quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Arrogância de um pastor batista de classe média

A ascensão dos evangélicos é o fato político e social mais importante do Brasil nas últimas décadas, mas sociólogos, cientistas políticos, jornalistas e a esquerda não dão atenção a isso.
Qual o papel dos evangélicos no golpe? O deputado que conduziu o processo de impeachment é um evangélico, Eduardo Cunha.
Igrejas evangélicas ocupam inúmeros canais de televisão. Uma igreja é dona de uma rede de televisão.
A igreja desse vídeo não é uma dessas igrejas novas, para pobres, é uma igreja evangélica tradicional, batista, frequentada por classe média.Esse pastor se comporta de forma arrogante, considerando seus fiéis como gado.
Age como padres católicos agiam no século passado, assustando seu rebanho com o fantasma do comunismo.
Age como agiram padres da igreja católica no golpe de 64, com a marcha da família. 

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Bom jornalismo também aderiu à greve do dia 28, admite ombusdman da Folha

Jornal GGN - A cobertura que a grande mídia fez sobre a greve geral do dia 28 de abril não fez jus aos fatos e tampouco se prestou a aprofundar a discussão sobre a pauta dos trabalhadores que paralisaram diversos setores da economia: as reformas do governo Temer para a Previdência e legislação trabalhista.

Paula Cesarino Costa, ombusdman da Folha, publicou artigo criticando a imprensa por não tem feito o mínimo que se espera do "bom jornalismo": apontar o tamanho da greve e discutir os motivos que levaram à adesão de 40 milhões de pessoas, segundo os organizadores.

Ao invés disso, a mídia se apegou a vandalismos pontuais e aos problemas enfrentados por quem queria trabalhar. "Na sexta-feira, o bom jornalismo aderiu à greve geral. Não compareceu para trabalhar", disse.

Por Paula Cesarino Costa, na Folha

A imprensa e a greve geral

Assim como a de milhões de brasileiros, minha rotina diária foi alterada pela greve geral da sexta-feira, 28. Lojas de que precisei estavam fechadas; no supermercado, o gerente disse que apenas um terço dos funcionários comparecera; a experiência nos aeroportos de amigos e familiares que viajaram foi sofrida, apesar de a Folha ter dito que os aeroportos funcionaram normalmente. Pode não ter sido um caos, mas normal não foi.

De modo geral, esse foi o problema da cobertura da greve geral convocada contra as reformas da Previdência e das leis trabalhistas. Focou a alteração da rotina das cidades, de modo previsível, sem inventividade nem relatos ricos.

Em suma, os jornais se concentraram no impacto sobre as árvores e deixaram de abordar a situação da floresta. A velha imagem é eficiente por condensar a mensagem de modo tão claro.

Um parágrafo do editorial da Folha trazia o resumo do que pretendo dizer quando cobro abordagem mais ampla: "Em nenhum país do mundo, propostas de redução de direitos relativos à aposentadoria contarão com apoio popular. Governantes, em geral, só as apresentam quando as finanças públicas já estão em trajetória insustentável. Este é, sem dúvida, o caso do Brasil".

Essa é a visão da floresta que deveria ser discutida nos jornais. É preciso acrescentar que a discussão sobre a reforma trabalhista é também uma discussão sobre perda de direitos, contraposta à possibilidade de dinamização e crescimento do mercado do trabalho – promessa de comprovação difícil. Esses são os dois lados da moeda.

Pode-se até afirmar que essa discussão está presente no jornal. Não com a clareza do dilema exposto pelo editorial da Folha: está em jogo a perda de direitos em nome do ajuste fiscal. Jornais estrangeiros assim enquadraram a manifestação. A imprensa brasileira abriu mão da discussão sobre a floresta.

A greve geral convocada por centrais sindicais e movimentos de esquerda mostrou que a mídia precisa se qualificar para esse tipo de cobertura, complexa e de altíssimo interesse do público leitor.

Quase em uníssono, os três principais jornais destacaram nas manchetes de suas edições impressas o efeito no transporte e a violência com que terminaram manifestações em São Paulo e no Rio.

Será que o vandalismo em pontos isolados do Rio e de São Paulo era notícia a destacar em enunciado de manchete, se a própria Folha escreveu que a calmaria reinou durante quase todo o dia? Por que valorizar as cenas de confronto, em vez de imagens que pudessem, por exemplo, mostrar o que diziam as faixas levadas às manifestações.

A greve paralisou, segundo o noticiário da Folha, parcialmente as atividades nas principais capitais do país e em ao menos 130 municípios, em todos os Estados e no Distrito Federal. Os organizadores classificam como a maior greve da história do país: cerca de 40 milhões paralisaram suas atividades.

Não há reportagem ou quadro na edição que diga qual era exatamente o objetivo da greve ou, se fosse o caso, a análise de seu impacto nos objetivos do movimento.

Há dois pontos básicos a que o jornal, na minha avaliação deveria ter respondido:

Qual foi o tamanho da paralisação? Era preciso encontrar parâmetros que permitissem ao leitor entender o que foi o movimento de agora em comparação com convocações anteriores.

Quais as possíveis consequências da greve? Terá algum efeito em seu objetivo principal de parar a tramitação das reformas trabalhista e da Previdência, obrigando Executivo e Legislativo a negociar com a sociedade e os sindicatos?

Eram desafios difíceis, mas a imprensa não conseguiu nem chegar perto de enfrentá-los.

À exceção dos colunistas André Singer e Demétrio Magnoli, não houve tentativa de interpretação do que aconteceu. Cientistas políticos, sociólogos e analistas não estão nas páginas da Folha ajudando a entender o que aconteceu e o que pode vir a acontecer.

Deputados e senadores não se manifestaram de forma a sinalizar se o protesto pode vir a ter algum efeito objetivo nos projetos em discussão. Apenas o governo federal fala, expressando a óbvia e obrigatória avaliação de que adesão foi pequena, fracassou.

Ainda há muito a aprender e a ser desenvolvido em cobertura de casos dessa magnitude.

Na sexta-feira, o bom jornalismo aderiu à greve geral. Não compareceu para trabalhar.

http://jornalggn.com.br/noticia/bom-jornalismo-tambem-aderiu-a-greve-do-dia-28-admite-ombusdman-da-folha