
As explicações da Globo são absolutamente inconvincentes. São mais complexas do que a patética fala da apresentadora Mariana Gross em que ela garantiu, aos telespectadores, que a Globo paga o que deve.
Mas são igualmente insuficientes: mais confundem que esclarecem.
Garotinho se aproveitou de estar ao vivo numa entrevista para, sob a pressão de perguntas agressivas, devolver a acusação.
O vídeo em que isso ocorreu viralizou na internet. Foi dar no YouTube, e lá a Globo vem tentando tirá-lo sem sucesso. Alguém posta de novo.
Para encurtar, documentos vazados pelo site Cafezinho mostraram, há cerca de um ano, que a Receita Federal flagrou a Globo num delito fiscal na compra dos direitos de transmissão da Copa de 2002.
A Globo tergiversou, e foi ajudada pelo silêncio da mídia e da própria Receita.
Agora, em resposta a Garotinho, ela afirma que acertou a dívida pelo Refis, um sistema de refinanciamento para devedores de impostos.
Mas um momento.
Por que o Refis para a Globo? Ela precisa? Não tem condições de pagar o que deve?
Refinanciamento? Condições especiais?
Neste tipo de ação, a generosidade é feita com o dinheiro do contribuinte.
O devedor pode esticar o pagamento em demoradas parcelas. E as taxas de juros são maternais. Em 2014, elas são de 0,4167% ao ano.
A Selic, a taxa que norteia os juros no Brasil, está em 11%, quase 30 vezes mais que o que vigora no Refis.
É de interesse público saber por que a Globo foi beneficiada – esta a palavra – com as condições generosas do Refis.
Num mundo menos imperfeito, o Refis só seria concedido a devedores incapazes, realmente, de arcar com o que deixaram de pagar.
Melhor pegar parte do que nada do que é devido: esta a lógica.
É o caso da Globo?
A íntegra.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Luciana Genro x Aécio Neves

A candidato do PSOL fala o que Aécio não gosta de ouvir e impede que a imprensa fale. Um bom trecho do debate na rede da igreja católica. Alguém viu?

Suplicy e Serra

Este texto é sobre coisas que jornalistas sabem e não escrevem. É um dos defeitos do jornalismo, ou do modelo de jornalismo predominante. A tal da objetividade. O fio da navalha, porque não ser objetivo pode também ser aproveitador e puxa-saco. O fato é que as coisas mais interessantes que os jornalistas sabem em geral não são escritas, não cabem nas matérias, "não podem" ser contadas.
O (e)leitor não sabe quem é realmente o candidato, o político, o governante -- quem é Lula? Quem é Dilma? Quem é Marina? Quem é Aécio?
Se os conhecêssemos de verdade, como conhecemos parentes, amigos, colegas de trabalho, votaríamos muito melhor.
Os jornalistas conhecem, mas quase nunca contam, a não ser em mesa de bar, ou nas entrelinhas.
Um político muito elogiado, por exemplo, não quer dizer que seja bom -- significa que tem boas relações com os barões da imprensa. Esta é a primeira lição que um jornalista aprende.

Do DCM. 
Serra versus Suplicy: um testemunho e um paralelo 
Por Kiko Nogueira

A cena era a seguinte:
Na tarde do debate no SBT, o senador Eduardo Suplicy esperava a chegada da candidata de seu partido, Dilma Rousseff, do lado de fora do teatro, no sol.
Ficou ali com os jornalistas, dando entrevistas eventuais, jogando conversa fora ou simplesmente em seu canto, sozinho.
Falei com ele. Suplicy se dizia feliz por estar ali. Contou que pretendia desafiar seus rivais a disputar uma maratona curta. Que estava fazendo mais de 4 mil metros em 40 minutos. Que Kassab lhe parecia em boa forma. Que carregou o candidato ao governo de SP pelo PT, Padilha, nas costas, faria isso de novo e seu ciático nunca deu sinal de vida. Suplicy tem 73 anos.
Para Suplicy, os três nomes que postulam a presidência são excelentes e uma amostra do alto nível da nossa democracia. Marina — a "companheira Marina" — é muito preparada. Aécio, que admitia conhecer menos, é preparado e ele não acha que seja de direita. A presidente é "formidável".
Os três são "excelentes quadros". Não reservou nenhuma palavra desagradável a ninguém. Assim que a comitiva de Dilma despontou na entrada do anfiteatro, ele se apresentou ao estafe, foi reconhecido, entrou e não saiu até o fim.
No fim do primeiro bloco, José Serra apareceu. Acercou-se de um pequeno grupo de repórteres por um breve momento. Suficiente para fazer piadas irônicas sobre as "elites" de Marina Silva, tirar um sarro do suposto "convite" para ele integrar um eventual governo dela e detonar mais alguns desafetos antes de se despedir para se aboletar na plateia.
A íntegra.

Juíza manda DCM retirar do ar matérias sobre helicoca

Isso se chama censura.
O DCM sequer foi ouvido pela juíza.
Trata-se de uma das maiores apreensões de droga já feitas no país, envolvendo um senador e um deputado e ainda a Assembleia Legislativa mineira.
Um escândalo sob todos os aspectos, um caso capaz de revelar o submundo do tráfico.
E no entanto...
O cerco se fecha.
O delegado apressou-se em inocentar os donos do helicóptero.
Os presos foram soltos.
O helicóptero foi devolvido. 
A "grande" imprensa calou-se.
A imprensa alternativa não pode falar do assunto.
O que falta?
Mandar o Google bloquear qualquer busca do fato na internet, copiando o método de Stalin na extinta URSS, quando mandava apagar personagens em fotos e mudar textos de livros?
Ou proibir o DCM de informar o leitor da censura, como fazia a ditadura?
Joaquim Barbosa foi embora, mas fez escola.

Do DCM.
Justiça determina retirada de matérias do DCM sobre o caso do helicóptero dos Perrellas
por Kiko Nogueira

O DCM foi processado pelo hotel fazenda Parque D'Anape, no interior do estado de São Paulo.
Ele foi citado em três das nossas reportagens sobre o caso do helicóptero dos Perrellas, apreendido com 445 quilos de cocaína no Espírito Santo.
De acordo com uma liminar da juíza Mônica de Cassia Thomaz Perez Reis Lobo, somos obrigados a "suspender a publicidade [sic] das notícias veiculadas no site" sob pena de pagar mil reais de multa por dia.
Pela natureza desse tipo de decisão judicial, a análise é perfunctória, já que não fomos ouvidos e não tivemos oportunidade de apresentar defesa.
Os artigos são resultado do nosso projeto de crowdfunding, em que mergulhamos no caso do "Helicoca". São eles: "'Tenho Medo de Morrer': o piloto do helicóptero dos Perrellas fala ao DCM"; "O helicóptero dos Perrellas pousou em hotel de São Paulo"; e "O fracasso da guerra às drogas e o helicóptero dos Perrellas".
(Estamos, aliás, com uma nova iniciativa de crowdfunding no ar neste momento. É sobre o escândalo da sonegação da Globo. Os detalhes estão aqui na plataforma do Catarse).
Todas as matérias são alicerçadas em documentos que o jornalista Joaquim de Carvalho levantou em sua apuração em Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo. Não há nenhuma ilação, nenhuma invenção, nada assemelhado a calúnia ou difamação.
Só os fatos.
Joaquim teve o cuidado de ouvir a proprietária e o advogado do estabelecimento para que eles se manifestassem.
Mesmo determinando a retirada das reportagens, a juíza Mônica afirma que isso não significa "prejuizo do direito de livre expressão e crítica".
O DCM reafirma seu compromisso com o jornalismo independente e responsável. Em nome dele, vamos recorrer e buscar na Justiça os nossos direitos para manter você bem informado.
A íntegra.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

A enteada de Gilmar Mendes, a perseguição a Genoino e a saúde prisional

Uma longa, intrincada e interessante história. "A vida não é só isso que se vê, é um pouco mais."

Do Jornal GGN.
O dia em que a enteada de Gilmar salvou a vida de Genoíno 
Luis Nassif

Recebo telefonema de Guiomar Feitosa, esposa do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) e mãe da terapeuta ocupacional Larissa Feitosa.
Anos atrás, Guiomar foi alvo de acusações de nepotismo. Solicitou espaço no Blog para se defender. As explicações, satisfatórias, foram integralmente respeitadas e acatadas pelo Blog.
Em vista desse histórico, Guiomar solicita justiça para sua filha.
Na semana passada, Larissa foi alvo de reportagem no Estadão Online, informando ter sido uma das 16 pessoas readmitidas no serviço público do Distrito Federal pelo recém-eleito governador José Roberto Arruda, depois do ato espetaculoso de demitir 14 mil funcionários.
(...)
A maior prova do caráter de Larissa foi dada no episódio José Genoíno.
Quando Genoino entrou no presídio, o médico estava de férias. Na sexta-feira foi convocado um médico para os primeiros exames, que constatou que Genoíno estava bem. Na quarta-feira houve alteração no exame. Genoíno piorou sensivelmente e o médico recomendou que fosse encaminhado para o Incor.
Mesmo informado pelo médico de que Genoíno apresentava agravamento no quadro, e da confiança que dizia depositar em Larissa, o juiz da VEP, Ademar de Vasconcelos, apareceu na Papuda e proibiu a remoção.
No dia seguinte, Larissa sugeriu para o médico repetir o exame. A conclusão foi taxativa: tem que ser removido para o Incor, não tem escolha.
Larissa resolveu agir por conta própria. Ligou para o secretário da Saúde, que entrou em contato com a direção do Incor. O Coordenador do Sistema Presidiário veio falar com ela. Sua posição não mudou: não se trata de opção, Genoíno vai para o Incor.
Decidiu não informar o juiz da decisão, para não colocar a vida de Genoíno em risco. Do lado de fora, a imprensa vigiava cada passo. Larissa foi na frente para preparar a entrada no Incor. E o Diretor do presídio e o médico seguiram com Genoíno em um carro descaracterizado, a salvo da imprensa. Pelos resultados dos exames, o Incor não descartou a possibilidade de infarto.
Do hospital, ligou para a mãe. "Mamãe, estou aqui com o Genoíno, tive que tirar porque senão ele poderia ter uma coisa dentro do presídio, e acho que o Joaquim (Barbosa) virá com tudo para cima de mim. Serei responsabilizada, mas não tinha alternativa".
Jamais se manifestou publicamente, aguentando tudo calada.
Em casa, desabafava com a mãe, inclusive como testemunha dos abusos cometidos contra os prisioneiros da AP 470.
Quando as promotoras do Distrito Federal e o juiz da VEP falaram dos supostos privilégios concedidos a José Dirceu e a Delúbio ficou indignada. "Mamãe, isso é falso. Eles não têm privilégio algum".
A íntegra.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

O satélite 100% brasileiro

Do Blog do Planalto em 14/9/14. 
Satélite brasileiro vai melhorar comunicação em regiões mais afastadas do Brasil 
Contrato assinado entre o Ministério da Defesa e Telebrás na quinta-feira (11/9/14) permitirá ao Brasil ter o primeiro satélite de comunicação e defesa 100% controlado por instituições brasileiras. Atualmente, os satélites que auxiliam comunicação do País são controlados por estações de fora.
O Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas tem previsão de conclusão para 2016 e, quando estiver em órbita, terá banda de uso exclusivo militar, garantindo segurança total nas transmissões de informações estratégicas do País.
"Esse é um momento histórico, em que o Brasil irá comandar seu satélite e usá-lo de forma estratégica", disse o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, durante a cerimônia de assinatura do contrato.
A íntegra.

Perdidos no tempo

História -- do Brasil, da televisão, da mentalidade e da política brasileira -- em dois vídeos do Faustão Silva.
No primeiro, Fausto Silva lança a candidatura de Silvio Santos à Presidência (ele era da Band, está encaminhando sua mudança para a Globo, que acontecerá ainda naquele ano, e vai a programa no SBT).
No segundo, um programa Perdidos na Noite, a bagunça original do Faustão, que foi ainda melhor na emissora original.
As mudanças na tevê, nos programas, no Faustão, nos roqueiros saltam aos olhos.
Os anos 80 e governo Sarney foram um momento de confusão geral, havia um ar transgressor e progressista geral. A partir da eleição de 89 e do governo Collor os caminhos e as ideologias foram se definindo. Crítica na tevê, agora, só de direita. 
 

domingo, 14 de setembro de 2014

O dia em que o povo tem o poder

Concordo com o artigo abaixo em relação ao Banco Central, mas discordo em relação à banqueira, porque se ela está na campanha como educadora, está muito mais como financiadora do instituto da Marina.
Debate de ideias, porém, foi abandonado pelo PT há 12 anos, substituído pela propaganda e pelo márquetim.
Algum coisa a gente vê nos discursos do Lula, mas eles ficam restritos às plateias, porque a imprensa não cobre, e quando cobre não informa, preocupada que está em criar factoides sensacionalistas e escandalosos.
Está aí um campo quase inexplorado e quem quiser investir nele tem enorme campo.
Há uma iniciativa sistemática, o Jornal GGN, e sobreviventes do velho e bom jornalismo: Retrato do Brasil, CartaCapital, Agência Carta Maior, LMD, Samuel, Opera Mundi, Brasil de Fato, DCM, RBA, Outras Palavras e outros mais.
A questão verdadeira, que tira de campo os políticos oportunistas e põe de volta no lugar os petistas que bandearam para a política tradicional, é discutir a sério e enfrentar as questões que estão paradas no tempo desde a ditadura:
- participação popular permanente que transforme as decisões governamentais em expressões da vontade coletiva e não de políticos representantes de lobbies que só usam o povo para obter votos
- democratização da comunicação
- democratização das polícias e das forças armadas
- educação pública gratuita em tempo integral para todas as crianças e adolescentes
- atendimento de qualidade no SUS
- reforma das cidades que privilegie os espaços público e os transportes coletivos e limpos
- o meio ambiente como referência obrigatória de todas as políticas públicas, a começar pelo agronegócio
- reforma agrária.
Parece que não vemos o óbvio: a discussão política só aparece nas eleições porque elas são o único momento em que os poderosos -- novos e velhos, novos que envelheceram, velhos que lutam para sobreviver -- dependem de nós, os eleitores, o povo, os brasileiros comuns.
Nos dias comuns somos fracos, cada um de nós é um só, mas no dia da eleição nos tornamos milhões, pois somos obrigados a agir juntos, e, somados, nossos votos são capazes de acabar com o poder dos políticos velhos e velhacos da noite pro dia.

Da CartaCapital.
Há excessos e bobagens na desconstrução de Marina 
Numerar as incoerências de Marina é necessário. Muitas das críticas que o PT vêm fazendo, contudo, lembram o que de pior o partido já sofreu.  
Por Sérgio Lírio, publicado 11/9/2014

Campanhas políticas infelizmente costumam descambar para acusações insanas e baixarias inomináveis. Lula e o PT têm sido alvos preferenciais desde sempre. O partido deveria portanto ser mais cuidadoso na hora de avançar contra adversários. Uma coisa é o debate de ideias transparente. Apontar os riscos da proposta de independência do Banco Central ou da falta de visão estratégica do programa de Marina Silva em relação ao pré-sal é não só útil como necessário. Numerar as incoerências da candidata, sua metamorfose em vários temas, entre eles o recuo na crítica à Lei da Anistia, e nomear seus apoios medievais, de Silas Malafaia ao Clube Militar, é igualmente importante. Faz parte da discussão central da eleição em curso. Compará-la a Jânio Quadros e Fernando Collor (hoje aliado do governo), nem tanto.
E mais: Neca Setúbal, conselheira de Marina, tem sido apresentada como banqueira (seria um crime?). A senhora de sobrenome Setúbal é uma das herdeiras do Itaú, mas nunca trabalhou no conglomerado. Sua história está ligada à educação e, nesta área, é respeitada nacionalmente.
No debate econômico, muita gente, inclusive a presidenta Dilma Rousseff, confunde a independência do BC abraçada por Marina, muito mais radical, com autonomia, que o banco possui desde os tempos de FHC. No poder, o PT não só manteve esta autonomia como a aprofundou. Depois de lançar a Carta aos Brasileiros, Lula escolheu Henrique Meirelles, eleito senador pelo PSDB, para presidir o BC e ofereceu-lhe mais tarde o status de ministro. Dilma seguiu na mesma linha com Alexandre Tombini.
Marina dá palestras e cobra por elas a exemplo de Lula, Fernando Henrique Cardoso e outros tantos políticos, jornalistas e celebridades. Figura de renome internacional, a ambientalista reúne os requisitos para atuar nessa rentável área. Paga quem quer.
Se, além de vencer a eleição, o objetivo é elevar o nível da discussão política, certos ataques deveriam ser evitados e as diferenças poderiam ser demonstradas de forma mais inteligente.
A íntegra.

sábado, 13 de setembro de 2014

Brasileiros estão satisfeitos

É o Ibope quem diz.
E não são poucos: 81%.
Povo satisfeito vota na oposição?
Vota pra voltar ao que era (Aécio)?
Vota em aventura que não sabe no que vai dar (Marina)?
Seria a primeira vez na História, imagino.
Experimentemos tirar o que nos dizem Globo, Folha, Veja etc. diariamente -- o denuncismo, o sensacionalismo, as campanhas, as notícias inventadas.
Experimentemos ler e ver o que nos mostram publicações e emissoras independentes.
Há uma enorme distância entre a realidade e o que nos mostram os veículos que formam o "partido da oposição".
Não sabemos nada do que acontece no Brasil hoje; quando sabemos percebemos que é muito melhor do que nos mostra a "grande" imprensa.
Quando olhamos para nós e para as pessoas em volta também.
O Brasil tem muitas coisas ruins e a pior de todas é a imprensa. 
PS: A presidente Dilma, belo-horizontina, está em Belo Horizonte hoje.

Do blog O Cafezinho, em 12/9/14.
O 18 Brumário de Marina Silva
por Miguel do Rosário

Faz sol na democracia brasileira.
Que diferença entre a sombria atmosfera política das redes sociais e da mídia, e o Brasil real!
O desemprego caiu aos níveis mais baixos da nossa história.
De um lado, um bando de neurastênicos pessimistas.
De outro, um povo vivendo a sua vida.
Fazendo churrasco nos subúrbios, bebendo cerveja nos finais de semana, lotando os aeroportos, assistindo seus filhos entrarem na universidade!
As manifestações de 2013 foram – quem sabe – o ponto de ebulição.
Estamos no limiar de grandes transformações estruturais!
Os anseios dos brasileiros, pedindo mudanças, espelha as comichões no estômago de uma sociedade que pressente a vinda de novos tempos.
O pessimismo é uma falácia. O brasileiro nunca esteve tão satisfeito.
Estar satisfeito, porém, não é ser um imbecil. O brasileiro quer mudanças, claro!
Todo mundo – com exceção dos imbecis – quer mudar, quer melhorar de vida!
Até os ricos querem ficar mais ricos!
Segundo o Ibope divulgado hoje, 81% dos brasileiros estão satisfeitos com vida que levam hoje.
A íntegra.
Faz sol na democracia brasileira.
Que diferença entre a sombria atmosfera política das redes sociais e da mídia, e o Brasil real!
O desemprego caiu aos níveis mais baixos da nossa história.
De um lado, um bando de neurastênicos pessimistas.
De outro, um povo vivendo a sua vida.
Fazendo churrasco nos subúrbios, bebendo cerveja nos finais de semana, lotando os aeroportos, assistindo seus filhos entrarem na universidade!
O crescimento modesto da economia, contudo, reflete o fim de um ciclo.
Não um ciclo político. Este ainda vive a sua infância.
O que chega ao fim é um ciclo econômico. Sem completar as obras de infra-estrutura, que estão em curso, será muito difícil voltar a crescer sem inflação.
Um país de pobres está se tornando um país de classe média.
E isso corresponde, naturalmente, a uma mudança química profunda no espírito de todo um povo.
As manifestações de 2013 foram – quem sabe – o ponto de ebulição.
Estamos no limiar de grandes transformações estruturais!
Os anseios dos brasileiros, pedindo mudanças, espelha as comichões no estômago de uma sociedade que pressente a vinda de novos tempos.
Nos últimos doze anos, renovamos a malha elétrica, investimos em novas fontes de energia (alternativas e tradicionais), descobrimos enormes reservas de petróleo, iniciamos grandes obras de infra-estrutura, assentamos as bases para um novo ciclo de industrialização.
O pessimismo é uma falácia. O brasileiro nunca esteve tão satisfeito.
Estar satisfeito, porém, não é ser um imbecil. O brasileiro quer mudanças, claro!
Todo mundo – com exceção dos imbecis – quer mudar, quer melhorar de vida!
Até os ricos querem ficar mais ricos!
Segundo o Ibope divulgado hoje, 81% dos brasileiros estão satisfeitos com vida que levam hoje.
satisfeito

O professor Wanderley Guilherme acertou, mais uma vez, na mosca. A oposição – tanto a oficial quanto a que agora se esconde no cavalo de tróia de Marina Silva – quer colher o que não plantou.
Quando no poder, o PSDB não realizou nenhuma obra substancial de infra-estrutura; e ainda entregou um governo com as finanças estouradas.
Desemprego, inflação, juros, câmbio, dívida pública. Os indicadores ao final da era FHC eram desastrosos.
O povo sabe disso, daí o fracasso eleitoral de Aécio Neves e o declínio dos partidos da direita clássica, PSDB e DEM.
Daí também a angústia das classes mais abastadas para segurar as rédeas de um processo que começa, naturalmente, a se acelerar.
Marina Silva é o Luis Bonaparte dos novos tempos.
Assim como Bonaparte na França de 1851, Marina Silva unifica um grande contingente de despolitizados, de um lado, e setores da elite irritados com seus próprios representantes partidários, de outro.
O ensaio de Marx nunca foi tão atual.
Só que a burguesia marinista deve se cuidar, porque o bonapartismo acabou se voltando contra os próprios conspiradores.
O aventureiro Luis Bonaparte surfou nas “jornadas de junho” de 1848, um período de fogosa rebeldia política.
Bonaparte teve a sabedoria de se abster por ocasião das violentas repressões que marcaram o período. Com isso, elegeu-se com grande maioria em 1851.
Marina quer igualmente surfar em nossas jornadas de junho de 2013.
Sem cargo político ou administrativo, contando apenas com financiamento de Neca Setúbal, herdeira do Itaú, morando num apartamento pertencente a um dono de postos de gasolina (para isso o petróleo serve), Marina Silva pode posar de vestal imaculada.
Só que as ruas não pediram “independência do Banco Central”.
As ruas quebraram agências do Itaú. Marina entregou seu programa de governo em mãos da herdeira do Itaú.
O bonapartismo verde-zen de Marina pode ser tão perturbador quanto o de Luis Bonaparte no século XIX.
Sem base partidária, sem apoio de movimentos sociais ou sindicais importantes, resta ao marinismo, assim como a Bonaparte, brandir um suposto apoio das massas despolitizadas, de um lado, e da elite financeira de outro.
Que lindo e romântico casamento! Banqueiros e black blocs!
Felizmente, como eu dizia ao início do post, o sol brilha forte em nossa democracia.
O PIB crescerá pouco este ano. Mas, como disse algum sábio, o trabalhador não come PIB.
O consumo de carne nunca foi tão farto. Segundo a CNA, apenas de 2010 a 2013, o brasileiro elevou seu consumo de carne de 36 para 42 quilos por ano.
A mortalidade infantil nunca foi tão baixa.
Alexandre Kalache, presidente do Centro Internacional da Longevidade, afirma que o Brasil vive uma “revolução” da longevidade.
Na década de 70, a esperança de vida dos brasileiros era de 53 anos. Hoje ultrapassa os 75!
Nenhuma notícia dessas virou capa de jornal. Nem as propagandas eleitorais parecem se importar com isso.
O clima de apocalipse nacional, contudo, que alguns brandem nas redes sociais, é uma odiosa mentira!
Um novo Brasil está nascendo!
*
Eu fiz cálculos usando os números do Ibope divulgados hoje. A íntegra da apresentação da CNI e o relatório completo seguem ao final do post.
Dilma tem aprovação de 48% dos entrevistados. Considerando que o Brasil tem hoje 142 milhões de eleitores, podemos dizer que a presidenta é aprovada por 68 milhões de eleitores. Outros 65 milhões não a aprovam. E 8,5 milhões não sabem ou não quiseram responder.
Se o número de abstenções e votos em branco repetir o número registrado em 2010 (quando houve 25 milhões de abstenções ou votos nulos, mais 3 milhões de votos em branco), teremos um total de 114 milhões de votos válidos este ano.
Para ganhar no segundo turno, Dilma precisaria, portanto, ter um mínimo de 57 milhões de votos (em 2010, ela ganhou com 55 milhões de votos).
Se 68 milhões de eleitores a aprovam, então ela tem uma boa margem para ganhar as eleições.
Sem esquecer os 8,5 milhões que não responderam se aprovam ou não a presidenta. Um milhãozinho ou mais desse grupo também pode votar nela.
Embora marque 42% num segundo turno com Marina Silva, Dilma marcaria 48% se disputasse a segunda rodada com Aécio Neves. Esses 48% provavelmente são os mesmos 68 milhões  de eleitores que aprovam a presidenta.
A petista tem um eleitorado mais consolidado que seus adversários. Segundo o Ibope, 32% dos entrevistados responderam que votariam nela “com certeza”.
Já Marina tem 26% dos votos consolidados (votariam nela com certeza).
Aécio, coitado, tem somente 15%. Os mesmos 15% que ainda lhe restam na pesquisa sugerida.
Na pesquisa do voto espontâneo, para o primeiro turno, a vantagem de Dilma sobre Marina cresceu de 8 para 12 pontos.
Em pesquisa realizada nos dias 31 de agosto a 2 de setembro, Dilma tinha 31% na espontânea, contra 25% de Marina.
Menos de uma semana depois, Dima subiu 4 pontos, para 35%, enquanto Marina caiu 2, para 23%.
Na espontânea, Dilma vence entre os mais jovens e quase empata junto ao público com ensino superior.
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terça-feira, 9 de setembro de 2014

TVT + TV Brasil = cidadania

Da RBA.
Parceria entre TVT e TV Brasil produz série inédita 
Como sintonizar: Canal 44 UHF Digital: Grande São Paulo. Canal 2 NET Digital: São Paulo (das 19h às 20h30). Canal UHF 46: Mogi das Cruzes. No saite: tvt.org.br. Na internet: tvt.org.br

Para prevenir situações de violência, o Grupo de Mulheres Cidadania Feminina distribui apitos entre os moradores do bairro Córrego de Euclides, em Recife. Quando alguma mulher se sente ameaçada, seja na rua ou em casa, começa a apitar e outras seguem o exemplo. O apitaço intimida o agressor e amplia as chances de se evitar a agressão. São iniciativas como esta o foco da série + Direitos + Humanos, realização da TV Brasil, com produção com a TV dos Trabalhadores (TVT), que estreia amanhã (10/9/14), às 19h30, na TV Brasil.
A série dirigida por Max Alvim e Kiko Goifman é apresentada pelo cineasta ­Jeferson De (diretor de Bróder) e pela atriz Sílvia Lourenço (de Contra Todos, Bicho de Sete Cabeças e O Cheiro do Ralo). São 13 programas, com uma hora de duração cada, que tratam sobre cidadania, diversidade e democracia a partir de experiências singulares de grupos de jovens de todas as regiões do país que atuam na defesa dos direitos humanos.
Não importa se do meio urbano ou rural, do centro ou da periferia, a iniciativa pretende dar voz a todos: mulheres indígenas, negros, travestis, prostitutas, surdos, idosos, imigrantes... A intenção é fazer com que o espectador percorra caminhos inusitados e conheça propostas originais e ousadas que são pouco conhecidas. Para tanto, os jovens abrem um diá­logo criativo entre as diferentes iniciativas e conversam em um ambiente em que todos – entrevistados, plateia e grupos musicais – são convidados a participar.
A íntegra.

O economista de Marina e o choque inflacionário

Entrevistei Giannetti uma vez sobre tema bem específico: pequenas e micros empresas. Um sujeito simpático e muito educado, de fala calma e agradável, com ares de aristocrata e de gênio, discurso de filósofo, que é, apesar de ser famoso como economista.
Me pareceu um liberal bem-intencionado, como os tucanos pareciam no começo dos anos 90. Gente com boas ideias, que não suja as mãos na política corrupta e acredita que vencerá pelo virtude, como o bem que vence o mal.
Deixava a sensação de que "se gente assim chegar ao poder, o Brasil pode melhorar".
O tempo mudou essa imagem dos tucanos e do neoliberalismo.
Hoje, vejo Giannetti com menos glamour, ainda bem-intencionado, mas insistente nas teses do Estado mínimo e das virtudes da iniciativa privada.
O que me pergunto é como é possível persistir num purismo tão em desacordo com a realidade e ser de fato inteligente e bem-intencionado?
Nassif disseca as contradições do filósofo-economista.

Do jornal GGN.
Uma entrevista-bomba de Eduardo Gianetti 
Luis Nassif

A entrevista de Eduardo Gianetti -- o economista de Marina Silva -- ao jornal Valor Econômico (clique aqui) é literalmente uma bomba. Gianetti -- que é um filósofo -- avançou radicalmente além das chinelas e, em nome de Marina Silva, apresentou um conjunto de propostas econômicas desconjuntadas e imprudentes.
Ele vai despejando medidas, parecendo atender às demandas de cada grupo aliado, sem conseguir desenhar o cenário resultante. É como se cada medida se bastasse a si própria, sem consequências para o todo.
Comporta-se como o jogador de xadrez novato que só consegue analisar a jogada em curso, sem discernimento sobre seus desdobramentos.
Por exemplo, tem-se um problema: as interferências de Dilma nos preços administrados criaram uma inflação represada que impede a convergência das expectativas de mercado. Ninguém sabe para onde irá a inflação quando os preços forem liberados.
Dilma propõe -- para o pós-eleições, é claro -- um reajuste gradual das tarifas no tempo, para evitar um choque inflacionário.
Gianetti defende um choque tarifário -- a correção imediata dos preços administrados. Se tem um problema -- diz o valente -- temos que enfrentá-lo.
A íntegra.

Os militantes pagos de Aécio

Responda depressa: onde fica a sede da empresa que contrata militantes para o Aécio? Em Belo Horizonte ou no Rio?
A R$ 2.248 por cabeça por mês.

Do jornal GGN.
Aécio paga R$ 2,5 milhões por atividades de militância


Jornal GGN - É destaque no Estadão desta terça (9) que o comitê financeiro da campanha presidencial de Aécio Neves (PSDB) despendeu, em agosto, cerca de R$ 2,5 milhões a uma empresa de eventos especializada em "atividades de militância e mobilização de rua". De acordo com a reportagem, a Entreter Festas e Eventos, sediada no Rio de Janeiro, forneceu a Aécio 1.112 cabos eleitorais. Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) não registraram o mesmo tipo de serviço em suas prestações de contas.
Segundo especialistas ouvidos pelo periódico, contratar cabos eleitorais não é ilegal, desde que o candidato informe ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A campanha de Aécio disse ao Estadão que as despesas com a Entreter são de serviços de "adesivação de veículos" e o custo total engloba gasto com gasolina, transporte e outros itens, e "não são apenas salários". 
A íntegra.

Um cidadão comum, Google, o "direito ao esquecimento" e a justiça

Retrato do Brasil = jornalismo.

Da Retrato do Brasil.
Esquecer ou não, eis a questão 
por Thiago Domenici, matéria publicada na edição de agosto de Retrato do Brasil

Em 1998, o diário espanhol La Vanguardia publicou, em sua versão impressa, anúncio relativo a um leilão de um imóvel de 90 metros quadrados localizado na cidade de Barcelona. O texto detalhava uma dívida dos donos do imóvel com a seguridade social. A divida acabou quitada antes da realização do leilão, mas a informação que revelava o nome dos ex-devedores, o advogado Mario Costeja González e sua ex-mulher, Maria Vosteja González, tornou-se um problema quando o mesmo jornal disponibilizou seu acervo digital na internet.
Desde então, quem pesquisasse o nome deles no Google, por exemplo, seria remetido ao link da página do periódico com a informação desabonadora. Segundo González, aquilo se tornou um tormento profissional e prejudicava sua imagem. "Tinha que dar explicações [a clientes] e ir com um dossiê para demonstrar que nunca havia sido devedor do Estado", disse em entrevista ao diário Folha de S.Paulo. Ele tentou "ser esquecido", ou seja, pediu que as informações fossem apagadas, mas tanto o jornal espanhol quanto o Google negaram seu pedido. Sem alternativas, foi à Justiça em 2009.
Somente em maio deste ano o caso teve um desfecho favorável a González. Sua história ganhou notoriedade não só por se tratar de uma briga de um cidadão contra a gigante da tecnologia americana, mas também pelo fato de o assunto tratar de questões delicadas e polêmicas, como o direito à privacidade e o acesso à informação.
A sentença proferida pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), seu órgão judiciário máximo, decidiu que o Google deve remover de seus resultados de pesquisa não só os links de González, mas de qualquer cidadão europeu que não quiser ver seu nome associado a fatos que eles próprios considerem "inadequados, irrelevantes ou descontextualizados".
Os buscadores podem ser multados caso descumpram a decisão. Para o TJUE, os cidadãos da União Europeia (UE) têm o direito a ser esquecidos, "salvo se existirem razões particulares, como o papel assumido na vida pública pela pessoa envolvida que justificaria, assim, um interesse público preponderante".
No caso de González, o processo pedia que fossem suprimidas ou alteradas as páginas eletrônicas nas quais seus dados estavam disponíveis, de modo que estes não mais aparecessem ou não mais fosse possível sua leitura por terceiros. No entanto, somente os mecanismo de buscas foram atingidos pela decisão, e saites como portais de notícias, por exemplo, nos quais as informações foram originalmente publicadas, não foram afetados.
Em maio, o Google disponibilizou aos europeus um formulário on-line para que façam suas solicitações de esquecimento. Já no primeiro dia foram realizados 12 mil pedidos. Um balanço do mês passado informava que esse número passara dos 70 mil pedidos, com a França liderando a lista com quase 15 mil, seguida da Alemanha, com 12 mil, e do Reino Unido, com 8 mil.
O Google – o principal mecanismo de busca na Europa, dominando cerca de 93% desse mercado, de acordo com a empresa de estatísticas global StatCounter (o Bing, da Microsoft, tem 2,4%, e o Yahoo!, 1,7%) – afirmou que os links serão tratados individualmente por um comitê de especialistas, que conta com figuras importantes, como Jimmy Wales, fundador da Wikipédia, Sylvie Kauffmann, diretora editorial do diário francês Le Monde, Frank La Rue, relator especial das Nações Unidas, e Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, ex-ministra da Justiça da Alemanha.
A íntegra.

As jogadas da Net para segurar seus clientes

Assinar a Net é fácil, cancelar é quase impossível.

Do jornal GGN.
Qual é a da Net?
Luis Nassif

Já narrei aqui minhas aventuras para cancelar os serviços da Net. A jogada da companhia consistia em encaminhar a ligação para uma atendente sem passar o número do protocolo. A atendente ficava enrolando até o cliente desistir. Quando o cliente ligava novamente para reclamar, não havia número de protocolo.
Descoberto o golpe, liguei novamente, pedi o número do protocolo e conseguir chegar ao fim.
Depois disso, de 2 de julho para cá, a Net continuou enviando faturas com cobrança. Não para. Depois que ameaçamos denunciar para o Procon, toparam retirar os equipamentos. Nas ligações, apresenta uma série de protocolos de chamadas, mas não aqueles em que especificamente foi solicitado o cancelamento dos serviços.
A íntegra.

Apesar da ajuda de Veja e da perseguição a blogueiros, Aécio continua caindo

Esta eleição presidencial será uma eleição diferente, se as pesquisas se confirmarem.
Talvez ela não seja decidida pelo eleitor do PT, pelo indeciso ou pelo que quer mudança.
Talvez seja decidida pelo eleitor apartidário e conservador.
Aécio e o PSDB representam para uma parcela da população uma coisa que efetivamente não são, mas parecem ser, graças à máquina da imprensa atuando a seu favor há 12 anos.
Que coisa é essa? Uma ideia de seriedade, competência e honestidade, misturada com um sentimento de que são "mais parecidos conosco do que esse pessoal do PT".
Uma parcela da população conservadora, mas, digamos assim, do bem.
Aqueles dos quais se diz que o inferno está cheio: os bem-intencionados.
Que em 1964 saíram às ruas na marcha da família, mas nos anos seguintes se horrorizaram com o que a ditadura fez com seus filhos.
Entre Marina e Dilma, é possível que pelo menos uma parcela dos conservadores bem-intencionados prefira Dilma, como mal menor, como mal conhecido, diferente das incertezas representadas por Marina.
Porque o único significado de Marina, além de "tirar o PT do poder", é este: incerteza.
Não temos uma maioria de ambientalistas -- ainda.
Não temos uma maioria de evangélicos -- provavelmente nunca teremos.
Também não vivemos um momento de crise que exige mudança radical.
Que maioria é essa então capaz de eleger Marina?
Esta é a pergunta desta eleição.
A maioria formada pela desinformação da imprensa reacionária, que desde 1989 exercita o poder de eleger e derrubar presidentes?
Mas essa imprensa se voltou agora contra Marina, tentando ajudar Aécio -- inutilmente...
Que maioria seria capaz de eleger Marina? Ambientalistas mais evangélicos mais conservadores raivosos, que preferem ver o circo pegar fogo se junto morrerem queimados todos os petistas?
Difícil fazer essa conta, mesmo porque os evangélicos não votarão em bloco em Marina e tampouco os ambientalistas.
Marina me parece uma farsa, mas seu eleitorado é um enigma.

Do jornal GGN. 
Cai diferença entre Dilma e Marina no 2º turno, aponta pesquisa 

Jornal GGN - A nova pesquisa contratada pela CNT (Confederação Nacional de Transporte) e divulgada nesta terça (9/9/14), mostra que caiu a vantagem de Marina Silva (PSB) sobre Dilma Rousseff (PT) na simulação de segundo turno. Já Aécio Neves (PSDB) caiu em todos os cenários e tem rejeição superior a de Dilma.
De acordo com o levantamento do instituto MDA, hoje Marina venceria a petista por 45,5% a 42,7% numa segunda rodada nas urnas. A diferença de 2,8 pontos percentuais é menor do que a distância registrada na última sondagem, quando a ex-ministra sairia vitoriosa por 43,7% a 37,8%.
Segundo aponta a CNT/MDA, Dilma e Marina cresceram na intenção espontânea de voto no primeiro turno. Em agosto, ela registrou 26,4% das intenções de voto, e hoje tem 30,9%. Marina, por sua vez, saltou de 18,6% para 25,8%. Aécio caiu de 11,3% para 10,1%.
Na estimulada, Dilma também subiu. Foi de 34,2% das intenções de voto para 38,1%. Marina foi de 28,2% para 33,5%. Aécio caiu de 16% para 14,7%. Dilma vence Aécio na simulação de segundo turno, por 45,7% a 33,7%.
A popularidade de Dilma cresceu com avaliação positiva do governo, passando de 33,1% para 37,5%.
A íntegra.

O que sobra quando eliminamos as notícias (sempre más) da imprensa?

A vida, as coisas boas da vida cotidiana, da vida simples, do dia a dia, que não é pra ver na televisão nem na internet, que não é pra ler em jornal ou revista, mas pra ver e ouvir ao vivo, pra fazer, na companhia de gente de carne e osso.
Se na Croácia tem essa beleza toda, imagina no Brasil.
O que a voz das ruas nos diz é que a vida é pra ser vivida. 
(Vídeo enviado por Ricardo Trigueiro.)

Histórias de Gaza

A vida segue mesmo -- ou será principalmente? -- depois do genocídio praticado por Israel, a nação criada pelos judeus, aquele povo perseguido e massacrado pelos nazistas e que agora persegue e massacra os palestinos, reproduzindo a roda-viva da miséria humana e da barbárie capitalista.

Da Inter Press Service, via Envolverde.  
A nova guerra na destruída Gaza é por moradia 
Por Khaled Alashqar, da IPS

Gaza, Palestina, 9/9/2014 – "Quando começou o bombardeio de Israel, reuni a família e fugimos para o que eu pensei que fosse um lugar seguro, uma escola, mas então ela ficou superlotada e com falta de saneamento, por isso acabamos na área do hospital", contou Islam Abu Sheira, refugiado oriundo de Beit Hanoun, cidade no extremo nordeste da Faixa de Gaza.
Islam falou à IPS em frente ao que é o "lar" improvisado de sua família no hospital Al Shifa, em Gaza, há dois meses. Seus olhos marejaram ao recordar sua casa destruída pela guerra que começou em 8 de julho e seus esforços para encontrar abrigo seguro para todos.
Com mais de 40 anos, Islam descreveu a odisseia que viveu sua família depois que os 50 dias de bombardeios israelenses os deixaram sem teto. Primeiro buscaram refúgio em uma escola dirigida pela Unrwa, a agência de ajuda e desenvolvimento da Organização das Nações Unidas (ONU) para os refugiados palestinos, mas a lotação e as más condições sanitárias os obrigaram a procurar outro local”.
"Não encontrei nenhum lugar seguro para nos abrigar a não ser no hospital Al Shifa. Junto com nossos sete filhos fugimos para o terreno do hospital e na primeira noite dormimos debaixo das árvores para escapar dos mísseis israelenses que estavam destruindo áreas inteiras, matando famílias inteiras. Durante a guerra só o que buscávamos era um lugar para nos proteger dos bombardeios", contou Islam.
Ele e sua família perderam seus pertences e também, no momento, suas possibilidades de viverem uma vida digna. A maioria dos refugiados na Faixa de Gaza tiveram de abandonar suas casas com tanta pressa que não tiveram tempo de pegar nada. "Simplesmente não temos como subsistir e meus filhos dormem todas as noites no chão. Nem mesmo temos cobertas para eles. Vivemos uma vida primitiva desde que fugimos de casa, nem mesmo pudemos pegar a roupa necessária", acrescentou Islam.
A íntegra.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

As empresas que apoiaram a ditadura

Da CartaCapital.
Ao menos 70 empresas colaboraram com a ditadura 
Petrobras, Ericson, Ford, Brastemp e Volkswagen, entre outras, podem ser responsabilizadas por crimes de lesa-humanidade, diz a Comissão da Verdade
por Marsílea Gombata, publicado 8/9/2014

Empresas brasileiras e estrangeiras colaboraram com os militares durante a ditadura. Elas funcionavam como fonte de informações sobre sindicalistas e trabalhadores suspeitos de comandarem greves e fazerem parte de organizações de esquerda, comprovam documentos obtidos pelo Grupo de Trabalho "Ditadura e repressão aos trabalhadores e ao movimento sindical" da Comissão Nacional da Verdade, apresentados nesta segunda-feira 8, em São Paulo. Além de mostrar nomes e endereços de trabalhadores suspeitos de confabular contra o regime, os documentos trazem os nomes do empresariado que monitorava seus funcionários a fim de colaborar com o sistema de censura e repressão nos últimos anos da ditadura civil militar no Brasil (1964-1985). 
A íntegra.

Nota de solidariedade aos 66 tuiteiros perseguidos por Aécio

Minas Sem Censura mais uma vez é uma rara voz a defender a liberdade de expressão em Minas dos ataques tucanos.

Do blog Viomundo. 
Rogério Correia: Abaixo a criminalização dos que ousam dizer a verdade!
publicado em 8 de setembro de 2014 às 15:15 

Nota em solidariedade aos 66 twitteiros perseguidos por Aécio Neves
O mandato Rogério Correia vem a público prestar solidariedade aos 66 internautas perseguidos pelo candidato Aécio Neves por, supostamente, disseminar em suas contas pessoais na rede social Twitter o que, de acordo com o candidato, seriam "mentiras e ofensas" contra ele. A ação judicial impetrada pelo candidato do PSDB contra o Twitter traz argumentos jurídicos falaciosos para, mais uma vez, colocar em prática a política de censura e perseguição já levada a cabo por Aécio e seus aliados em Minas Gerais.
A medida judicial, com "ares de ditadura", não é nenhuma novidade para os mineiros, que vivem sob um Estado de Exceção frequente há anos. Enquanto deputado de oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, acompanhamos casos escabrosos, como o do jornalista Marco Aurélio Carone, preso preventivamente há mais de seis meses por tentar violar a censura aecista ao publicar em seu jornal online denúncias contra o tucano.
Fui, junto com o deputado Sávio Souza Cruz (PMDB), um dos fundadores do Bloco Minas Sem Censura, que já trazia no nome a vontade política de acabar com o Estado de Exceção tucano em Minas Gerais. Denunciamos a subserviência dos órgãos fiscalizadores do Estado (Ministério Público e Tribunal de Contas) às administrações tucanas e o papel vergonhoso da imprensa mineira, controlada com mãos de ferro pela irmã de Aécio, Andrea Neves.
A íntegra.

Aécio tenta calar DCM e imprensa independente

O Diário do Centro do Mundo é um dos melhores jornais de internet do país, comparável -- assim como GGN, do Luís Nassif, e outros -- ao que foi a grande imprensa nos anos 70 e 80, quando cumpria sua função de informar e não era um "partido de oposição".
Era inimaginável em 1989 que um candidato a presidente da República tentasse censurar o JB, o Estadão, a Folha e mesmo O Globo.
Mas é o que faz Aécio hoje.
Ao mesmo tempo em que conta com o apoio de Veja, Folha, Globo etc. para tentar recuperar sua candidatura que naufragou, criando o enésimo factoide dos últimos 12 anos, o candidato tucano investe contra a imprensa independente.
Segue a lógica que adotou em Minas desde sua eleição para governador em 2002: notícia só a favor. Quem mostra o que ele não quer é perseguido.
Os fatos que confirmam isso são muitos e conhecidos.
Não é um comportamento democrático. Podemos imaginar o que seria a liberdade de imprensa no Brasil caso Aécio se tornasse presidente.
Com a imprensa mineira a favor, ele ganhou "popularidade" e fama de bom "gestor".
A realidade, no entanto, é bem diferente, e esse ataque contra a imprensa independente de âmbito nacional e mundial revela uma característica fundamental do tucano.
Não há dúvida de que entre tantas questões brasileiras importantes, uma se impõe como a mais grave e que exige solução mais urgente: a democratização da comunicação. 

Do DCM. 
Carta Aberta a Aécio Neves 
Por Paulo Nogueira

Caro Aécio: qual é seu conceito de liberdade de expressão?
Pergunto isso porque fui surpreendido com uma notificação judicial sua. Soube depois que outros 65 internautas tiveram a mesma surpresa desagradável.
O DCM é acusado de ser um robô ou, o que não melhora muito a situação, "um grupo de pessoas remuneradas para veicular conteúdos ilícitos na internet."
Primeiro, e antes de tudo, isto configura calúnia.
Somos, como bem sabem nossos 2,5 milhões de leitores únicos por mês, um site de notícias e análises independente e apartidário. O apartidarismo e a independência inexpugnáveis explicam por que crescemos mais de 40 vezes em 18 meses de existência.
Jornalismo, quando se mistura a militância partidária, deixa de ser jornalismo. Essa convicção está na raiz do jornalismo do DCM.
Nossa causa maior é um "Brasil escandinavo", como gosto de dizer e repetir. Um país em que ninguém seja melhor ou pior que ninguém em razão de sua conta bancária.
É certo que, dentro dessa visão do mundo, entendo que o senhor representa um brutal atraso.
O PSDB, no qual votei várias vezes, lamentavelmente deu nos últimos anos uma guinada profunda rumo à direita e se transformou numa nova UDN.
Hoje, o PSDB simboliza um Brasil abjetamente iníquo. Os privilegiados estão todos a seu lado nestas eleições, e não por acaso.
Caro candidato: nunca vi o senhor, ou algum outro líder tucano, se insurgir contra o mal maior do Brasil – a desigualdade.
Nossos problemas com o senhor residem apenas no campo das ideias.
Não fabricamos fatos, não inventamos coisas que o constranjam, porque não é este o tipo de jornalismo que praticamos.
Mais que isso: não fazemos acusações levianas e irresponsáveis como as que o senhor fez contra nós.
Se condenamos coisas como o aeroporto de Cláudio é porque entendemos que elas são a negação do "Brasil escandinavo" pelo qual tanto nos batemos.
A íntegra.

Como veja montou seu partido

É um partido político, mas aparece para a sociedade na forma de revista.
E abandonou o barco de Marina, no qual pôs um pé.
A quatro semanas da eleição disparou uma campanha para tentar salvar Aécio e levá-lo ao segundo turno. Globo, Folha, Estadão, Estadinho etc. a acompanham, como uma coligação partidária.
Não é um modelo original; como programas de televisão e modelos de revistas, também foi copiado do exterior.
Está nos seus estertores, porém: a Abril fecha revistas e demite jornalistas, porque caem suas vendas e assinaturas (parte das que ainda tem é comprada por governos tucanos para órgãos públicos).

Do Jornal GGN.
Sobre a posição atual dos grupos de mídia

Por Luís Nassif

A atuação da mídia como partido foi liderada pelo falecido Roberto Civita, do grupo Abril, inspirado no modelo de atuação de Rupert Murdock nos Estados Unidos.
Sentindo o fim do monopólio virtual do mercado de opinião, com o avanço da internet, Murdock montou uma frente política com os demais grupos de mídia para eleger o seu presidente. Buscou na ultra-direita a retórica mais virulenta, inaugurou os ataques pessoais a políticos e jornalistas "inimigos", inundou o país de boatos e injúrias da pior espécie, disseminando-as pelas redes sociais. E valeu-se de todos os recursos dos grupos de mídia -- dramatização da notícia, demonização do inimigo, aceno com o fim dos tempos -- para emplacar seu candidato.
Perdeu e a primeira atitude de Barack Obama, eleito, foi convidar os presidentes da Apple, Google e Facebook para visitá-lo na Casa Branca.
Foi a marca das eleições brasileiras de 2006 e, especialmente, de 2010.
O padrão é cansativo, de tão previsível.
Veja saía na frente com seus factoides e o grupo repercutia em seguida. O fórum de orquestração se dava no Instituto Millenium. A um mês das eleições, aumentava-se a dose e tentava-se a bala de prata.
A morte de Civita acelerou o processo de perda de rumo dos grupos de mídia  Pagou-se um preço caro com a orquestração contra a Copa do Mundo, que marcou o fundo do poço da credibilidade da mídia.
Sem a antiga orquestração, os jornalões passaram a agir com o fígado, sem obedecer a uma estratégia concatenada.
De um lado, perceberam que precisariam recuperar credibilidade para dar eficácia às rodadas de ataque que antecederiam as eleições. Aí um jornal levanta o caso do aeroporto de Aécio, os outros vão atrás, na crença de um escândalo menor legitimando os escândalos maiores contra o PT. De repente, o tema sai do controle, e Aécio se queima. 
Depois, veem Marina subindo, e ajudam na ascensão. 
No meio do caminho dão-se conta de uma realidade: 
1. Aécio lhes garante a volta ao controle do Estado. 
2. Com Dilma, nada perdem, mas nada ganham. Dilma mantém a cartelização da publicidade mas não faz negócios.
3. Marina é uma incógnita. Seu programa aprofunda o conceito de democracia participativa ao mesmo tempo em que ela se curva às pressões de pastores evangélicos -- o grupo que mais cresceu na mídia tradicional, enfrentando inclusive o poder da Globo. A política econômica é mercadista mas seus princípios ambientais são contra a economia real. Ora ela diz sim, ora ela diz não.
A íntegra.

Abrace a Serra do Gandarela no dia 21 de setembro

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sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Previsão do clima em 2050

Da ONU Brasil.

Votação no Plebiscito Constituinte vai até domingo 7/9/14

7 razões para dizer SIM à Constituinte do Sistema Político

1- As manifestações de junho de 2013 evidenciaram a necessidade de mudarmos a política brasileira urgentemente! Milhares de cartazes e gritos nas ruas diziam "Não me representa!", demonstrando a descrença da população nos representares e nas instituições políticas do nosso país.

2- Hoje, o nosso voto não é o que decide as eleições e sim o poder econômico, que por meio do financiamento empresarial de campanhas milionárias dá a "palavra final" e mantém seu controle na eleição dos representantes na Câmara Federal, no Senado, nas Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. Constatamos isso ao olhar uma "fotografia" do atual Congresso Nacional: o número de deputados e senadores ligados aos grandes empresários (da agricultura, da indústria, da construção civil, da educação, da saúde etc.) é três vezes maior que o de ligados aos trabalhadores (que são maioria na nossa sociedade).

3- Por outro lado, percebemos nesta mesma "fotografia" que o número de representantes de mulheres, jovens, LGBT, da população negra e indígena não corresponde ao tamanho destas populações na nossa sociedade. Em outras palavras, estes setores estão sub-representados no Congresso Nacional e a grande maioria das suas reivindicações não é atendida.

4- Inspirados no ditado popular "Quem paga a banda, escolhe a música!", constatamos claramente que a grande maioria do Congresso Nacional não quer mudar as regras da política, pelo contrário, quer deixar tudo como está, mantendo seus privilégios, que não são poucos!

5- Para conquistarmos as reivindicações que foram às ruas em 2013 (melhoras no transporte, na saúde, na educação, na moradia, na mídia, no campo, entre outras) é preciso que o povo se mobilize para mudar as "regras do jogo da política", pois as regras que aí estão só servem aos grandes empresários, que emperram todas as mudanças. Só é possível mudar as regras, alterando a Constituição Federal.

6- Precisamos de uma Constituinte Exclusiva, na qual possamos eleger representantes que tenham exclusivamente a tarefa de elaborar as mudanças desejadas pela grande maioria da população brasileira. Transformar os atuais parlamentares em constituintes (como aconteceu em 1988) não vai mudar nada!

7- Realizar uma Constituinte Exclusiva significa aprofundar a democracia no nosso país. Permite que possamos debater amplamente e decidir as regras de participação e representação, permite combater: o privilégio do poder econômico nas eleições e na sociedade, a sub-representação da maioria dos brasileiros e aperfeiçoar os mecanismos de democracia direta (plebiscitos, referendos e leis de iniciativa popular). Permite combatermos um sistema que privilegia poucos e avançarmos para um sistema político que realize propostas concretas para enfrentar os problemas do País.

De 1 a 7 de setembro, vote SIM para mudar o sistema político
Participe e divulgue o Plebiscito Popular!
Mude o sistema político!
Procure uma urna perto de você e diga SIM à Constituinte!
plebiscitoconstituinte.org.br
plebiscitoconstituinte@gmail.com 

Alguns locais de votação em Belo Horizonte:
- Coopen-BH (Rua Washington nº 524, Bairro Sion), até esta sexta-feira, 5/9
- Feira Terra Viva (Praça de Santa Tereza), sábado, 6/9
- Praça 7, até domingo 7/9
- Sindicato dos Jornalistas (Avenida Álvares Cabral nº 400, Centro)
- Estações do Metrô Central, Lagoinha, São Gabriel e Vilarinho
- Sind-UTE
- Sindicato dos Bancários
- Praça da Estação
- Rodoviária
- Assembleia Legislativa
- Cefet-MG
- Campus da UFMG
- Campus da PUC Minas
- Feira da Avenida Afonso Pena

Veja a lista completa clicando aqui.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Programa de Marina foi copiado da internet

Ou pelo menos parte dele.

Do Brasil 247, em 4 de setembro de 2014
Plano de Marina tem mais exemplos de Ctrl-C + Ctrl-V 
Surgem novas evidências de que o programa de governo de Marina Silva foi feito de improviso; trechos inteiros do capítulo "Educação, cultura e ciência, tecnologia e inovação" foram copiados de um artigo da USP sem citar a fonte e o autor, como é comum em casos de plágio; prática é duramente rechaçada pela comunidade acadêmica e demonstra falta de ética; nessa semana, o candidato do PSDB, Aécio Neves, acusou Marina de plagiar parte do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH), lançado por FHC em 2002 [e produzido com participação da sociedade]; coordenadora do programa é Neca Setubal, herdeira do banco Itaú.
A íntegra.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Artistas pedem transparência à Secretaria de Cultura de Minas

"Diante da gravidade do quadro vivenciado pela cultura de Minas Gerais [na distribuição de recursos da Lei Estadual de Incentivo à Cultura], solicitamos a esta Secretaria algumas providências urgentes", diz a Carta.

2ª Carta Aberta endereçada à Secretaria de Estado de Cultura de Minas Gerais

Belo Horizonte, 1 de setembro de 2014.

Exmª. Srª.
Eliane Parreiras
Secretária de Estado de Cultura de Minas Gerais

C.c. Governador do Estado de Minas Gerais
Conselho Estadual de Cultura de Minas Gerais
Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa de Minas Gerais
Imprensa

Senhora Secretária,
Agradecemos a V. Exª. e à equipe da Secretaria de Estado de Cultura pela divulgação das informações relativas à captação de recursos por intermédio da Leic - Lei Estadual de Incentivo à Cultura no ano de 2014. Desde já, cabe-nos solicitar que tais informações se tornem efetivamente públicas e passem a integrar um banco de dados acessível a todos os cidadãos, de modo a permitir o acompanhamento pari passu do desempenho desse mecanismo tão importante para a política cultural do Estado.
Nos últimos 30 dias, nós, agentes culturais de Belo Horizonte e do interior de Minas Gerais, debruçamo-nos em uma análise, ainda superficial, dos dados publicados. Reconhecemos que nos falta aparato técnico para que um diagnóstico minucioso seja apresentado. Entretanto, dados sobre os quais discorreremos a seguir já nos certificam do quão distorcido tem sido o uso do mecanismo e também de sua iminente falência. Aquilo que em nossa carta pública de 10 de julho era creditado à intuição, infelizmente confirma-se na prática. É bastante pertinente reafirmarmos que parte dos projetos aprovados e que conseguiram o mínimo necessário para o início de sua execução pouco ou nada acrescentam à cultura de Minas Gerais, uma vez que não se alinham a uma política cultural responsável e nem às diretrizes do Plano Estadual de Cultura que vem sendo construído no âmbito do Consec - Conselho Estadual de Cultura.
Como exemplo de distorção inaceitável, destacamos o fato de aproximadamente 7% do total de R$ 61 milhões aportados em projetos do edital 2014 terem sido destinados à ações relacionadas ao Carnaval e à Copa do Mundo, atividades que, por seu forte apelo comercial, deveriam ser financiadas diretamente pelos departamentos de marketing das empresas interessadas. Acreditamos que uma análise mais aprofundada, projeto por projeto, poderia revelar a existência de mais distorções igualmente absurdas. Os recursos que irrigam projetos de natureza meramente comercial são os mesmos que faltam a um grande número de artistas, grupos e instituições que não têm conseguido captar por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
Outro dado alarmante é que cerca de 6% do total de recursos foram destinados a equipamentos do próprio Estado ou do Circuito Cultural Praça da Liberdade. É inadmissível que um Estado recordista em arrecadação como Minas Gerais não possa criar dotações orçamentárias específicas para tais projetos e acabe disputando com agentes culturais da sociedade civil recursos públicos provenientes de isenção fiscal. Acreditamos que esse contrassenso tenha chegado ao seu limite.
Diante dessas constatações, preocupa-nos especialmente a posição de V. Exª de que não é possível estabelecer critérios para a análise de projetos sem que haja mudanças na Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Entendemos que se trata de uma decisão política e que a legislação permite que a CTAP estabeleça nos editais os critérios públicos para essa avaliação, tendo como referência os objetivos da Lei, bastante claros em seu artigo 1º. Somente desse modo será possível minimizar ou corrigir as distorções no uso e na distribuição dos recursos.
Em carta-resposta de 15 de julho, V. Exª absteve-se de comentar o gravíssimo problema que identificamos como "efeito bola de neve", que consumiu 24% dos recursos de 2014 com projetos aprovados no ano de 2013, totalizando o montante de R$ 18 milhões. Reiteramos nossa preocupação e, mais uma vez, apontamos o que nos parece óbvio: se o ritmo indiscriminado de aprovações se mantiver, corremos o sério risco de, em 2015, os recursos se esgotarem no primeiro trimestre do ano. Em 2016 ou 2017 o mecanismo ficará comprometido antes mesmo da abertura dos anos fiscais.
Somando-se os 7% referentes aos projetos ligados ao Carnaval e à Copa do Mundo com os 6% destinados aos equipamentos do próprio Estado e ao Circuito Cultural Praça da Liberdade e ainda com os 24% da “bola de neve”, chegamos ao total alarmante de 37% do montante dos recursos da renúncia “desviados” de seu propósito original de fomentar atividades de agentes e instituições culturais por meio dos projetos inscritos no edital 2014.
Em sua resposta, V. Exª. se refere à nossa avaliação quanto à diminuição da contrapartida como "minoritária e pessimista" e afirma que o assunto foi "amplamente debatido". Manifestamos nossa discordância com ambas as posições. Acreditamos que falte a esta Secretaria uma percepção mais clara do elevado grau de descontentamento a que chegou a classe cultural de Minas Gerais com os rumos dados à Lei Estadual de Incentivo à Cultura. Talvez os debates não tenham sido assim tão abertos quando esta Secretaria quer fazer crer.
Ressaltamos ainda que uma das instâncias de escuta formal da sociedade civil citadas pela Secretaria, o Conselho Estadual de Política Cultural, também se alinha com esta posição. Independentemente de concordância com todo o teor da nossa carta pública, oito dias após sua divulgação, o CONSEC e sua Câmara Regional Consultiva manifestaram-se favoráveis à “imediata revisão da Lei Estadual de Incentivo à Cultura antes que a mesma entre em colapso”. Este é mais um fato a reforçar a relevância de nossas críticas.
Portanto, diante da gravidade do quadro vivenciado pela cultura de Minas Gerais, solicitamos a esta Secretaria algumas providências urgentes:
1. Restabelecimento de critérios de avaliação dos projetos, tendo como referência os objetivos claramente expressos no artigo 1º da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
2. Ampliação significativa do teto da renúncia fiscal da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
3. Ampliação significativa do montante de recursos destinados aos editais do Fundo Estadual de Cultura, instrumento primordial para a correção das distorções naturais das leis de incentivo baseadas em renúncia fiscal.
4. Encaminhamento imediato de discussão pública com agentes culturais da capital e do interior, com vistas à revisão da Lei Estadual de Incentivo à Cultura.
5. Abertura imediata de discussão pública com agentes culturais da capital e do interior, com vistas à implementação de novos mecanismos de estimulo à cultura no Estado.
Finalizamos nossas contribuições a esse debate reivindicando que sua continuidade se dê em âmbito mais amplo e que não se percam de vista os princípios republicanos que devem nortear a aplicação dos recursos públicos destinados à cultura.
Atenciosamente,
Grupo Galpão/Galpão Cine Horto, 1,2 na Dança, Associação Cultural Mimulus, Associação Curta Minas, Cia. de Teatro Luna Lunera, Grupo Armatrux, Grupo de Dança Primeiro Ato, Grupo de Teatro Trupe de Truões, Grupo Espanca!, Grupo Maria Cutia e mais 35 assinaturas.